Chove na cidade sobre as nossas cabeças num dia típico calor-frio-calor-frio-chuva-torrencial. Sobre a casa: ela ficou vazia do dia para a noite. Há buracos pela sala, a geladeira partiu e deixou um grande vazio na cozinha, o quarto ao lado do nosso foi desocupado. Minha companheira de casa foi-se para o ex-primeiro mundo. Restam eu e o cigarro que sempre fumo. Eu e a casa metade cheia metade vazia. Eu e o país emergente. E o Bob Marley cantando no sonzinho novo.
Tudo muda o tempo todo.
Insistentemente, muda.
Eu, muda, na cozinha, tomo chá. Mudo, junto. Tudo, junto. Sempre tudo muda tudo. Ou nada muda tudo. Simplesmente muda, assim. Tec. Num estalar de dedos, num atravessar a rua, num dia frio que se torna infernalmente quente. Numa vontade que vira apatia. Ou numa frieza que vira desejo.
Ou o desejo que permanece, que não se esquece, que não deixa sossegar).
terça-feira, agosto 30, 2011
domingo, julho 31, 2011
sobre os desejos que vem me atormentar
bom, eles vem sempre, direto, cotidianamente.
isso me deixa feliz e angustiada, ao mesmo puto tempo.
1. feliz:
porque desejar é bom. é sinal de que estou viva. muito viva. pulsando. querendo. sinal de que a vida me atravessa, de que abro espaço pra ela entrar.
2. angustiada:
porque vivo numa sociedade baseada, há séculos, numa Moral cristã-monogâmica-casamento-felizes- para-sempre-na-saúde-e-na-doença-na-alegria-e-na-tristeza, onde a família é super valorizada, em que se condena brutalmente todos os tipos de desejo, e, em especial, aqueles de natureza extra conjugal.
e porque não posso tocar neste assunto. nem com meu cônjuge que eu amo tanto.
é que a minha cota bicho não me deixa esquecer. tampouco me imuniza do desejar.
e a cota bicho é egoísta mesmo. e isso é necessariamente ruim? ou será, pura e simplesmente, natural?
era uma vez uma mulher que vivia há um certo tempo sob a égide da monogamia. e se descabelava.
era uma vez uma mulher que se apaixonou por dois homens ao mesmo tempo quando tinha quinze anos de idade. e descobriu que era possível. e impossível, ao mesmo puto tempo.
era uma vez uma mulher que amava muito. tanto. que cabia se apaixonar por um, dois, cinco de uma vez.
e queria experimentá-los, todos. ela não era bruxa, nem histérica, nem vadia.
ela era uma mulher.
e uma mulher é uma mulher.
um homem também é um homem e também carrega dentro de si uma cota bicho considerável.
me atrai esse animal que existe em nós - seres homens e mulheres.
me cativa, me prende, me impulsiona, me atormenta, me amedronta, me seduz.
esse lugar que ainda não foi colonizado por completo.
deve ser por causa da minha herança indígena brasileira. ou da minha herança-macaco. ou por conta da minha herança homem das cavernas. não havia monogamia nas cavernas.
mulheres e homens são bichos lindos e cativantes e é uma perda gigantesca e avassaladora não podermos nos relacionar como realmente gostaríamos.
como bichos livres; como homens e mulheres civilizados.
isso me deixa feliz e angustiada, ao mesmo puto tempo.
1. feliz:
porque desejar é bom. é sinal de que estou viva. muito viva. pulsando. querendo. sinal de que a vida me atravessa, de que abro espaço pra ela entrar.
2. angustiada:
porque vivo numa sociedade baseada, há séculos, numa Moral cristã-monogâmica-casamento-felizes- para-sempre-na-saúde-e-na-doença-na-alegria-e-na-tristeza, onde a família é super valorizada, em que se condena brutalmente todos os tipos de desejo, e, em especial, aqueles de natureza extra conjugal.
e porque não posso tocar neste assunto. nem com meu cônjuge que eu amo tanto.
é que a minha cota bicho não me deixa esquecer. tampouco me imuniza do desejar.
e a cota bicho é egoísta mesmo. e isso é necessariamente ruim? ou será, pura e simplesmente, natural?
era uma vez uma mulher que vivia há um certo tempo sob a égide da monogamia. e se descabelava.
era uma vez uma mulher que se apaixonou por dois homens ao mesmo tempo quando tinha quinze anos de idade. e descobriu que era possível. e impossível, ao mesmo puto tempo.
era uma vez uma mulher que amava muito. tanto. que cabia se apaixonar por um, dois, cinco de uma vez.
e queria experimentá-los, todos. ela não era bruxa, nem histérica, nem vadia.
ela era uma mulher.
e uma mulher é uma mulher.
um homem também é um homem e também carrega dentro de si uma cota bicho considerável.
me atrai esse animal que existe em nós - seres homens e mulheres.
me cativa, me prende, me impulsiona, me atormenta, me amedronta, me seduz.
esse lugar que ainda não foi colonizado por completo.
deve ser por causa da minha herança indígena brasileira. ou da minha herança-macaco. ou por conta da minha herança homem das cavernas. não havia monogamia nas cavernas.
mulheres e homens são bichos lindos e cativantes e é uma perda gigantesca e avassaladora não podermos nos relacionar como realmente gostaríamos.
como bichos livres; como homens e mulheres civilizados.
sexta-feira, julho 29, 2011
doce tarde
flagrei um homem me espionando da janela do outro lado da rua. credo.
sono da tarde, sem sonhos. janela aberta, luz da tarde entrando, barulho de carro da oficina do outro lado da rua. homens falando, outros me espionando.
sono infantil da tarde, durmo, chafurdo. me entrego pra esse sono gostoso e descompromissado das crianças. acordo com o celular tocando e uns pensamentos esquisitos: "quando eu era um bebê, referia-me a mim mesma como bebê teodoro."
Oi, muito prazer, eu sou o Bebê Teodoro.
Pode um pensamento desses?
A porta range no seu abre-fecha. Estou sozinha em casa. Acordo com tesão, tesão da tarde, pensamento vaga por uns e outros.
Amo a janela entreaberta e a luz que vem de fora, junto com a sombra que a árvore faz no teto do quarto. Amo os galhos dessa árvore velha bem na minha janela que se misturam com os fios e o poste, a árvore abraçou o poste, impossível podá-la, eles viraram uma coisa só.
E chega de sono e divagações que já vou me atrasar.
A vida é concreta. A alma não.
sono da tarde, sem sonhos. janela aberta, luz da tarde entrando, barulho de carro da oficina do outro lado da rua. homens falando, outros me espionando.
sono infantil da tarde, durmo, chafurdo. me entrego pra esse sono gostoso e descompromissado das crianças. acordo com o celular tocando e uns pensamentos esquisitos: "quando eu era um bebê, referia-me a mim mesma como bebê teodoro."
Oi, muito prazer, eu sou o Bebê Teodoro.
Pode um pensamento desses?
A porta range no seu abre-fecha. Estou sozinha em casa. Acordo com tesão, tesão da tarde, pensamento vaga por uns e outros.
Amo a janela entreaberta e a luz que vem de fora, junto com a sombra que a árvore faz no teto do quarto. Amo os galhos dessa árvore velha bem na minha janela que se misturam com os fios e o poste, a árvore abraçou o poste, impossível podá-la, eles viraram uma coisa só.
E chega de sono e divagações que já vou me atrasar.
A vida é concreta. A alma não.
quinta-feira, julho 28, 2011
Momento Itamar Assumpção
Dor Elegante
Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Como se chegando atrasado
Andasse mais adiante
Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa um milhão de dólares
Ou coisa que os valha
Ópios édens analgésicos
Não me toquem nesta dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra
Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Como se chegando atrasado
Andasse mais adiante
Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa um milhão de dólares
Ou coisa que os valha
Ópios édens analgésicos
Não me toquem nesta dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra
terça-feira, julho 26, 2011
essa velha senhora
"Seria demais, certamente, supor que eu não precise mais da realidade.
Seria de menos, todavia, suspeitar sequer que a realidade, essa velha senhora, possa ser a verdadeira mãe destes dizeres tão calares".
Paulo Leminsky - introdução de Distraídos Venceremos
Seria de menos, todavia, suspeitar sequer que a realidade, essa velha senhora, possa ser a verdadeira mãe destes dizeres tão calares".
Paulo Leminsky - introdução de Distraídos Venceremos
segunda-feira, julho 25, 2011
Ah que saudades de escrever e só. E ponto. E já.
Escutando uma música maravilhosa do Itamar. Nova aquisição.
De barriga cheia de macarrão de tomate com mussarela de búfala e cerveja gringa.
Amo minha casinha, meu maridinho, minha vidinha maluca.
Tanta tanta crise e no final tá tudo bem, vai ficar tudo bem, confio, confio, confio. Porque não escolhemos o caminho mais fácil então tem que confiar. Troquei um trabalho de carteira assinada e salário bom por um trabalho artisticamente muito mais interessante e financeiramente muito pior. Mas se eu não escolho a arte ela nunca vai me escolher. E eu sempre vou escolhê-la. Como sempre fiz. E não me arrependo de nada, nem da minha escolha, nem da minha devoção, dedicação, anos de escola, não me arrependo.
Só ganhei com tudo isso. Desenvolvi um olhar pro ser humano, pra vida, pros outros, pro mundo, pra estética, pra configuração das coisas, pra desconfiguração das coisas, pro jeito que elas funcionam, não funcionam, deveriam funcionar, ou quebrar, pras brechas, pras frestas, pra janela que dá pro lado de lá do oceano, do tempo, pro fim das coisas e pro inacabado, pro infinito e pro nosso fim, que sempre se aproxima.
Por mais macarrão, cerveja gringa, cigarro, espiritualidade, cidade...
Tem fim.
Escutando uma música maravilhosa do Itamar. Nova aquisição.
De barriga cheia de macarrão de tomate com mussarela de búfala e cerveja gringa.
Amo minha casinha, meu maridinho, minha vidinha maluca.
Tanta tanta crise e no final tá tudo bem, vai ficar tudo bem, confio, confio, confio. Porque não escolhemos o caminho mais fácil então tem que confiar. Troquei um trabalho de carteira assinada e salário bom por um trabalho artisticamente muito mais interessante e financeiramente muito pior. Mas se eu não escolho a arte ela nunca vai me escolher. E eu sempre vou escolhê-la. Como sempre fiz. E não me arrependo de nada, nem da minha escolha, nem da minha devoção, dedicação, anos de escola, não me arrependo.
Só ganhei com tudo isso. Desenvolvi um olhar pro ser humano, pra vida, pros outros, pro mundo, pra estética, pra configuração das coisas, pra desconfiguração das coisas, pro jeito que elas funcionam, não funcionam, deveriam funcionar, ou quebrar, pras brechas, pras frestas, pra janela que dá pro lado de lá do oceano, do tempo, pro fim das coisas e pro inacabado, pro infinito e pro nosso fim, que sempre se aproxima.
Por mais macarrão, cerveja gringa, cigarro, espiritualidade, cidade...
Tem fim.
quarta-feira, julho 06, 2011
dia mundial da falta de voz
perdi, literalmente, a voz.
Engoli um sapão. Uns, talvez. Que bloquearam a minha faringe, e colaram as pregas vocais umas nas outras impedindo a passagem do ar. Daí, calei. Emudeci. Sussurrei bem baixinho o dia todo. Quem ficou perto de mim pôde experimentar a sensação de falar, falar, falar sem ser interrompido. E daí, num certo momento, se entediaram. Se cansaram da minha muda companhia.
Deixei de falar na hora que tinha que falar e agora não falo nunca mais. Sem voz, sem lugar.
Até me perguntaram se eu era muda.
Imagina? Me senti mesmo, várias vezes, como uma muda e só sei que deve ser bem difícil. Mas também, ao mesmo tempo, vi que tem muita coisa desnecessária que deixo de falar. Basicamente tudo, eu diria. As falas por necessidade mesmo são algumas, poucas, ao longo de um dia. O resto vem pra tapar lacuna, preencher o tempo, soar simpatico etc etc.
Contra a mudez, é preciso se colocar na hora certa e da maneira certa.
Ontem fui dormir pensando nisso. Hoje acordei sem voz. Realmente. Preciso plantar meus pés no chão e aprender a dizer uns NÃOS de boca cheia, redondos e sonoros. E me fortalecer de mim. Convicção e confiança. É disso que preciso mais do que nunca. Fiel a mim. Sabendo de mim. Observando o que está ao redor, sem ficar sonsa, distraída, me perder. Não dá mais pra me perder.
Engoli um sapão. Uns, talvez. Que bloquearam a minha faringe, e colaram as pregas vocais umas nas outras impedindo a passagem do ar. Daí, calei. Emudeci. Sussurrei bem baixinho o dia todo. Quem ficou perto de mim pôde experimentar a sensação de falar, falar, falar sem ser interrompido. E daí, num certo momento, se entediaram. Se cansaram da minha muda companhia.
Deixei de falar na hora que tinha que falar e agora não falo nunca mais. Sem voz, sem lugar.
Até me perguntaram se eu era muda.
Imagina? Me senti mesmo, várias vezes, como uma muda e só sei que deve ser bem difícil. Mas também, ao mesmo tempo, vi que tem muita coisa desnecessária que deixo de falar. Basicamente tudo, eu diria. As falas por necessidade mesmo são algumas, poucas, ao longo de um dia. O resto vem pra tapar lacuna, preencher o tempo, soar simpatico etc etc.
Contra a mudez, é preciso se colocar na hora certa e da maneira certa.
Ontem fui dormir pensando nisso. Hoje acordei sem voz. Realmente. Preciso plantar meus pés no chão e aprender a dizer uns NÃOS de boca cheia, redondos e sonoros. E me fortalecer de mim. Convicção e confiança. É disso que preciso mais do que nunca. Fiel a mim. Sabendo de mim. Observando o que está ao redor, sem ficar sonsa, distraída, me perder. Não dá mais pra me perder.
terça-feira, junho 14, 2011
o vinho e mais ninguém
me saca neste momento
será que já foi difícil assim?
quem virá me resgatar desta vez?
e agora mais do que nunca parece que está nas minhas mãos
minhas duas mãos, frias frágeis
são apenas duas mãos pra dar conta de tanta tanta
conta
tudo errado como dois e dois
carcarááááá
eu uivo
eu guincho
relincho
carece ter coragem e coração
já sei
já sei
meu uivo guincho relincho sem direção
sigo queimando em febre
em amor saudades e o que mais vier me azucrinar
me saca neste momento
será que já foi difícil assim?
quem virá me resgatar desta vez?
e agora mais do que nunca parece que está nas minhas mãos
minhas duas mãos, frias frágeis
são apenas duas mãos pra dar conta de tanta tanta
conta
tudo errado como dois e dois
carcarááááá
eu uivo
eu guincho
relincho
carece ter coragem e coração
já sei
já sei
meu uivo guincho relincho sem direção
sigo queimando em febre
em amor saudades e o que mais vier me azucrinar
domingo, junho 12, 2011
about whisky
se arrumou, se enfeitou
(percebeu que era pra ele)
os fios invisíveis da cidade os conectou na noite fria.
(percebeu que era pra ele)
os fios invisíveis da cidade os conectou na noite fria.
quarta-feira, junho 01, 2011
a moira
Escrever sublimar
Escrever entender
Escrever elaborar
Meu pensamento passa pelas palavras lançadas na tela
Encher a cara de vinho
Sozinha
É não pensar?
Ou é sentir tudo mais mais mais
Tenho 10ml de vinho pra me embebedar
Não basta
Tenho natureza melancólica
Tenho beleza na melancolia
Mas sei ser alegre
Sei ser forte
Às vezes é só escolha, mesmo. De colocar For no One do Caetano me embebedar com 10ml de vinho e fumar. E escrever, claro.
Se eu pudesse escolher, eu teria sido na outra encarnação uma poetisa, do romantismo, das tabernas, do vinho e do absinto sinto, sinto muito.
Eu sinto, sinto muito se eu sinto muito.
Eu teria sido uma mulher que anda na companhia dos homens. Dos pintores. E eu escolhia sair com eles pelas noites de paris, sei lá porque paris, mas poderia ser também outro país, outra cidade cheia de história, cheia de clima, cheia de outono. Eu escolheria passear pelos parques, livre. E me envolver com os homens sem me envolver. Sabe como é? Eu sei. Só eu sei. Não, quanto pretensão! Muitos sabem como é. Me envolvendo até o ultimo fio de cabelo, até o último pelo pubiano, sem envolver... alma. Não! Alma envolve sempre, eu envolvo, sempre. Então eu me enganaria, fingindo não me envolver, tratando com banalidade, com cotidianidade. E aquilo ficaria ecoando tanto que eu nem me daria conta e um dia aquilo explode em sonho, em desejo, em vontade de...É sempre assim que começa e sempre assim que acaba. Eu me apaixono. Eu me atraio. Me atrapalho. E daí eu estava tentando mudar o destino, a moira, a maldição que jogaram na minha cabeça, no meu corpo, meu sexo. Eu estava tentando com força. Mas essas coisas parece que nem a força controla. Ou controla? E eu é que não deixo, eu é que quero, sim, me envolver e...Sou eu que escolho? Ou meu corpo? Mas meu corpo sou eu, não?
E agora, terminados os mililitros do vinho eu partiria pra cerveja. Gelada cerveja na noite fria. Fantasmagórica. O vizinho ouve Janis Joplin e eu e meu Caetano de sempre.
Não sei se é ele quem me atrai ou é a minha necessidade de sempre me apaixonar, de desejar uma pessoa nova. Uma aventura. Um marinheiro.
Fugindo e procurando. Fingindo e fugindo e buscando e indo de encontro a.
Escrever entender
Escrever elaborar
Meu pensamento passa pelas palavras lançadas na tela
Encher a cara de vinho
Sozinha
É não pensar?
Ou é sentir tudo mais mais mais
Tenho 10ml de vinho pra me embebedar
Não basta
Tenho natureza melancólica
Tenho beleza na melancolia
Mas sei ser alegre
Sei ser forte
Às vezes é só escolha, mesmo. De colocar For no One do Caetano me embebedar com 10ml de vinho e fumar. E escrever, claro.
Se eu pudesse escolher, eu teria sido na outra encarnação uma poetisa, do romantismo, das tabernas, do vinho e do absinto sinto, sinto muito.
Eu sinto, sinto muito se eu sinto muito.
Eu teria sido uma mulher que anda na companhia dos homens. Dos pintores. E eu escolhia sair com eles pelas noites de paris, sei lá porque paris, mas poderia ser também outro país, outra cidade cheia de história, cheia de clima, cheia de outono. Eu escolheria passear pelos parques, livre. E me envolver com os homens sem me envolver. Sabe como é? Eu sei. Só eu sei. Não, quanto pretensão! Muitos sabem como é. Me envolvendo até o ultimo fio de cabelo, até o último pelo pubiano, sem envolver... alma. Não! Alma envolve sempre, eu envolvo, sempre. Então eu me enganaria, fingindo não me envolver, tratando com banalidade, com cotidianidade. E aquilo ficaria ecoando tanto que eu nem me daria conta e um dia aquilo explode em sonho, em desejo, em vontade de...É sempre assim que começa e sempre assim que acaba. Eu me apaixono. Eu me atraio. Me atrapalho. E daí eu estava tentando mudar o destino, a moira, a maldição que jogaram na minha cabeça, no meu corpo, meu sexo. Eu estava tentando com força. Mas essas coisas parece que nem a força controla. Ou controla? E eu é que não deixo, eu é que quero, sim, me envolver e...Sou eu que escolho? Ou meu corpo? Mas meu corpo sou eu, não?
E agora, terminados os mililitros do vinho eu partiria pra cerveja. Gelada cerveja na noite fria. Fantasmagórica. O vizinho ouve Janis Joplin e eu e meu Caetano de sempre.
Não sei se é ele quem me atrai ou é a minha necessidade de sempre me apaixonar, de desejar uma pessoa nova. Uma aventura. Um marinheiro.
Fugindo e procurando. Fingindo e fugindo e buscando e indo de encontro a.
terça-feira, maio 31, 2011
brainstorm
meyerhold, susanne linke, sayonara pereira, berlim, em mil em mim, sola, osso duro de roer, espaço - página em branco, minha tinta é meu corpo quem pinta, contando uma história de mulher, parto doído, nasci, pari um homem barbado, chupado, sugado, a cena do meu filme particular há quase um ano na avenida paulista. meu material minha letra. rascunho. no final, entram em cena 200 mulheres, como em Lorca. 200 mulheres. E um homem.
"mas se não saio dessa, sufoco".
"mas se não saio dessa, sufoco".
quarta-feira, maio 18, 2011
work in progress
uma só. sozinha. sola. no canto do palco, vestido de balé preto, sentada numa cadeira. preta. cabelo curto. varal de papéis antigos, cartas, mofo.
cocorosie. dança da bailarina triste. "quero gritar pro mundo: NASCI". acendem as luzes. movimento desenfreado de parto parindo pedaços de flor destroçada. chora ri. visto a camisa de homem. "te tiro filho e te tomo mulher. te bebo, ingiro, indigna do posto mãe. mas me esforço - talvez com mãos delicadas demais pra me chamar mulher - por recompensar a tua orfandade". põe tira camisa, joga, amassa, veste, transforma.
entra um homem em cena. ele e ela dançam, de costas, sem nunca mostrar o rosto. o homem sai e não volta mais. uma só. sozinha. sola. anuncia: "do meu filme particular. Cena de filme. Começa com ele me dando um livro do artaud de presente."
no mais, de agora é só.
cocorosie. dança da bailarina triste. "quero gritar pro mundo: NASCI". acendem as luzes. movimento desenfreado de parto parindo pedaços de flor destroçada. chora ri. visto a camisa de homem. "te tiro filho e te tomo mulher. te bebo, ingiro, indigna do posto mãe. mas me esforço - talvez com mãos delicadas demais pra me chamar mulher - por recompensar a tua orfandade". põe tira camisa, joga, amassa, veste, transforma.
entra um homem em cena. ele e ela dançam, de costas, sem nunca mostrar o rosto. o homem sai e não volta mais. uma só. sozinha. sola. anuncia: "do meu filme particular. Cena de filme. Começa com ele me dando um livro do artaud de presente."
no mais, de agora é só.
terça-feira, maio 10, 2011
é viver esse sobe e desce dentro da minha barriga
lidar com esse monte de nãos metralhadora de nãos ratatatatatatataNÃÃÃÔÔÔ
e uns sins grandes, de mudar o rumo
mudo tudo constante e inconstantemente
mudo todo dia, tudo um pouco
mudo o cabelo como quem bebe um copo dágua
dentro muda. as vísceras cresem, encolhem
minha cabeça esquece
aprende
decora
escuto coisas
acordo chorando
ou rindo no meio da madrugada
falo russo dormindo
leio um livro pela metade
escovo os dentes rápido pra me livrar
ando de carro
pego trânsito
faço testes
sinto-me em um laboratório. muitas vezes a vida parece um.
de vários tipos de testes.
de sins e nãos.
lidar com esse monte de nãos metralhadora de nãos ratatatatatatataNÃÃÃÔÔÔ
e uns sins grandes, de mudar o rumo
mudo tudo constante e inconstantemente
mudo todo dia, tudo um pouco
mudo o cabelo como quem bebe um copo dágua
dentro muda. as vísceras cresem, encolhem
minha cabeça esquece
aprende
decora
escuto coisas
acordo chorando
ou rindo no meio da madrugada
falo russo dormindo
leio um livro pela metade
escovo os dentes rápido pra me livrar
ando de carro
pego trânsito
faço testes
sinto-me em um laboratório. muitas vezes a vida parece um.
de vários tipos de testes.
de sins e nãos.
quinta-feira, abril 07, 2011
criar um solo é:
sola de sapato dura de mastigar
soleira da porta com fresta de luz entrando por baixo
cheiro de incenso
música do satie
medite um pouco
depois durma
acorde,
crie
pule
gire
grite
questione se você está sã ou se já enlouqueceu há um tempão mas só se deu conta agora
não tenha vergonha de si mesma - a sua pior inimiga, sempre.
o resto eu vou descobrindo e contando no caminhar.
sola de sapato dura de mastigar
soleira da porta com fresta de luz entrando por baixo
cheiro de incenso
música do satie
medite um pouco
depois durma
acorde,
crie
pule
gire
grite
questione se você está sã ou se já enlouqueceu há um tempão mas só se deu conta agora
não tenha vergonha de si mesma - a sua pior inimiga, sempre.
o resto eu vou descobrindo e contando no caminhar.
quinta-feira, março 24, 2011
quarta-feira, março 16, 2011
Falar sobre a mulher é deixar que eu escreva livremente
Que eu disserte sobre qualquer assunto
Que eu me assuste
Que me arrebate
Feminino é soltar o verbo
Datilografar baixinho
Chorar no escuro da cama da casa dos pais
São meus dedos de mulher que me guiam
É meu corpo
É o que há de natural em mim: ser mulher
Não preciso que me peçam para falar sobre as mulheres
Tudo que eu disser estará atrelado absolutamente ao fato de eu o ser
Não há dissociação entre meu ser e o ser mulher
Tudo que eu escrever
Tudo que pronunciar
A tudo o que me render
Tudo que eu encarar
Tudo tudo tudo
Parte desta mulher que vos canta
encontrei este texto nos meus arquivos e não me lembro quando e nem se fui eu mesma que o escrevi. mas me identifico com ele e por me conhecer minimamente desconfio mesmo de que sou sua autorA.
Que eu disserte sobre qualquer assunto
Que eu me assuste
Que me arrebate
Feminino é soltar o verbo
Datilografar baixinho
Chorar no escuro da cama da casa dos pais
São meus dedos de mulher que me guiam
É meu corpo
É o que há de natural em mim: ser mulher
Não preciso que me peçam para falar sobre as mulheres
Tudo que eu disser estará atrelado absolutamente ao fato de eu o ser
Não há dissociação entre meu ser e o ser mulher
Tudo que eu escrever
Tudo que pronunciar
A tudo o que me render
Tudo que eu encarar
Tudo tudo tudo
Parte desta mulher que vos canta
encontrei este texto nos meus arquivos e não me lembro quando e nem se fui eu mesma que o escrevi. mas me identifico com ele e por me conhecer minimamente desconfio mesmo de que sou sua autorA.
segunda-feira, março 07, 2011
visitinha
hoje me visitei.
eu tinha dezenove anos, muita ingenuidade, muita vontade e acreditava muito. nada disso mudou. eu tinha cabelo mais comprido, eu andava da estação de trem pelas ruas de paralelepípedo de santa terezinha até chegar na pça rui barbosa sem número. onde está a escola livre.
hoje eu tive dezenove anos, cheguei meio perdida ali na porta do galpão, onde estava tendo uma aula de circo do milan e perguntei pros que estavam ali treinando acrobacias num dia quente de janeiro se ali era a escola livre. "é aqui, mas a entrada é por ali".
então por ali eu entrei pra fazer a minha inscrição no núcleo de formação de atores. e não saí nunca mais.
então eu hoje, 24 anos, peguei meu carro vermelho todo estropiado e atravessei a cidade e cheguei em santo andré, que hoje pareceu mais longe do que quando eu fazia o mesmo trajeto todos os dias. e cada lombada me arrepiou. cada farol e curva da avenida do estado me trouxe um fragmento de memória. quando cheguei perto da escola livre me arrepiei inteira. me pareceu que o tempo é uma coisa muito louca mesmo. que tinha uma eu ali, dezenove anos, ingênua e deslumbrada com a escola, vivendo ao mesmo tempo que essa eu de hoje, 24 anos, nostálgica. ali, saltitando, ali caminhando, ali dançando, cantando, vivendo, vivendo muito intensamente todos aqueles dias. eu me vi, me senti, arrepiei, lembrei de situações tantas. tanta história minha presa ali dentro. eu ali dentro, presa no tempo, nas paredes pichadas e a escola quase desabando de tão abandonada que está pela prefeitura podre. hoje eu tive a sensação cristalina de que o tempo não é linear coisa nenhuma e que eu posso tranquilamente conviver com uma outra eu que existe tanto quanto essa eu que vos escreve. existo ali na elt, onde num dia ensolarado entrei pra nunca mais, pro resto da minha vida, sair.
eu tinha dezenove anos, muita ingenuidade, muita vontade e acreditava muito. nada disso mudou. eu tinha cabelo mais comprido, eu andava da estação de trem pelas ruas de paralelepípedo de santa terezinha até chegar na pça rui barbosa sem número. onde está a escola livre.
hoje eu tive dezenove anos, cheguei meio perdida ali na porta do galpão, onde estava tendo uma aula de circo do milan e perguntei pros que estavam ali treinando acrobacias num dia quente de janeiro se ali era a escola livre. "é aqui, mas a entrada é por ali".
então por ali eu entrei pra fazer a minha inscrição no núcleo de formação de atores. e não saí nunca mais.
então eu hoje, 24 anos, peguei meu carro vermelho todo estropiado e atravessei a cidade e cheguei em santo andré, que hoje pareceu mais longe do que quando eu fazia o mesmo trajeto todos os dias. e cada lombada me arrepiou. cada farol e curva da avenida do estado me trouxe um fragmento de memória. quando cheguei perto da escola livre me arrepiei inteira. me pareceu que o tempo é uma coisa muito louca mesmo. que tinha uma eu ali, dezenove anos, ingênua e deslumbrada com a escola, vivendo ao mesmo tempo que essa eu de hoje, 24 anos, nostálgica. ali, saltitando, ali caminhando, ali dançando, cantando, vivendo, vivendo muito intensamente todos aqueles dias. eu me vi, me senti, arrepiei, lembrei de situações tantas. tanta história minha presa ali dentro. eu ali dentro, presa no tempo, nas paredes pichadas e a escola quase desabando de tão abandonada que está pela prefeitura podre. hoje eu tive a sensação cristalina de que o tempo não é linear coisa nenhuma e que eu posso tranquilamente conviver com uma outra eu que existe tanto quanto essa eu que vos escreve. existo ali na elt, onde num dia ensolarado entrei pra nunca mais, pro resto da minha vida, sair.
domingo, março 06, 2011
inventare
restam tres horas pra dormir até que chegue a hora de acordar amanhã. hoje.
resta uma vida pra viver
mas que não chega nunca!
cadê?
a vida é que me molda num sapato apertado - não eu que a invento.
quem sabe inventar a própria vida?
que eu saiba, os artistas
ou os religiosos
os monges
os gurus
os padres
esses inventam uma outra vida
agora eu
(e uma enorme parte da população)
tenho vivido uma coisa que me espreme, aperta, machuca
uma coisa de se vira no que der pra poder pagar o aluguel no fim do mês
uma coisa garçonete de restaurante perda de tempo de vida de alma
cadê meu combustível, minha vida?
"vida minha vida
olha o que é que eu fiz
deixei a fatia mais doce da vida
na mesa dos homens
de vida vazia..."
assim não quero não dá não tem jeito
vou inventar que posso sair deste trabalho e começar a trabalhar no meu mais novo projeto para o qual dedicarei minha alma inteira e parte do meu corpo. e minha voz.
vou reinventar essa vida que sempre foi a que experimentei até chegar neste ponto morto de bater cartão. bater cabeça. dar murro em ponta de faca. nó em pingo d'água. correr atrás do próprio rabo.
inventei para mim uma prisão com casa marido comida na geladeira trabalho com carteira assinada. e quero desinventar tudo isso agora já. estalar os dedos e ser automaticamente transportada para uma sala escura, sem som, com os meus eleitos para criarem comigo esta nova vida que eu ainda vou viver. no palco. e na coxia.
resta uma vida pra viver
mas que não chega nunca!
cadê?
a vida é que me molda num sapato apertado - não eu que a invento.
quem sabe inventar a própria vida?
que eu saiba, os artistas
ou os religiosos
os monges
os gurus
os padres
esses inventam uma outra vida
agora eu
(e uma enorme parte da população)
tenho vivido uma coisa que me espreme, aperta, machuca
uma coisa de se vira no que der pra poder pagar o aluguel no fim do mês
uma coisa garçonete de restaurante perda de tempo de vida de alma
cadê meu combustível, minha vida?
"vida minha vida
olha o que é que eu fiz
deixei a fatia mais doce da vida
na mesa dos homens
de vida vazia..."
assim não quero não dá não tem jeito
vou inventar que posso sair deste trabalho e começar a trabalhar no meu mais novo projeto para o qual dedicarei minha alma inteira e parte do meu corpo. e minha voz.
vou reinventar essa vida que sempre foi a que experimentei até chegar neste ponto morto de bater cartão. bater cabeça. dar murro em ponta de faca. nó em pingo d'água. correr atrás do próprio rabo.
inventei para mim uma prisão com casa marido comida na geladeira trabalho com carteira assinada. e quero desinventar tudo isso agora já. estalar os dedos e ser automaticamente transportada para uma sala escura, sem som, com os meus eleitos para criarem comigo esta nova vida que eu ainda vou viver. no palco. e na coxia.
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
uma tempestade se arma
vou descer o morro pra cair no mar
que nesta vida que escolhi, não escolhi ser platéia
cansei de só ficar olhando, também quero me molhar
é aí que o céu desce ao chão
e todos encharcados dançam dentro de seus carros com vidro embaçado, parabris na velocidade máxima e ninguém arrisca
ninguém arrisca nada nesta cidade
nem 10 centavos
risco zero
eu estou arriscada naturalmente
fui pro lugar não confortável e to tendo que rebolar
mas agora preciso apontar pra direção correta e lançar minha flecha de diana paulistana atriz whatever século 21 internet rua cidade ácida casa nova
amanhã é cedo e muito cedo eu vou pirar.
evoé.
vou descer o morro pra cair no mar
que nesta vida que escolhi, não escolhi ser platéia
cansei de só ficar olhando, também quero me molhar
é aí que o céu desce ao chão
e todos encharcados dançam dentro de seus carros com vidro embaçado, parabris na velocidade máxima e ninguém arrisca
ninguém arrisca nada nesta cidade
nem 10 centavos
risco zero
eu estou arriscada naturalmente
fui pro lugar não confortável e to tendo que rebolar
mas agora preciso apontar pra direção correta e lançar minha flecha de diana paulistana atriz whatever século 21 internet rua cidade ácida casa nova
amanhã é cedo e muito cedo eu vou pirar.
evoé.
terça-feira, fevereiro 08, 2011
museu de mim
Mudar de casa é ir de encontro ao futuro desconhecido e, ao mesmo tempo, dar de cara com o passado guardado nas caixas, mofado, nas letras borradas das cartas que guardo há anos e anos e anos. É me encontrar nas coisas que nunca consegui jogar fora. É me desfazer de pedaços de mim que vão deixando de fazer sentido, deixando de me acompanhar. É começar do zero, mas com caixas e caixas de passado lacrado ali, e que não jogo fora nem a pau. Que nem olho, nem preciso, mas sei que estão ali. Me segurando. Me formando. Desapegar é tarefa árdua porque é abrir mão do que a gente já não é mas quer continuar sendo - porque é seguro, afinal de contas. Minhas fotos, meus 57 caderninhos com escritos de todas as fases da minha vida, as cartas que mandaram para mim desde meus 0 anos de idade, os ingressos das peças e shows mais marcantes, os bilhetes das viagens tantas, os presentes de todos os ex namorados, as cartas de amor, as pessoas que fizeram parte e que hoje eu nem sei onde vivem, os objetos que fui acumulando, as coleções de isqueiros que não funcionam, de fitas de cetim, de roupas de bolinha, os figurinos, as roupas que não servem, os sapatos fodidos - ufa - toneladas de passado. Passado pesado! Carrego tudo como se um dia fosse fazer um museu de mim mesma. Como se fosse um atestado de: "Ó, vivi", ou, "Ó, não passei a vida em branco" - os documentos comprovam que viajei, que amei, que trabalhei e estudei. Coisa maluca essa de mudar. E essa de não querer largar o osso. Isso é neurose séria que tem que ser tratada com muita terapia. Apego à matéria.
E se eu jogasse tudo isso fora?
Continuaria sendo a mesma sofia?
E se tudo isso que cultivei por anos e anos e que me dei ao trabalho de guardar e transportar e cuidar bem - isso tudo fosse pro lixo? Sobreviveria, eu?
Penso que minha casa nova merece uma nova eu. Livre desses mofos. Livre do passado. Da que fui. Mas me conheço o suficiente pra saber que não tenho coragem de jogar o passado no lixo.
E se eu jogasse tudo isso fora?
Continuaria sendo a mesma sofia?
E se tudo isso que cultivei por anos e anos e que me dei ao trabalho de guardar e transportar e cuidar bem - isso tudo fosse pro lixo? Sobreviveria, eu?
Penso que minha casa nova merece uma nova eu. Livre desses mofos. Livre do passado. Da que fui. Mas me conheço o suficiente pra saber que não tenho coragem de jogar o passado no lixo.
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
espremida
o que me trouxe para esta tela em branco virtual as 3 e 40 da manhã foi um pensamento que me tomou no curto trajeto entre o estacionamento e a minha casa. pensei assim:
se o meu carro, neste momento, representasse algo maior e mais representativo meu - tipo a minha alma - hoje, seria algo beirando (ou mergulhando) o desastroso. Se meu carro representasse algo como o quadro do Dorian Gray que vai envelhecendo e apodrecendo de acordo com tudo de ruim que ele faz na vida, enquanto ele não envelhece jamais.
Resumindo todo esse aparente nonsense:
há oito meses não lavo o meu carro
há dois a capinha do espelhinho caiu
há muitos há batidas em toda a sua volta
e por último:
ontem fui espremida num engavetamento e meu carro está mais amassado que nunca
toda essa situação não pode ser encarada como um simples acaso, uma mera coincidência. isso quer dizer algo.
mostra como (não) cuido do que é meu. como não valorizo. não preservo. não amo.
tudo isso me deixou um pouco preocupada com meu modo de viver esta vida.
se o meu carro, neste momento, representasse algo maior e mais representativo meu - tipo a minha alma - hoje, seria algo beirando (ou mergulhando) o desastroso. Se meu carro representasse algo como o quadro do Dorian Gray que vai envelhecendo e apodrecendo de acordo com tudo de ruim que ele faz na vida, enquanto ele não envelhece jamais.
Resumindo todo esse aparente nonsense:
há oito meses não lavo o meu carro
há dois a capinha do espelhinho caiu
há muitos há batidas em toda a sua volta
e por último:
ontem fui espremida num engavetamento e meu carro está mais amassado que nunca
toda essa situação não pode ser encarada como um simples acaso, uma mera coincidência. isso quer dizer algo.
mostra como (não) cuido do que é meu. como não valorizo. não preservo. não amo.
tudo isso me deixou um pouco preocupada com meu modo de viver esta vida.
segunda-feira, janeiro 10, 2011
trovoada
assim,
o tempo passa
e isso apavora.
mas o tempo também é remédio santo
pra esquecer
ou relembrar
pra perder
reencontrar
pra costurar ferida aberta ou pra dar nó na memória: nada melhor que o tempo
esse caminhãozão que não para jamé
ontem a noite me olhei no espelho do banheiro e senti arrepio na alma de medo do tempo. me vi nova mas me pensei velha. me pensei no fim da vida. me pensei morta. e caiu lágrima do olho e doeu a cabeça de pensar que nessa vida a gente morre e não tem jeito não tem remédio que evite. morre e pronto.
e depois fugi do espelho com medo dos pensamentos que me atingiram feito relâmpago.
cabuuum
o tempo passa
e isso apavora.
mas o tempo também é remédio santo
pra esquecer
ou relembrar
pra perder
reencontrar
pra costurar ferida aberta ou pra dar nó na memória: nada melhor que o tempo
esse caminhãozão que não para jamé
ontem a noite me olhei no espelho do banheiro e senti arrepio na alma de medo do tempo. me vi nova mas me pensei velha. me pensei no fim da vida. me pensei morta. e caiu lágrima do olho e doeu a cabeça de pensar que nessa vida a gente morre e não tem jeito não tem remédio que evite. morre e pronto.
e depois fugi do espelho com medo dos pensamentos que me atingiram feito relâmpago.
cabuuum
quinta-feira, dezembro 23, 2010
quarta-feira, dezembro 15, 2010
Volvi
é como se eu nunca tivesse ido
é como se minha vida tivesse ficado suspensa por 4 meses e agora eu desapertei o pause. mas a sensação é de que voltei pro mesmo ponto em que tinha parado o dvd.
móvel casa cama mesa chuveiro rua calçada prédio elevador trânsito chuva caos são são são paulo a mil natal desenfreado consumo absoluto.
volvi
com o cabelo mais curto
com fotos na camera na retina e na cabeça
com ingressos e bilhetes de metro guardados na carteira
com euros pra trocar
com a cabeça meio lá, voltei com o corpo pra cá
com línguas que se confundem na boca
volvi
e é tão bom ir e tão bom voltar e tão difícil os dois
Mas aqui estou e aqui vou ter que reaprender a ficar
e ver o que faço com tudo isso que tá aqui
é como se eu nunca tivesse ido
é como se minha vida tivesse ficado suspensa por 4 meses e agora eu desapertei o pause. mas a sensação é de que voltei pro mesmo ponto em que tinha parado o dvd.
móvel casa cama mesa chuveiro rua calçada prédio elevador trânsito chuva caos são são são paulo a mil natal desenfreado consumo absoluto.
volvi
com o cabelo mais curto
com fotos na camera na retina e na cabeça
com ingressos e bilhetes de metro guardados na carteira
com euros pra trocar
com a cabeça meio lá, voltei com o corpo pra cá
com línguas que se confundem na boca
volvi
e é tão bom ir e tão bom voltar e tão difícil os dois
Mas aqui estou e aqui vou ter que reaprender a ficar
e ver o que faço com tudo isso que tá aqui
domingo, novembro 28, 2010
San Giuliano Terme
Que hoje conheci a cidade do meu tataravo, perdida entre Pisa e Lucca, a linda e picolina San Giuliano Terme. Debaixo de uma chuva incessante, insistente, jogamos um pedaço recolhido de seu tumulo no Cemiterio do Araça, em Sao paulo, no rio de San Giuliano terme. Trouxemos de volta à cidade natal de Luigi Carlo Carli, um pedaço dele, que morreu no Brasil aos 40 e poucos anos, com um estilhaço de granada na revoluçao de 32, em frente a seu açougue. Tarde chuvosa e fria de encontro com meus antepassados. De agradecer, porque è s'o por causa deles que estou aqui. Grazie mile, Luigi!
terça-feira, novembro 23, 2010
Procura-se:
Mulher
elétrica mansa, 24.
microondas neuronios
pane no fio de cabelo
VOLTAGEM 110 / fumante
a prova d'água
nao solúvel, solucionável
produto frágil: entorna.
Procura homem
forninho elétrico usado sujo de gordura, raspas de queijo gratinado, de bandeja.
de lambuzar.
migalhas de bolacha cream craker murcha no fundo do armário
com prazo de validade vencida - iogurte semi aberto na geladeira
pago bem, cubro qualquer oferta.
call
me
domingo, novembro 14, 2010
sábado, novembro 06, 2010
La mére

Há um oceano entre eu e meu mundo
Há um oceano entre eu e o meu amor
Há um maldito oceano entre eu e o tempo
Há um puto de um oceano entre eu e aquilo que sobrou de mim
Há um puta de um marzao
Há um oceano infinito
Há um tempo que nao acaba, tanta água, lonjura áspera, cava caixa de memória, revira osso, tumba, turbilhao.
Nada, rema, navega, bóia.
Corre, naufraga, respira, recomeça.
Espera. Espera. Passa.
Arde - assopra. Seca - molha. Toma. Come. Come. Come chocolates, minha filha. Pinica, coça, retorce. Chuva ácida, vento frio, rua, castelo, igreja, ingles. Bratislava Cracóvia. Polonia triste, em preto e branco. Auschwitz tanta dor. Bratislava pobre, barata, cidadinha zero a esquerda.
Noite de sonhos fortes no trem. Noite na caminha dura do trem, o som dos trilhos, som de ferro, sonhos de estrada, de idas e voltas e idas de novo.
E nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca chega. Essa é a graça, agora. Está no ir.
E para de pensar, para de querer, para de doer. Para de reclamar.
...
Tanto mar tanto mar
Sei também como é preciso, pá, navegar, navegar...
Canta primavera, pá!
Cá estou carente
Manda novamente algum cheirinho de alecrim
sábado, outubro 30, 2010
barcelonesa
Cigarro entre os dedos
Maconha na cabeça
Pizza no estomago
Barcelona lá embaixo da varanda do ap da Dorinha
e aqui em cima
no oitavo
(ou átimo, em catalao)
estou eu e só
eu e o cigarro e a maconha e os dois peixes dourados e a tartaruguinha de água que sobrevive com um abajur forjando o seu habitat natural
E eu que nao tenho mais habitat natural
Estou aqui há dois dias e nao vi quase nada da cidade
estive trancafiada gravando um curta metragem com espanhóis, tendo que decorar textos em castelhano (!)
DE fato, estava um pouco cansada de só ver cidades. Agora é bom criar essa mini rotininha que vai durar só dois dias. Depois volto pra maré desrotinada que é a viagem. Que vai e vem. E nao sai de mim, nao sai. Nao acabo de viajar. Navego. Vivo dia a dia. Cada um deles. Devorando o tempo e sendo devorada por ele. Que nao me decifra, mas me devora.
Ahora voy dormir en la cama de dorinha e sonhar suenhos em catalan.
Maconha na cabeça
Pizza no estomago
Barcelona lá embaixo da varanda do ap da Dorinha
e aqui em cima
no oitavo
(ou átimo, em catalao)
estou eu e só
eu e o cigarro e a maconha e os dois peixes dourados e a tartaruguinha de água que sobrevive com um abajur forjando o seu habitat natural
E eu que nao tenho mais habitat natural
Estou aqui há dois dias e nao vi quase nada da cidade
estive trancafiada gravando um curta metragem com espanhóis, tendo que decorar textos em castelhano (!)
DE fato, estava um pouco cansada de só ver cidades. Agora é bom criar essa mini rotininha que vai durar só dois dias. Depois volto pra maré desrotinada que é a viagem. Que vai e vem. E nao sai de mim, nao sai. Nao acabo de viajar. Navego. Vivo dia a dia. Cada um deles. Devorando o tempo e sendo devorada por ele. Que nao me decifra, mas me devora.
Ahora voy dormir en la cama de dorinha e sonhar suenhos em catalan.
segunda-feira, outubro 25, 2010
nao tem nada mais bonito que as luzes noturnas desta Toulouse singela e divina nas suas ruinhas medievais, nas igrejas grandiosas, na ponte nova mas que é velha muito velha, no seu rio imenso. bom mesmo é andar por essa cidadela a esmo, pairando como as gaivotas aqui do rio, sentindo o vento gelar o rosto e, depois de um tempao vagando, parar para tomar um café quentinho com leite no bistrot pequeno da esquina. Vive Toulouse!
domingo, outubro 24, 2010
dias de fúria

Marseille, 23 de outubro de 2010
a lua cheia me sobe a cabeça
mexe com as minhas marés
todos os meus líquidos entramemebuliçao
(((panela de pressao prestes a explodir)))
impressionante a relaçao -direta- que existe entre a lua e as mulheres e isso nao é misticismo, astrologia, calendário maia, tarot - NAO - isso é coisa que acontece aqui dentro de mim mulher, bem aqui, eu sinto uma cólera, um tesao, uma vontade de matar, de morrer, um mau humor, tudo exatamente junto. tudo ao mesmo tempo agora. j'a fui mulher eu sei.
vontade de sair correndo pelas ruas incendiadas de marseille.
vontade de atar fogo nas pilhas de lixo que cobrem a cidade nesta greve junto com os moradores daqui. e deixar queimar.
burn burn burn.
e jogar todos os meus dramas na fogueira.
os meus,
dos meus antepassados,
dos grevistas,
dos aposentados da frança e de todo o mundo.
(este velho mundo que naufraga, lentamente)
e se eu me aproximasse do mar nesta noite? sob esta lua, nesta cidade portuária decadente? se eu mergulhasse em suas águas geladas? neste mar mediterraneo... me entregar. quem me resgataria?
nao.
nem fogo
nem mar.
agora é só esperar passar.
gostei de voce, marseille.
voce é muito maluca.
nao por acaso, foi aqui que nasceu nosso Antonin Artaud.
ele vinha sem muita conversa sem muito explicar
eu só sei que falava cheirava e gostava de mar
sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
e minha mae se entregou a este homem perdidamente
ele assim como veio partiu nao se sabe pra onde
e deixou minha mae com um olhar cada dia mais longe
esperando parada pregada na pedra do porto
com seu único velho vestido cada dia mais curto
'Minha História' - Chico Buarque
quinta-feira, outubro 21, 2010
de Marseille
PROCUREI INTENCIONALMENTE matar três urubus de fome e de sede no prédio da Bienal de São Paulo. Pus ali imensas latas cheias de tinta escura, para que se afogassem, além de espelhos, para que batessem a cabeça durante o voo. Construí túneis de areia preta, para que entrassem sem conseguir sair, morrendo ali dentro. E, para forçá-los a voar, costumo lançar rojões em sua direção.
Nuno Ramos
é como os homens
urubuzentos
semi mortos
sendo jogados pra todos os lados
keep walking
move
go
work
make money
fuck yourself
kill yourself with work without money
túneis e sequestros
e escuridoes e putrefaçao
.
o fato é que hoje eu daria tudo para estar em outro lugar que nao aqui e agora
quando o melhor lugar do mundo nao é aqui e agora
pior sensaçao que pode existir (é como se eu fosse um urubu na gaiola)
uma rua sem saída
o tempo espaço pode ser tao aprisionador as vezes!
o fato é que tenho ganas de voltar
para minha cidade meu amor meus amigos minha vida meu trabalho
sinto falta pulando dentro do peito da barriga do cérebro
as saudades estao impregnadas, enraizadas, atracadas em mim
as saudades que a esta altura se instalaram e nao querem mais sair - nao há o que as arranque daqui
o fato é que gosto demais da minha vida na minha cidade
ou gostava (nao sei mais se ela será a mesma)
pode ser que nao seja mais, nunca mais, aquela vida que eu vivi na minha cidade
e é melhor que seja diferente mesmo
que quando eu chegue algo tenha mudado
ou eu ou o mundo
ou algo no meu quarto
um cabelo branco na cabeça de uma amiga
um chupao no pescoço do meu namorado
um ladrilho novo quebrado no chao da cozinha
um bar novo na sao luís
uma linha de metro que ficou pronta
será que o sesc belenzinho já abriu?
será que a dilma será eleita?
será que minha cama estará desarrumada?
como meu pai engordou!
meu irmao transformou meu quarto num atelie
meu carro estará com novas batidas?
meu celular voltará a funcionar com o mesmo número?
alguém regou as plantas?
quem usou as minhas roupas?
uma lacuna maior
o vao que separa minha janela do mundo aumentou
os quadros estao escorregando na parede
meus pés nao cabem nestes sapatos
como a cidade está feia!
já nem me lembrava deste vestido
nao preciso de tanta roupa!
quem é voce mesmo, aqui no meu quarto, nu na minha cama?
quero meu lençol de florzinhas
quero meu banheiro
quero me trancar no quarto com voce e nao sair nunca mais
e procurar no seu corpo as marcas novas
e te mostrar meus quilinhos a mais
e contar meus segredos minhas histórias do além mar
meus ingressos que guardei das exposiçoes das peças dos shows dos metros
minha coleçao de isqueiros de cada país
e as moedas
e os presentes
e as roupas novas
e meu cabelo raspado
e minha cara e meu jeito que nao mudam
que medo de encontrar tudo igual cada canto cada enfeite cada voz cada música
que medo de nao te encontrar nunca mais
que nó
quero dormir e voltar a lembrar dos meus sonhos
bonne nuit, marseille.
Nuno Ramos
é como os homens
urubuzentos
semi mortos
sendo jogados pra todos os lados
keep walking
move
go
work
make money
fuck yourself
kill yourself with work without money
túneis e sequestros
e escuridoes e putrefaçao
.
o fato é que hoje eu daria tudo para estar em outro lugar que nao aqui e agora
quando o melhor lugar do mundo nao é aqui e agora
pior sensaçao que pode existir (é como se eu fosse um urubu na gaiola)
uma rua sem saída
o tempo espaço pode ser tao aprisionador as vezes!
o fato é que tenho ganas de voltar
para minha cidade meu amor meus amigos minha vida meu trabalho
sinto falta pulando dentro do peito da barriga do cérebro
as saudades estao impregnadas, enraizadas, atracadas em mim
as saudades que a esta altura se instalaram e nao querem mais sair - nao há o que as arranque daqui
o fato é que gosto demais da minha vida na minha cidade
ou gostava (nao sei mais se ela será a mesma)
pode ser que nao seja mais, nunca mais, aquela vida que eu vivi na minha cidade
e é melhor que seja diferente mesmo
que quando eu chegue algo tenha mudado
ou eu ou o mundo
ou algo no meu quarto
um cabelo branco na cabeça de uma amiga
um chupao no pescoço do meu namorado
um ladrilho novo quebrado no chao da cozinha
um bar novo na sao luís
uma linha de metro que ficou pronta
será que o sesc belenzinho já abriu?
será que a dilma será eleita?
será que minha cama estará desarrumada?
como meu pai engordou!
meu irmao transformou meu quarto num atelie
meu carro estará com novas batidas?
meu celular voltará a funcionar com o mesmo número?
alguém regou as plantas?
quem usou as minhas roupas?
uma lacuna maior
o vao que separa minha janela do mundo aumentou
os quadros estao escorregando na parede
meus pés nao cabem nestes sapatos
como a cidade está feia!
já nem me lembrava deste vestido
nao preciso de tanta roupa!
quem é voce mesmo, aqui no meu quarto, nu na minha cama?
quero meu lençol de florzinhas
quero meu banheiro
quero me trancar no quarto com voce e nao sair nunca mais
e procurar no seu corpo as marcas novas
e te mostrar meus quilinhos a mais
e contar meus segredos minhas histórias do além mar
meus ingressos que guardei das exposiçoes das peças dos shows dos metros
minha coleçao de isqueiros de cada país
e as moedas
e os presentes
e as roupas novas
e meu cabelo raspado
e minha cara e meu jeito que nao mudam
que medo de encontrar tudo igual cada canto cada enfeite cada voz cada música
que medo de nao te encontrar nunca mais
que nó
quero dormir e voltar a lembrar dos meus sonhos
bonne nuit, marseille.
domingo, outubro 17, 2010
Je suis ici.
A Paris.
A Belle Paris.
Dos sonhos dos filmes dos livros. Ici. Justo aqui.
Viajando com a minha mae, pela primeira vez na minha vida, eu e ela e só. Sem os irmaos que sempre estiveram presentes em todos os momentos.
É o nosso momento. É bonito.
Ela morou aqui quando tinha 24 anos. Eu tenho 24 anos. E a gente se encontrou, na interseccao dos 24, no meio da minha viagem, um oásis, um porto seguro no meio de tudo tao incerto que vivo aqui há dois meses e meio.
É tao bom um pouco de confortável!
Está lindo. É outono, as folhas estao amarelas e eu vendo tudo pela primeira vez. está frio.
E agora eu penso em voce, voce aí, que as vezes me le. É. Voce.
E agora vou dormir.
Estou com os olhos ardendo.
Beijos e boa noite pra Paris.
E
pra
voce.
A Paris.
A Belle Paris.
Dos sonhos dos filmes dos livros. Ici. Justo aqui.
Viajando com a minha mae, pela primeira vez na minha vida, eu e ela e só. Sem os irmaos que sempre estiveram presentes em todos os momentos.
É o nosso momento. É bonito.
Ela morou aqui quando tinha 24 anos. Eu tenho 24 anos. E a gente se encontrou, na interseccao dos 24, no meio da minha viagem, um oásis, um porto seguro no meio de tudo tao incerto que vivo aqui há dois meses e meio.
É tao bom um pouco de confortável!
Está lindo. É outono, as folhas estao amarelas e eu vendo tudo pela primeira vez. está frio.
E agora eu penso em voce, voce aí, que as vezes me le. É. Voce.
E agora vou dormir.
Estou com os olhos ardendo.
Beijos e boa noite pra Paris.
E
pra
voce.
terça-feira, outubro 12, 2010
... lembrar que saí nesta saga maluca de viagem redescobrimento - uma terceiromundista, mundana de tudo, uma brasileira com amor, aqui nas zorópa de meudeus. Nesse velho mundo lindo foda complexo. Quero é me encharcar. Tenho feito. Tenho amado. E se engordo - depois emagreço. E se bebo diariamente - depois paro. E se nao trabalho agora, é porque tenho toda a vida pra isso. Agora é meu momento de viver me entregar no submarino do além mar, é preciso ir além do bojador para ir além da dor. As pessoas que conheci, as línguas que falei, os lugares onde dormi, os museus, as ruas que atravessei, as comidas que provei, os homens que amei, as mulheres que passaram por mim, as ressacas, as bebedeiras, as noites sem fim, o frio, o calor de berlim, as aulas de suadeira, a morte todos os dias nas camas cada dia uma. Que é como uma aventura hippie. Cada dia num lugar - fluindo fluindo fluindo. E que me importa as roupas sujas no fundo da mala? Que amanha nao sei onde estarei? Que me importa? Que me importa? Me importa que tudo agora é maior, mais potente, dentro de mim uma coisa grande cresce. Uma coisa de contramao de tudo. De que nao estou seguindo o que este sistema absoluto quer que eu faça eternamente: ganhando dinheiro, gerando lucro. Nao. To aqui, viajando, me nutrindo, me abastecendo. Com pessoas maravilhosas que me ensinam todos os dias, nem que seja só uma palavra nova numa língua outra. Mas aprendo sempre. E ensino também.
cambio desligo.
............
daí nosso mais-que-perfeito está desfeito.
.............
Antía es una buenissima anfitria. Me gusta su humor terrible. Las espanholas tenen mucho humor. Me encantan, todas.
y basta por hoy.
...............
cambio desligo.
............
daí nosso mais-que-perfeito está desfeito.
.............
Antía es una buenissima anfitria. Me gusta su humor terrible. Las espanholas tenen mucho humor. Me encantan, todas.
y basta por hoy.
...............
quinta-feira, outubro 07, 2010
londonlondon
a man's heart in a woman's body
...
o cabo da boa esperanca é o mesmo que o cabo das tormentas.
e de qualquer modo, atravessando-o, se chega nas Índias.
...
brincando de cantar alto na rua pra provocar os ingleses silenciosos
cantar alto e cantar em brasileiro, ainda por cima
claro que todos olharam - censurando
ou curiosos
que língua ela canta?
mas ela nem ligou, porque era tao mais forte a caçada do chico buarque
nao conheco seu nome ou paradeiro
adivinho seu rastro e cheiro
vou armado de dentes e coragem
vou morder sua carne selvagem
a fuga, o passeio, o vento, as escadas do metro,
tudo meio que contagia a gente
quando se está na vida, literalmente, só a passeio
pra cima pra baixo, mapa, rua, rostos, línguas, cerveja, objetos, comida, semáforo, corvos, esquilos e raposas
e dá uma coisa grande dentro do peito
coisa imensa
forte
sei lá que nome dar, prefiro chamar de coisa imensa
coisa que as vezes é tao boa
inexplicavelmente boa que me incendeia, que vontade de viver, de ver mais e mais, ver tudo, o mundo - tao lindo o mundo - nao preciso de mais nada, quero viver assim, navegando navegando
noutras vezes
é
coisa
silenciosa
pelas beiradas vai me deixando inteira num estado
de coisa estranha
que nao sei nomear
prefiro chamar de coisa estranha
e tudo perde um pouco o sentido
que que eu to fazendo aqui gastando em pounds comendo doce sem parar. e esse buraco que só cresce? que nao preenche? nunca?
em londres
na turquia
na conchinchina
no himalaia
na argentina
na putaqueopariu
maldito médico que me cortou o umbigo justo no dia em que respirei o ar do mundo pela primeira vez. esse médico me paga.
em pounds, claro.
...
o cabo da boa esperanca é o mesmo que o cabo das tormentas.
e de qualquer modo, atravessando-o, se chega nas Índias.
...
brincando de cantar alto na rua pra provocar os ingleses silenciosos
cantar alto e cantar em brasileiro, ainda por cima
claro que todos olharam - censurando
ou curiosos
que língua ela canta?
mas ela nem ligou, porque era tao mais forte a caçada do chico buarque
nao conheco seu nome ou paradeiro
adivinho seu rastro e cheiro
vou armado de dentes e coragem
vou morder sua carne selvagem
a fuga, o passeio, o vento, as escadas do metro,
tudo meio que contagia a gente
quando se está na vida, literalmente, só a passeio
pra cima pra baixo, mapa, rua, rostos, línguas, cerveja, objetos, comida, semáforo, corvos, esquilos e raposas
e dá uma coisa grande dentro do peito
coisa imensa
forte
sei lá que nome dar, prefiro chamar de coisa imensa
coisa que as vezes é tao boa
inexplicavelmente boa que me incendeia, que vontade de viver, de ver mais e mais, ver tudo, o mundo - tao lindo o mundo - nao preciso de mais nada, quero viver assim, navegando navegando
noutras vezes
é
coisa
silenciosa
pelas beiradas vai me deixando inteira num estado
de coisa estranha
que nao sei nomear
prefiro chamar de coisa estranha
e tudo perde um pouco o sentido
que que eu to fazendo aqui gastando em pounds comendo doce sem parar. e esse buraco que só cresce? que nao preenche? nunca?
em londres
na turquia
na conchinchina
no himalaia
na argentina
na putaqueopariu
maldito médico que me cortou o umbigo justo no dia em que respirei o ar do mundo pela primeira vez. esse médico me paga.
em pounds, claro.
terça-feira, outubro 05, 2010
Sonhos edimburguenses
sonhei com um homem bravo muito muito bravo e eu correndo de roupa vermelha e branca dizendo NAO NAO QUERO NAO QUERO NAO QUERO NAO NAO E NAO, louca histérica, nao querendo mesmo, gritava com toda a capacidade dos meus pulmoes. Me cansava, e continuava gritando. Muito. Nao sei o que eu nao queria. Mas ele gritava de volta. E uma mulher, uma matrona, uma mulher forte, firme, seca, nos observava. Ela estava e nao estava do meu lado. Depois de um tempo ela se cansava da situacao e se pronunciava. Nao sei o que ela dizia. SOnhei com o eslovaco respondendo meu bilhete. Secretly and silently. Sonhei com uma cena que eu tinha que ensaiar. Sonhei com figurinos.
quinta-feira, setembro 30, 2010
escrevo pro que der
(se vier)
uma escritora sem leitor
fazedora de palavras que saem caem
e navegam sem destino, mundao virtual adentro
sem ancorar nem fisgar ninguém
estrada afora
estrada foda
afoita
...
aqui tem raposas andando pelas ruas a noite
me assusto porque sao animais selvagens, soltos pela cidade
mas elas se assustam mais comigo do que eu com elas
porque sao selvagens
aqui venta faz frio e é a cidade mais linda que conheci até agora
aqui tem energia forte inexplicável
aqui eu ficaria mais
mas tenho que ir
estrada afora
afoita
agora
(se vier)
uma escritora sem leitor
fazedora de palavras que saem caem
e navegam sem destino, mundao virtual adentro
sem ancorar nem fisgar ninguém
estrada afora
estrada foda
afoita
...
aqui tem raposas andando pelas ruas a noite
me assusto porque sao animais selvagens, soltos pela cidade
mas elas se assustam mais comigo do que eu com elas
porque sao selvagens
aqui venta faz frio e é a cidade mais linda que conheci até agora
aqui tem energia forte inexplicável
aqui eu ficaria mais
mas tenho que ir
estrada afora
afoita
agora
segunda-feira, setembro 27, 2010
Parece que meu corpo e espírito ainda estao lá. E acho que uma parte de mim vai ficar por lá mesmo, assim como eu sei que tem uma parte de mim que já ficou em Berlim. E assim vou indo, me despedacando e deixando migalhinhas pedacos de mim em cada cantinho que elejo como meu. O resto carrego no meu cavalo, e vou colhendo flores e pedras no caminho.
domingo, setembro 26, 2010
carta a mim em noite de ventos desconhecidos
4 da manha
flor do apogeu
a lua já se escondeu
enchendo o céu de puro breu
...
Poesia va
pobre verso meu
que brota quando feneceu
...
olhou pro céu sentiu frio. ouviu que ele quase tinha se apaixonado por ela. e ela que quase se apaixonou pelo outro? e o outro se apaixonou por uma que nao ela, uma outra.
danco eu, danca voce.
...
vestiu branco e dancou oxum pra ela mesma.
...
bestiais simpáticos enérgicos sedentos
beijos,
sofia
flor do apogeu
a lua já se escondeu
enchendo o céu de puro breu
...
Poesia va
pobre verso meu
que brota quando feneceu
...
olhou pro céu sentiu frio. ouviu que ele quase tinha se apaixonado por ela. e ela que quase se apaixonou pelo outro? e o outro se apaixonou por uma que nao ela, uma outra.
danco eu, danca voce.
...
vestiu branco e dancou oxum pra ela mesma.
...
bestiais simpáticos enérgicos sedentos
beijos,
sofia
quinta-feira, setembro 23, 2010
Catártica minha festa dinamarquesa brasileira italiana espanhola argentina eslovaca inglesa.
Catártica a lua cheia de ponta cabeca.
Eu de ponta cabeca. Do outro lado do mundo, outro lado de mim e de todos.
Bebi como crianca.
Ri como uma menina maluca.
Precisei.
E foi bom assim.
E sofri depois e chorei e depois dormi e acordei depois hoje, mais velha, 24, e agora ressaca sem direito de ter ressaca porque tem que trabalhar lavora lavora lavora.
E aqui sinto e suo mais que o normal.
E aqui apaixono e desapaixono. E fico obcecada como quando tinha 15. Mas agora sao 24e a coisa tem que andar.
Deixe-me ir.
La jornada continua........................
Catártica a lua cheia de ponta cabeca.
Eu de ponta cabeca. Do outro lado do mundo, outro lado de mim e de todos.
Bebi como crianca.
Ri como uma menina maluca.
Precisei.
E foi bom assim.
E sofri depois e chorei e depois dormi e acordei depois hoje, mais velha, 24, e agora ressaca sem direito de ter ressaca porque tem que trabalhar lavora lavora lavora.
E aqui sinto e suo mais que o normal.
E aqui apaixono e desapaixono. E fico obcecada como quando tinha 15. Mas agora sao 24e a coisa tem que andar.
Deixe-me ir.
La jornada continua........................
terça-feira, setembro 21, 2010
Prezado
voce.
Aí do lado de lá
da tela
do oceano
do tempo
da estacao do ano
aqui dentro tá frio congelando
que eu sabia e temia muito, o desencontro de desejos
que no fundo era o que eu mais temia
e eis que o espetáculo se desenrola agora diante dos meus olhos do jeitinho que eu já tinha imaginado. e temido. tanto.
e eu aqui
do outro lado da tela
do oceano
do tempo
da estacao do ano
do outro lado - que nao é do seu lado - estou eu
inerte
e
em silencio
um dia antes
dos meus 24 anos
silenciei
aqui
jaz
eu
.
voce.
Aí do lado de lá
da tela
do oceano
do tempo
da estacao do ano
aqui dentro tá frio congelando
que eu sabia e temia muito, o desencontro de desejos
que no fundo era o que eu mais temia
e eis que o espetáculo se desenrola agora diante dos meus olhos do jeitinho que eu já tinha imaginado. e temido. tanto.
e eu aqui
do outro lado da tela
do oceano
do tempo
da estacao do ano
do outro lado - que nao é do seu lado - estou eu
inerte
e
em silencio
um dia antes
dos meus 24 anos
silenciei
aqui
jaz
eu
.
domingo, setembro 19, 2010
Músculo carne osso tripa pés bolha calo salto bracos olhos coluna espaco reservado para a alma espaco reservado para a fala, porta. oxum ogun xango oxossi iemanjá. cavalo arco e flecha espada saia rio mar mata machado. por una parte pienso. por otra parte pienso. por una parte sinto ele cuerpo abrir e fechar. ai tá ficando bom. ai tá péssimo. ai nao consigo. ai, como é fácil. gosto gosto gosto. suo suo suo. ardo. incho. doo. piso pé no chao, bato pé no chao: acorda alma, pra vida. acorda vamos galopar. vamos cantar. cria cria gira gira bota em movimento, bota pra rodar acontecer. bota fora. tá difícil escrever ai tá tao difícil. quando está tudo bem é mais difícil do que nunca. precisa estar doendo faltando arranhando? sempre? e nem sempre doi falta arranha. as vezes é bom e só. e daí nao vem as palavras. parece que elas nao chegam até holstebro. aqui o vento as leva embora, junto com os pensamentos truncados que vinham me acompanhando. agora se foram os pensamentos truncados, mas também as palavras, todas elas. fico eu e minhas experiencias secretas, pensamentos, minhas línguas mal aprendidas, meus novos amigos e meus mestres de aqui.
e me vou dormir na suíte royal. e me vou pra acordar daqui a pouco e voltar a galopar suar pés pernas músculo carne osso tripa bolha calo salto coluna alma...
e me vou dormir na suíte royal. e me vou pra acordar daqui a pouco e voltar a galopar suar pés pernas músculo carne osso tripa bolha calo salto coluna alma...
sexta-feira, setembro 10, 2010
Holstebro, Dinamarca
Odin Teatret
Aqui nesta cidade pequeniníssima no norte da Dinamarca, estamos eu e mais 21 pessoas imersos numa vida de comunidade no Odin Teatret, do iluminado Eugenio Barba. Este lugar foi dado pelo governo para o grupo, que veio da Noruega para cá em 1966, e fizeram desta antiga fazenda um teatro! Lugar lindo, energia maravilhosa, pessoas ótimas! Rodeada de brasileiros!! Sao uns 8 no total, contando o professor, Augusto Omulu, baiano de Salvador, dancarino maravilhoso e ator aqui do Odin. Hoje aprendemos a danca de Ogum, Orixá guerreiro, das estradas, do ferro. Os bracos se transformam em espadas afiadas, movimentos de forca vindos da terra, do fogo, prestes a talhar, a matar. Qual é a energia de alguém prestes a matar?
Os movimentos nao podem ser apenas movimentos. Principalmente os movimentos de um Orixá. Nao basta ser uma danca bonita.
Tudo deve estar preenchido desta intencao, deste instinto, da essencia de cada um dos orixás. Sugar a energia da terra e transformá-la em movimento grandioso, forte, sagrado.E que através do movimento, de um simples levantar de um braco esticado para o céu, algo muito maior possa ser lido. Porque se o movimento do ator está transbordando esta intencao, aí a terra treme. Aí se segura na cadeira e espera a banda passar! Quando o Augusto danca, o chao treme e a terra agradece seus pés. É impressionante.
Muito maravilhoso tudo.
Estou silenciosa e vivendo com calma. Me sinto numa espécie de retiro. Me sinto privilegiada. O teatro é lindo, grande, caótico. Foi crescendo ao longo dos anos, sem planejamento algum, se transformando num grande labirinto. E por toda parte as máscaras nas paredes, os cartazes de todos os espetáculos que eles já fizeram, os livros, a história de 45 anos de um grupo de pessoas que dedicaram a vida toda pra isso aqui. É lindo demais. É tudo história, tudo memória.
No primeiro dia aqui, a Else Marie, atriz mais antiga do Grupo (uma sessentona) apresentou um solo em que narrava a sua trajetória no Odin, a sua história e a história de todas as personagens, entidades, máscaras, bonecos, seres, que criou aqui. Tao maravilhoso!
Vou dormir e sonhar com Ogun e com os deuses que moram aqui no Odin e que nos acompanham nesta empreitada.
Odin Teatret
Aqui nesta cidade pequeniníssima no norte da Dinamarca, estamos eu e mais 21 pessoas imersos numa vida de comunidade no Odin Teatret, do iluminado Eugenio Barba. Este lugar foi dado pelo governo para o grupo, que veio da Noruega para cá em 1966, e fizeram desta antiga fazenda um teatro! Lugar lindo, energia maravilhosa, pessoas ótimas! Rodeada de brasileiros!! Sao uns 8 no total, contando o professor, Augusto Omulu, baiano de Salvador, dancarino maravilhoso e ator aqui do Odin. Hoje aprendemos a danca de Ogum, Orixá guerreiro, das estradas, do ferro. Os bracos se transformam em espadas afiadas, movimentos de forca vindos da terra, do fogo, prestes a talhar, a matar. Qual é a energia de alguém prestes a matar?
Os movimentos nao podem ser apenas movimentos. Principalmente os movimentos de um Orixá. Nao basta ser uma danca bonita.
Tudo deve estar preenchido desta intencao, deste instinto, da essencia de cada um dos orixás. Sugar a energia da terra e transformá-la em movimento grandioso, forte, sagrado.E que através do movimento, de um simples levantar de um braco esticado para o céu, algo muito maior possa ser lido. Porque se o movimento do ator está transbordando esta intencao, aí a terra treme. Aí se segura na cadeira e espera a banda passar! Quando o Augusto danca, o chao treme e a terra agradece seus pés. É impressionante.
Muito maravilhoso tudo.
Estou silenciosa e vivendo com calma. Me sinto numa espécie de retiro. Me sinto privilegiada. O teatro é lindo, grande, caótico. Foi crescendo ao longo dos anos, sem planejamento algum, se transformando num grande labirinto. E por toda parte as máscaras nas paredes, os cartazes de todos os espetáculos que eles já fizeram, os livros, a história de 45 anos de um grupo de pessoas que dedicaram a vida toda pra isso aqui. É lindo demais. É tudo história, tudo memória.
No primeiro dia aqui, a Else Marie, atriz mais antiga do Grupo (uma sessentona) apresentou um solo em que narrava a sua trajetória no Odin, a sua história e a história de todas as personagens, entidades, máscaras, bonecos, seres, que criou aqui. Tao maravilhoso!
Vou dormir e sonhar com Ogun e com os deuses que moram aqui no Odin e que nos acompanham nesta empreitada.
segunda-feira, setembro 06, 2010
Seguindo
Amsterdam
De brinquedo
de pontezinha ruazinha vielinha bequinho
Canais
e ceu azul
Cheia de gente de dia de noite
Nenhum bar tao legal quanto os de Berlin
Tudo bem turistico
Tudo bem rigido, disfarcado de legalizado
Pessoas grossas e tristes
Putas tristes nas vitrines vermelhas
Putas entediadas
Putas gordas e negras
Tudo caro
Everything is about money here
Tudo feito para os turistas, da uma sensacao de que essa cidade nao tem alma
Sinto isso das cidades muito turisticas
Cade as pessoas que vivem aqui? O que elas fazem? Por onde elas andam?
Elas nao comem nestes restaurantes
Elas nao alugam estas bikes
Elas nao entram nestes museus
Elas nao passam a tarde nestes parques lindos
Elas nao tomam cerveja de 4 euros um copo
Entao
O que elas fazem por aqui?
Parece que tem essa Amsterdam de mentira, feita toda pros tursitas que querem fumar maconha sem parar
E uma outra
Escondida em algum lugar que nao imagino onde porque nem cabe aqui e tudo tao pequenininho apertadinho
Parece ate de mentira
Mas a historia 'e legal
Historia de mar, de grandes navegadores que construiram tudo o que tem porque eram os melhores no mar
nas batalhas do mar afundaram os ingleses
chegaram na africa na india no brasil e ficaram muito ricos
e os marinheiros vinham para amsterdam atras de bebida sexo drogas
a'i construiram uma igreja pros marinheiros se confessarem
pra eles fazerem tudo isso mas sem tanta culpa
entao
ao lado da zona das prostitutas nas vitrines tem uma igreja imensa
que cresceu junto com os pecados e dinheiro dos marinheiros
nao 'e legal?
eu sempre achei que este povo do mar, estes marinheiros piratas e tudo o mais, sao os mais malucos da historia.
De brinquedo
de pontezinha ruazinha vielinha bequinho
Canais
e ceu azul
Cheia de gente de dia de noite
Nenhum bar tao legal quanto os de Berlin
Tudo bem turistico
Tudo bem rigido, disfarcado de legalizado
Pessoas grossas e tristes
Putas tristes nas vitrines vermelhas
Putas entediadas
Putas gordas e negras
Tudo caro
Everything is about money here
Tudo feito para os turistas, da uma sensacao de que essa cidade nao tem alma
Sinto isso das cidades muito turisticas
Cade as pessoas que vivem aqui? O que elas fazem? Por onde elas andam?
Elas nao comem nestes restaurantes
Elas nao alugam estas bikes
Elas nao entram nestes museus
Elas nao passam a tarde nestes parques lindos
Elas nao tomam cerveja de 4 euros um copo
Entao
O que elas fazem por aqui?
Parece que tem essa Amsterdam de mentira, feita toda pros tursitas que querem fumar maconha sem parar
E uma outra
Escondida em algum lugar que nao imagino onde porque nem cabe aqui e tudo tao pequenininho apertadinho
Parece ate de mentira
Mas a historia 'e legal
Historia de mar, de grandes navegadores que construiram tudo o que tem porque eram os melhores no mar
nas batalhas do mar afundaram os ingleses
chegaram na africa na india no brasil e ficaram muito ricos
e os marinheiros vinham para amsterdam atras de bebida sexo drogas
a'i construiram uma igreja pros marinheiros se confessarem
pra eles fazerem tudo isso mas sem tanta culpa
entao
ao lado da zona das prostitutas nas vitrines tem uma igreja imensa
que cresceu junto com os pecados e dinheiro dos marinheiros
nao 'e legal?
eu sempre achei que este povo do mar, estes marinheiros piratas e tudo o mais, sao os mais malucos da historia.
sábado, agosto 14, 2010
ando masculinamente mulher.
ando carnívora incandescente.
ando torta, dolorida.
ando a esmo, berlim em mim, em mil.
kreuzberg me atravessa e eu o atravesso diariamente em minha super bicleta foguete. turbinas nos meus pés, festa na minha bacia, deleite pros meus olhos; essa cidade me amansa me excita, me amansa me excita.
me entorpece, me abastece de vontade dessa coisa de vida.
andar. andar e só é o bastante.
quero raspar o cabelo. meu lado masculino se apresentando, nos meus sonhos lésbicos, nessas mulheres homens que caminham livres por esta cidade.
foda-se as mulherzinhas com o cabelinho comprido pra agradar os homens. aqui elas sao e ponto. elas sao foda. nao precisa ficar provando que é mulherzona, super feminina, sensual. elas sao sensuais. mais que todas.
ando carnívora incandescente.
ando torta, dolorida.
ando a esmo, berlim em mim, em mil.
kreuzberg me atravessa e eu o atravesso diariamente em minha super bicleta foguete. turbinas nos meus pés, festa na minha bacia, deleite pros meus olhos; essa cidade me amansa me excita, me amansa me excita.
me entorpece, me abastece de vontade dessa coisa de vida.
andar. andar e só é o bastante.
quero raspar o cabelo. meu lado masculino se apresentando, nos meus sonhos lésbicos, nessas mulheres homens que caminham livres por esta cidade.
foda-se as mulherzinhas com o cabelinho comprido pra agradar os homens. aqui elas sao e ponto. elas sao foda. nao precisa ficar provando que é mulherzona, super feminina, sensual. elas sao sensuais. mais que todas.
quinta-feira, agosto 12, 2010
Sobre Berlin e os meus pés
que estou cansada
meu corpo pede trégua mas quero continuar nessa aventura maluca de conhecer e ter domínio sobre o nosso cavalo-corpo
nunca fiquei tao exaurida
mentalmente
fisicamente
meus pés nao podem mais tocar o chao porque estao cheios de bolhas
meus ombros e minha perna doem diariamente
e assim eu passo o dia todo sentindo meu corpo, porque ele nao me deixa esquecer nem por um minuto. sao tantas dores!
tantas coisas crescendo aqui dentro. as minhas vontades reprimidas, meus medos, sao minhas travas, todas sendo obrigadas a sair pra fora. mostrar a cara. venham aqui fora pra eu olhar pra voces cara a cara e ver que nao é tao grande assim. nao é tanto medo assim. nao sou tao fraca, meu corpo aguenta, minhas pernas sao uma boa base pra eu me apoiar. vem que o meu centro ta explodindo e só nao explode mais porque voces vem me atormentar. em tudo estao voces, meus monstrinhos, meus fantasminhas, minhas nhacas, por toda a parte. e como faco pra abandona-las pelo caminho? quando vou sentir que fez créc e destravou? quando?
porque estou trabalhando arudamente agora pra isso. mas nunca parece o bastante.
saiam já e me deixem experimentar isso tudo daqui.
que estou cansada
meu corpo pede trégua mas quero continuar nessa aventura maluca de conhecer e ter domínio sobre o nosso cavalo-corpo
nunca fiquei tao exaurida
mentalmente
fisicamente
meus pés nao podem mais tocar o chao porque estao cheios de bolhas
meus ombros e minha perna doem diariamente
e assim eu passo o dia todo sentindo meu corpo, porque ele nao me deixa esquecer nem por um minuto. sao tantas dores!
tantas coisas crescendo aqui dentro. as minhas vontades reprimidas, meus medos, sao minhas travas, todas sendo obrigadas a sair pra fora. mostrar a cara. venham aqui fora pra eu olhar pra voces cara a cara e ver que nao é tao grande assim. nao é tanto medo assim. nao sou tao fraca, meu corpo aguenta, minhas pernas sao uma boa base pra eu me apoiar. vem que o meu centro ta explodindo e só nao explode mais porque voces vem me atormentar. em tudo estao voces, meus monstrinhos, meus fantasminhas, minhas nhacas, por toda a parte. e como faco pra abandona-las pelo caminho? quando vou sentir que fez créc e destravou? quando?
porque estou trabalhando arudamente agora pra isso. mas nunca parece o bastante.
saiam já e me deixem experimentar isso tudo daqui.
sexta-feira, agosto 06, 2010
berlin
Neste momento, o melhor lugar do mundo é aqui e agora.
Aqui nesta cidade absolutamente tesuda, maluca, desorientada, em construcäo, descontrucao, reconstrucao, tudo jogado, um milhao de bares e eu querendo entrar em cada um e provar cada coisa, pessoas lindas de cabelos incríveis, bicicletas velhas, lojas de comida organica, um milhao de lojas de comida organica, cada esquina uma surpresa, cada passo um deslumbre, um olhar pra cada coisa e uma vontade, um tesao absoluto por tudo isso que me rodeia neste momento. Berlin é foda. Nao existe igual. Cada parque foda, cheio de gente, cada bar surreal, cada rio, cada tudo. E eu na minha Lucy, minha nova bicicleta velha, cor de rosa, deslizando por esta cidade fácil, por essa vida tranquila, esta paz depois de tanta guerra que já teve aqui. É tanta paz. Eles sao tao desencanados, tranquilos, andam como quem veio pra vida a passeio, sinto que eles sabem aproveitar a cidade deles muito bem. Os bares tao sempre cheios nao importa o dia da semana. De manha, quando saio pra aula de teatro, os cafés estao cheios com todos tomando café da manha juntos! Os berlinenses sao zero materialistas, zero aparencias, se vestem de qualquer jeito, moram em casas lindas e simples, tudo meio baguncado mas extremamente organizado ao mesmo tempo. Como pode? Tudo mais coletivizado. Tudo mais humano. Menos capital, material, bla bla bla. Puta cidade foda. Puta clima bom, de cidade bem cidade mesmo, mas com essa calma, esse saber viver gostoso, esse tesao todo. Uau. E isso é so o comeco.
Aqui nesta cidade absolutamente tesuda, maluca, desorientada, em construcäo, descontrucao, reconstrucao, tudo jogado, um milhao de bares e eu querendo entrar em cada um e provar cada coisa, pessoas lindas de cabelos incríveis, bicicletas velhas, lojas de comida organica, um milhao de lojas de comida organica, cada esquina uma surpresa, cada passo um deslumbre, um olhar pra cada coisa e uma vontade, um tesao absoluto por tudo isso que me rodeia neste momento. Berlin é foda. Nao existe igual. Cada parque foda, cheio de gente, cada bar surreal, cada rio, cada tudo. E eu na minha Lucy, minha nova bicicleta velha, cor de rosa, deslizando por esta cidade fácil, por essa vida tranquila, esta paz depois de tanta guerra que já teve aqui. É tanta paz. Eles sao tao desencanados, tranquilos, andam como quem veio pra vida a passeio, sinto que eles sabem aproveitar a cidade deles muito bem. Os bares tao sempre cheios nao importa o dia da semana. De manha, quando saio pra aula de teatro, os cafés estao cheios com todos tomando café da manha juntos! Os berlinenses sao zero materialistas, zero aparencias, se vestem de qualquer jeito, moram em casas lindas e simples, tudo meio baguncado mas extremamente organizado ao mesmo tempo. Como pode? Tudo mais coletivizado. Tudo mais humano. Menos capital, material, bla bla bla. Puta cidade foda. Puta clima bom, de cidade bem cidade mesmo, mas com essa calma, esse saber viver gostoso, esse tesao todo. Uau. E isso é so o comeco.
sexta-feira, julho 30, 2010
lá da travessia
28.07 - em trânsito
Nono and last day
La Strada
Melhor sensação que eu conheço
Que relembrei
Redescobri aqui
Que quero viajar muito pro resto da vida
Viajar é preciso
Viajo porque preciso viver
Aqui é tudo muito.
Tudo tão
Tudo bem
Basta existir e sugar o sangue da vida que me beija na boca de língua
Quero trepar com a vida
Mais e mais
Forte
Devagarinho
Deixar ela entrar e me amar
Porque eu amo ela
Nono and last day
La Strada
Melhor sensação que eu conheço
Que relembrei
Redescobri aqui
Que quero viajar muito pro resto da vida
Viajar é preciso
Viajo porque preciso viver
Aqui é tudo muito.
Tudo tão
Tudo bem
Basta existir e sugar o sangue da vida que me beija na boca de língua
Quero trepar com a vida
Mais e mais
Forte
Devagarinho
Deixar ela entrar e me amar
Porque eu amo ela
domingo, julho 18, 2010
do ente
momento em que te pegam te viram do avesso e te o bri gam a ficar quietinho, descansandinho, tomando chazinho, paradinho, no sofazinho, dormindinho, bonitinho, tomando remedinho, xaropinho, nhé nhé nhé nhé nhé, tudo aquilo que é mais chato de fazer nesta vida.
do ser
ou, para os mais chegados nessa coisa de explorar a fundo o ser humano, quando se fica doente, do ente, é um momento de entrar em contato consigo mesmo, com o seu ser. o corpo pede estes momentos de vez em quando. esta pausa. quando você está se atropelando demais, não se olhando o suficiente, não se respeitando o mínimo. quando tá fumando demais, bebendo demais, trepando demais, se divertindo demais, o corpo pára, pede arrego, não aguenta, pede trégua, pára peloamordedeus!
com clusão
equilíbrio, meus caros, equilíbrio. ele é de fato meio mala, mas, pelo menos, busquem-no.
momento em que te pegam te viram do avesso e te o bri gam a ficar quietinho, descansandinho, tomando chazinho, paradinho, no sofazinho, dormindinho, bonitinho, tomando remedinho, xaropinho, nhé nhé nhé nhé nhé, tudo aquilo que é mais chato de fazer nesta vida.
do ser
ou, para os mais chegados nessa coisa de explorar a fundo o ser humano, quando se fica doente, do ente, é um momento de entrar em contato consigo mesmo, com o seu ser. o corpo pede estes momentos de vez em quando. esta pausa. quando você está se atropelando demais, não se olhando o suficiente, não se respeitando o mínimo. quando tá fumando demais, bebendo demais, trepando demais, se divertindo demais, o corpo pára, pede arrego, não aguenta, pede trégua, pára peloamordedeus!
com clusão
equilíbrio, meus caros, equilíbrio. ele é de fato meio mala, mas, pelo menos, busquem-no.
quinta-feira, julho 15, 2010
o mais maluco disso tudo é que a gente caminha caminha caminha pra voltar pro mesmo lugar. só que diferente. a gente muda na caminhada. e a gente vai andar porque tem alguma coisa errada. e tem alguma coisa errada porque aquele lugar não tá bastando, não tá preenchendo. aí, depois que a gente se bota pra andar, trabalhar, aprender, a gente volta praquele lugar que não tava fazendo sentido mas que agora faz. e não tava fazendo sentido porque faltava andar, trabalhar, aprender. olha que ciclo maluco.
do meu filme particular
cena de filme:
começa com ele me dando um livro do artaud de presente.
eu gosto, digo que será útil na viagem.
aí sentamos, ele desata a falar, chorar, falar, chorar.
aí passa.
aí chegam os pedaços de pizza.
minha portuguesa, dele marguerita.
aí eu. minha vez. tô puta, puta. e falo falo falo. xingo. hipócrita escroto dissimulado canalha. (nunca achei que eu fosse dizer essa palavra). ele diz: viu como dói?
esperneio sapateio no meio do salão. e os outros na mesa do lado naquele fingimento, "vou evitar olhar, mas to ouvindo tudo o que essa louca ta falando". foda-se.
aí - chega. quero ir embora, vamoembora.
tá.
aí lá fora. cigarro molhado, chuva insuportável na cidade que ficou fria do dia pra noite. aí me abraça. me abraça, não quero. e volto a falar. e falo. tudo. cuspo. que você nunca foi homem o suficiente. pra mim.não bastou. não foi. ele me chama de machista. não tem nada a ver com machismo, é questão de macho e de fêmea. simples assim.
ele: pior que eu sei disso. silêncio. olhos fixos.
eu sei disso.
eu sei disso.
aí vou pro carro.
ele parado do lado de fora.
eu desenroscando os fios do fone do ipod. levo horas nesse desatar um nó impossível. ele se aproxima pra ver o que tá acontecendo. eu abro a janela. mais chuva. ele na chuva. eu coloco um fone nele. ó o que eu vou ouvir, digo.
já lhe dei meu corpo minha alegria já estanquei meu sangue quando fervia olha a voz que me resta olha a veia que salta olha a gota que falta pro desfecho da festa por favor deixa em paz meu coração que ele é um pote até aqui de mágoa...
canto: pode ser a gota d'água. ele beija minha boca violento. ele me pega de jeito. homem. me beija e me beija e me beija. ele do lado de fora da janela do carro. ele diz que eu sou todas as mulheres do chico buarque. ele me beija tanto até que acaba entrando no carro pela janela mesmo, de onde ele estava. e a gente se pega e se entrega.
avenida paulista.
e qualquer desatenção, faça não.
pode ser a gota d'água.
começa com ele me dando um livro do artaud de presente.
eu gosto, digo que será útil na viagem.
aí sentamos, ele desata a falar, chorar, falar, chorar.
aí passa.
aí chegam os pedaços de pizza.
minha portuguesa, dele marguerita.
aí eu. minha vez. tô puta, puta. e falo falo falo. xingo. hipócrita escroto dissimulado canalha. (nunca achei que eu fosse dizer essa palavra). ele diz: viu como dói?
esperneio sapateio no meio do salão. e os outros na mesa do lado naquele fingimento, "vou evitar olhar, mas to ouvindo tudo o que essa louca ta falando". foda-se.
aí - chega. quero ir embora, vamoembora.
tá.
aí lá fora. cigarro molhado, chuva insuportável na cidade que ficou fria do dia pra noite. aí me abraça. me abraça, não quero. e volto a falar. e falo. tudo. cuspo. que você nunca foi homem o suficiente. pra mim.não bastou. não foi. ele me chama de machista. não tem nada a ver com machismo, é questão de macho e de fêmea. simples assim.
ele: pior que eu sei disso. silêncio. olhos fixos.
eu sei disso.
eu sei disso.
aí vou pro carro.
ele parado do lado de fora.
eu desenroscando os fios do fone do ipod. levo horas nesse desatar um nó impossível. ele se aproxima pra ver o que tá acontecendo. eu abro a janela. mais chuva. ele na chuva. eu coloco um fone nele. ó o que eu vou ouvir, digo.
já lhe dei meu corpo minha alegria já estanquei meu sangue quando fervia olha a voz que me resta olha a veia que salta olha a gota que falta pro desfecho da festa por favor deixa em paz meu coração que ele é um pote até aqui de mágoa...
canto: pode ser a gota d'água. ele beija minha boca violento. ele me pega de jeito. homem. me beija e me beija e me beija. ele do lado de fora da janela do carro. ele diz que eu sou todas as mulheres do chico buarque. ele me beija tanto até que acaba entrando no carro pela janela mesmo, de onde ele estava. e a gente se pega e se entrega.
avenida paulista.
e qualquer desatenção, faça não.
pode ser a gota d'água.
terça-feira, julho 13, 2010
segunda-feira, julho 12, 2010
sai culpacristã
me larga moralcatólica
sai seusrepressores estabilizadores da ordem
sai ordem
sai
sai
sai
eu não peço desculpas e nem peço perdão
eu sou assim ué
mais livre que os outros ué
eu sei lidar com essas coisas do desejo ué
"os normais tinham inveja de mim que era louca"
não que eu seja
sou só mais livre em determinados assuntos que os outros não aturam não compreendem não se conformam
que pode ser diferente
sou só diferente ué
não egoísta como ele quer
não escrota como ele quer
não dele como ele quer
não sou de ninguém e obedeço às minhas vontades ué
e não tá escrito em lugar nenhum que isso é crime
que isso é pecado
que isso é feio
não tá escrito
não existe pecado
existe respeitar a nós mesmos e aos nossos desejos isso é saudável não reprimível
não é egoísmo é sobrevivência
é vontade de viver
se ele não consegue me prender o problema é dele
se ele não me basta é ele quem vai ter que rever as suas atitudes como homem
ué
chega de ficar na culpinha na mulherzinha no medinho
na inquisiçãozinha
na fragilidadezinha
sou mais mulher que isso de boa moça boa esposa boa mãe
sentar de perninha fechada e dar risada baixo
ter medo dos homens
ser fiel acima de tudo
sou fiel a mim
me larga moralcatólica
sai seusrepressores estabilizadores da ordem
sai ordem
sai
sai
sai
eu não peço desculpas e nem peço perdão
eu sou assim ué
mais livre que os outros ué
eu sei lidar com essas coisas do desejo ué
"os normais tinham inveja de mim que era louca"
não que eu seja
sou só mais livre em determinados assuntos que os outros não aturam não compreendem não se conformam
que pode ser diferente
sou só diferente ué
não egoísta como ele quer
não escrota como ele quer
não dele como ele quer
não sou de ninguém e obedeço às minhas vontades ué
e não tá escrito em lugar nenhum que isso é crime
que isso é pecado
que isso é feio
não tá escrito
não existe pecado
existe respeitar a nós mesmos e aos nossos desejos isso é saudável não reprimível
não é egoísmo é sobrevivência
é vontade de viver
se ele não consegue me prender o problema é dele
se ele não me basta é ele quem vai ter que rever as suas atitudes como homem
ué
chega de ficar na culpinha na mulherzinha no medinho
na inquisiçãozinha
na fragilidadezinha
sou mais mulher que isso de boa moça boa esposa boa mãe
sentar de perninha fechada e dar risada baixo
ter medo dos homens
ser fiel acima de tudo
sou fiel a mim
domingo, julho 11, 2010
Quero sentir isso tudo. Não pensar. Não agir. Não questionar. Sentir e só. Entender que as coisas chegam na gente e leva um tempo pra maturar. Não adianta querer responder automaticamente a tudo. Receber. Absorver. Amadurecer. E aí sim, responder. Com arte, com palavra, com ação, com música, do jeito que for. Mas deixar as coisas chegarem, abir as portas e janelas: entrem, venham, se acomodem. E fiquem por um tempo aqui comigo. Aí depois, só depois, posso dizer se entendi, se discordei, se odiei, se achei engraçado ou se sofri. Talvez eu seja meio lenta, mesmo. E tudo bem.
sábado, julho 10, 2010
quinta-feira, julho 08, 2010
estou eu aqui
dia se desfazendo na minha frente
eu envelhecendo
o tempo
e o tempo
os meus avós
ontem
sinto eu secando
atrofiando
preciso atuar agir criar
to parada
to só das noitadas vazias
falta a arte
ela
plena
nos tirando daqui e levando pra passear
(tava ficando cega e acendi a luz
ufa)
preciso ler me alimentar botar pra fora quebrar paredes
to com a força de um leão paralisada aqui dentro
quero sair
quero tirar daqui.
preciso dançar falar gemer
espremer o músculo da imaginação botá-lo pra trabalhar
lidar com o poético sublime. subjetividade já para a minha sobrevivência!
chega de profano
chega de nhénhénhé
blábláblá
problemas insignificantes e conversas babacas
queria me propor a ficar três dias sem falar coisas babacas
queria me propor a só reagir quando fosse extremamente verdadeiro
queria me propor a não pensar em que roupa vou vestir e vestir qualquer uma que aparecer
queria me propor a ler um livro por dia
queria me propor a mudar os caminhos, as conversas, as pessoas sempre as mesmas, as músicas sempre as mesmas
sinto que esse mesmo mesmo mesmo vai acabar mesmo atrofiando o meu cérebro
um artista não pode parar nunca jamais never em hipótese alguma endurecer paralisar estagnar engessar endurecer nunca jamais
e estou meio assim acomodada por causa da viagem
mas a viagem
a viagem vai me tirar daqui me botar pra me virar revirar contorcer espremer te vira no alemão conhece gente teatro vê ouve frui tudo pela primeira vez da mesma forma quando cheguei neste mundo cão - virgem.
voltar a ser virgem
voltar a não entender nada
voltar pro estado de aprendizado profundo
viva o novo
dia se desfazendo na minha frente
eu envelhecendo
o tempo
e o tempo
os meus avós
ontem
sinto eu secando
atrofiando
preciso atuar agir criar
to parada
to só das noitadas vazias
falta a arte
ela
plena
nos tirando daqui e levando pra passear
(tava ficando cega e acendi a luz
ufa)
preciso ler me alimentar botar pra fora quebrar paredes
to com a força de um leão paralisada aqui dentro
quero sair
quero tirar daqui.
preciso dançar falar gemer
espremer o músculo da imaginação botá-lo pra trabalhar
lidar com o poético sublime. subjetividade já para a minha sobrevivência!
chega de profano
chega de nhénhénhé
blábláblá
problemas insignificantes e conversas babacas
queria me propor a ficar três dias sem falar coisas babacas
queria me propor a só reagir quando fosse extremamente verdadeiro
queria me propor a não pensar em que roupa vou vestir e vestir qualquer uma que aparecer
queria me propor a ler um livro por dia
queria me propor a mudar os caminhos, as conversas, as pessoas sempre as mesmas, as músicas sempre as mesmas
sinto que esse mesmo mesmo mesmo vai acabar mesmo atrofiando o meu cérebro
um artista não pode parar nunca jamais never em hipótese alguma endurecer paralisar estagnar engessar endurecer nunca jamais
e estou meio assim acomodada por causa da viagem
mas a viagem
a viagem vai me tirar daqui me botar pra me virar revirar contorcer espremer te vira no alemão conhece gente teatro vê ouve frui tudo pela primeira vez da mesma forma quando cheguei neste mundo cão - virgem.
voltar a ser virgem
voltar a não entender nada
voltar pro estado de aprendizado profundo
viva o novo
domingo, julho 04, 2010
O amor é um oceano quentinho feito pra você soltar o corpo e boiar boiar boiar sem saber onde vão te encontrar (se é que vão). Pode ser que só encontrem seus restos espalhados, quebrando com as ondas na areia. Aqui uma perna, ali adiante um pedaço de rosto, mais ali uma mão. Pode durar anos. Ou segundos, a viagem. Pode atravessar afundar ou afogar.
E quando você estiver perdido em alto mar, em volta só os azuis que não te deixam definir o que é céu, ou se é mar, e a linha do horizonte te dizendo no ouvido: vem que eu to pertinho, vem que eu to pertinho, pare e desconfie. Se agarre numa ilhota, numa baleia ou pedaço de pau. Finque os pés no chão do mar. E experimente ficar aí, por alguns segundos.
Mas ele não vai deixar. Ele vai fazer de tudo pra continuar te levando. Vai mostrar toda a força que ele tem e escancarar a sua impotência. A sua mortalidade. Aquilo que em você é mais humano. Ele vai passar por cima. Alastrar.
É a ressaca absoluta. A maré enlouquecida, que vem e não quer saber. E toma onda na cabeça. Água no nariz. E você vai se sentir uma formiguinha, um inseto imbecil, correndo no mesmo lugar.
O amor é duro e líquido, como oceano.
O amor é pra valer: divino. e terrível.
E quando você estiver perdido em alto mar, em volta só os azuis que não te deixam definir o que é céu, ou se é mar, e a linha do horizonte te dizendo no ouvido: vem que eu to pertinho, vem que eu to pertinho, pare e desconfie. Se agarre numa ilhota, numa baleia ou pedaço de pau. Finque os pés no chão do mar. E experimente ficar aí, por alguns segundos.
Mas ele não vai deixar. Ele vai fazer de tudo pra continuar te levando. Vai mostrar toda a força que ele tem e escancarar a sua impotência. A sua mortalidade. Aquilo que em você é mais humano. Ele vai passar por cima. Alastrar.
É a ressaca absoluta. A maré enlouquecida, que vem e não quer saber. E toma onda na cabeça. Água no nariz. E você vai se sentir uma formiguinha, um inseto imbecil, correndo no mesmo lugar.
O amor é duro e líquido, como oceano.
O amor é pra valer: divino. e terrível.
mundana.
de tudo o que é de pegar, de comer, de sentir o gosto. de tudo o que é de sentir. de pele, de pelo, saliva, boca carnuda, corpo quente esquenta meu corpo, me embrulha pra presente e me leva pra passear nesta casa confortável que são suas coxas, sua nuca, seu cabelo.
me leva pro mundo, seu corpo, meu corpo encaixa no seu corpo.
sou de mim e do mundo. quem quiser que me leve, aproveite, me tome as rédeas, me oriente.
eu aqui, boiando neste oceano delicioso. solta. e calma.
sou mundana taurina imunda.
da matéria.
do de pegar, do de comer, do de cheirar. são esses que me movem.
agora sim. agora eu quero ficar pra todo o sempre neste edredom vermelho seu corpo cobrindo meu corpo, seu cheiro, seu gosto, seu todo absoluto e eu aqui largada, devota, escancarada. me leve, leve.
sou sua sou sua sou sua sou sua sou sua
só agora. a pro vei te .
só agora. se de lei te .
que eu passaria o resto dos meus dias nesse movimento. de dorme acorda. de amor. de amor. de come, dorme, acorda. me ama. me come.
esse amor que é concreto; tem gosto, tem cara, tem carne - o amor.
eu carnívora insaciável.
sanguinária. eu da raiva e do amor, uma ao lado da outra.
me leva pro mundo, seu corpo, meu corpo encaixa no seu corpo.
sou de mim e do mundo. quem quiser que me leve, aproveite, me tome as rédeas, me oriente.
eu aqui, boiando neste oceano delicioso. solta. e calma.
sou mundana taurina imunda.
da matéria.
do de pegar, do de comer, do de cheirar. são esses que me movem.
agora sim. agora eu quero ficar pra todo o sempre neste edredom vermelho seu corpo cobrindo meu corpo, seu cheiro, seu gosto, seu todo absoluto e eu aqui largada, devota, escancarada. me leve, leve.
sou sua sou sua sou sua sou sua sou sua
só agora. a pro vei te .
só agora. se de lei te .
que eu passaria o resto dos meus dias nesse movimento. de dorme acorda. de amor. de amor. de come, dorme, acorda. me ama. me come.
esse amor que é concreto; tem gosto, tem cara, tem carne - o amor.
eu carnívora insaciável.
sanguinária. eu da raiva e do amor, uma ao lado da outra.
sábado, julho 03, 2010
quarta-feira, junho 30, 2010
Grfksifkuerfuefviw3riueckjsiwqyfiqgwfityeiwhgvfiwugf
Queria escrever assim, um trabalho livre, e mandar as normas da ABNT (?) pra puta que o pariu, e mandar a burocracia pra puta que o pariu, e mandar as normas acadêmicas pra puta que o pariu. Se escrevo sobre teatro deveria ter o direito absoluto de escrever do MEU jeito, me utilizando da MINHA expressão verdadeira, artística, com as MINHAS palavras, e não essas palavras que fico pegando emprestadas de sei lá quem e não sei quem lá. Quero relatar a MINHA esperiência e nesta merda eu só posso falar na terceira pessoa. Quero colocar as MINHAS questões e nesta merda eu só posso colocar as questões de não sei quem lá e não sei lá quem, porque não sei quem lá e não sei lá quem já publicaram artigos científicos e teses de mestrado doutorado pós doutorado Deus. É isso, eles se aproximam de Deus porque eles conseguiram galgar posições altíssimas através de um conhecimento chato e inacessível e agora eles estão lá sentados nas altíssimas pilhas de livros, teses e artigos, e agora eles estão bem pertinho de Deus. Que coisa antiga, Meu Deus. Que coisa sem sentido, Deus Meu. Eu quero ficar aqui ó, bem pertinho dos humanos, quero fazer teatro aqui embaixo, ó, aqui no meio do caos, da multidão, quero gritar e ser ouvida, quero escrever e ser lida por quem me interessa. Fodam-se os professores, eles não estão preocupados com a arte. Por quê raios existe faculdade de teatro neste mundo? E por quê eu estou em uma????
terça-feira, junho 29, 2010
Pirata
"Em nossas línguas há uma bela palavra que tem esse per grego de travessia: a palavra peiratês, pirata. O sujeito da experiência tem algo desse ser fascinante que se expõe atravessando um espaço indeterminado e perigoso, pondo-se nele à prova e buscando nele sua oportunidade, sua ocasião. A palavra experiência tem o ex de exterior, de estrangeiro, de exílio, de estranho e também o ex de existência. (...) Tanto nas línguas germânicas como nas latinas, a palavra experiência contém inseparavelmente a dimensão de travessia e perigo (...)."
Por Jorge Larrosa Bondía in NOTAS SOBRE A EXPERIÊNCIA E O SABER DA EXPERIÊNCIA
Por Jorge Larrosa Bondía in NOTAS SOBRE A EXPERIÊNCIA E O SABER DA EXPERIÊNCIA
segunda-feira, junho 28, 2010
sonhei com uma guerra. eu nela, guerreando também. e eu era pega como prisioneira dos inimigos. e tinha navio. e eu fujia tanto, tanto. me livrava, eles me pegavam de novo. aí eu me escondia, armava fugas e sempre, sempre, era recapturada. era terrível. numa hora eu comecei a falar. falei tanto, fiz um discruso tão magnífico sobre a guerra, chamei todos eles de seus bostas e me senti muito bem no final.
sexta-feira, junho 25, 2010
Você é um porco espinho. Fui brincar, me espetei. Aí doeu.
Fiquei longe. Quilômetros de distância me separaram do bichinho.
Um dia, bem depois, eu o vi de novo, sem querer, sem nem esperar que um dia eu pudesse vê-lo de novo. Era lua cheia (perigosa);
Primeiro, meio arredia, não quis me aproximar muito. Peguei um certo trauma desse bicho, porque ele engana bem.
Aí pronto.
Ah, ele é legal o porco espinho. Olha só, todo redondinho, não parece que vai fazer mal pra ninguém. Me enfeitiça, porquinho.
Cheguei perto.
Ai, tem espinho, esse porco espinho. Dá pra ver. Mas é tão bonitinho, coitado. Nunca que vai fazer mal pra alguém. Ah, olha só. Esses espinhos aqui ó, nem devem machucar. Deve ser de mentira, só pra espantar os inimigos – e eu não sou uma predadora (não tanto).
Fui chegando perto e mais perto. E não é que me atrai esse bichinho, me puxa pra perto. Olha!, ele é manso, é até adestrável, eu acho. Eu devo conseguir amansá-lo, claro que sim. Vem aqui, bichinho, pode chegar, vem comigo. Vem que eu te amanso. Vem. Vem. Me enfeitiçou, a presa. E fui chegando chegando.
Quando então finalmente criei coragem e decidi tocá-lo, fui encostar na sua carcaçinha de bichinho fofo e cheguei pertinho pertinho e- aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
Detesto esses bichos.
E sigo, cheia de cicatrizes.
Fiquei longe. Quilômetros de distância me separaram do bichinho.
Um dia, bem depois, eu o vi de novo, sem querer, sem nem esperar que um dia eu pudesse vê-lo de novo. Era lua cheia (perigosa);
Primeiro, meio arredia, não quis me aproximar muito. Peguei um certo trauma desse bicho, porque ele engana bem.
Aí pronto.
Ah, ele é legal o porco espinho. Olha só, todo redondinho, não parece que vai fazer mal pra ninguém. Me enfeitiça, porquinho.
Cheguei perto.
Ai, tem espinho, esse porco espinho. Dá pra ver. Mas é tão bonitinho, coitado. Nunca que vai fazer mal pra alguém. Ah, olha só. Esses espinhos aqui ó, nem devem machucar. Deve ser de mentira, só pra espantar os inimigos – e eu não sou uma predadora (não tanto).
Fui chegando perto e mais perto. E não é que me atrai esse bichinho, me puxa pra perto. Olha!, ele é manso, é até adestrável, eu acho. Eu devo conseguir amansá-lo, claro que sim. Vem aqui, bichinho, pode chegar, vem comigo. Vem que eu te amanso. Vem. Vem. Me enfeitiçou, a presa. E fui chegando chegando.
Quando então finalmente criei coragem e decidi tocá-lo, fui encostar na sua carcaçinha de bichinho fofo e cheguei pertinho pertinho e- aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
Detesto esses bichos.
E sigo, cheia de cicatrizes.
terça-feira, junho 22, 2010
eu queria falar assim. que essa vida é boa demais. e que ficar sozinha agora é um suplício. depois de dormirmos todos amontoados, depois de nos amarmos nessa intensidade absoluta, todos os corpos, os cheiros que eu já decorei. que essa vida só faz sentido assim, em bando. assim, dividir a vida e a alma com aqueles que nos conhecem mais do que nós mesmos. assim. que a vida não é coisa de guardar pra si. é coisa de gritar aos quatro cantos. de falar, de trocar. de pegar um pouco de cada um pra acrescentar e ir compondo; que a gente nasce assim, cheio de buraco e de vazio, que é pra poder ir completando aos poucos. se nascesse pronto, qual sentido? que eu os amo de alma inteira. minha alma agora é deles. e isso me enlouquece. caminho sem volta. filme maluco. e a travessia mal começou.
quinta-feira, junho 17, 2010
travessura
preciso cometer alguns assassinatos
então
de mãos manchadas: meus pais irmãos amores e amigos.
o sangue quente deles todos escorre.
daí eu toda entro num estado de transformar, sair do casulo.
daí eu toda diferente, toda outra, cabelo vermelho-sangue, aquela lá que eu busco.
a assassina impiedosa. sem frieza. coração batendo quente. bicho solto cão sem dono.
por enquanto é aguentar esse meio de caminho, de nem ser ou nãoser.
a minha travessia começa com alguns assassinatos.
ouviu, Tom?
então
de mãos manchadas: meus pais irmãos amores e amigos.
o sangue quente deles todos escorre.
daí eu toda entro num estado de transformar, sair do casulo.
daí eu toda diferente, toda outra, cabelo vermelho-sangue, aquela lá que eu busco.
a assassina impiedosa. sem frieza. coração batendo quente. bicho solto cão sem dono.
por enquanto é aguentar esse meio de caminho, de nem ser ou nãoser.
a minha travessia começa com alguns assassinatos.
ouviu, Tom?
terça-feira, junho 15, 2010
segunda-feira, junho 14, 2010
domingo, junho 13, 2010
perdi alguma coisa que ligava eu ao mundo. to de observadora nessa história. e observadora não tem graça alguma. legal é ser do time dos que fazem. não dos que assitem. preciso reconectar uns cabos, azeitar uns parafusos, focar. to vivendo louca alucinada fuma bebe fuma bebe fuma bebe bota pra dentro bota pra dentro bota pra dentro. to precisando é botar pra fora. rasgar essa carcaçona. deixar sair o alien lá de dentro, cheio de gosma, com aquela boca faminta de alien recém nascido. com fome de mundo, fome de tudo. to com fome de tudo. e não sacia não sacia nunca nunca. o quê vem pra matar minha fome de coisa maior do que comida cigarro bebida? minha fome é grande, de criar, de explodir a carcaçona, de dançar livre, de mostrar tripa peito do avesso, minha fome de leoa, minha fome de mulher sufocada agonizante respiração presa. quem virá me libertar? e se não vier, se essa história é toda uma grande farsa, não vou esperar coisa nenhuma. vou fazer por mim mesma. eu to com o microfone e tá tudo no meu nome.
sábado, junho 12, 2010
e se arrumou toda, vestido vermelho curto, lacinho preto no pescoço, cabelo preso de um jeito especial, se arrumou, se perfumou, passou lápis nos olhos negros, batom na boca, se arrumou, estava linda, linda, linda. todos diziam: você está linda. uau. que linda.
chegou na festa e se sentiu desajeitada. quis dançar, não conseguiu. quis beber, não engoliu. quis falar, se confundiu. se sentiu não pertencendo, assim linda, mas assim não fazia sentido estar ali, aquele batom todo, aquele vestido todo, aqueles olhos pintados e ninguém a percebia. nunca.
chegou na festa e se sentiu desajeitada. quis dançar, não conseguiu. quis beber, não engoliu. quis falar, se confundiu. se sentiu não pertencendo, assim linda, mas assim não fazia sentido estar ali, aquele batom todo, aquele vestido todo, aqueles olhos pintados e ninguém a percebia. nunca.
quinta-feira, junho 10, 2010
frio torrencial.
tem alguém aí?
aqui tem mais ou menos
alguém
às vezes mais
e hoje é frio né?
e meus dedos
duros
longos
minhas unhas comidas com algum resquício do esmalte vermelho
anel de espiral contando o tempo
tempo vem e volta
tempo dura
e esbarra nas partes de mim que ficam pelo tempo
que ficam rondando só esperando o momento de, nhac!, chegar
mentira este texto, este texto é uma farsa.
hoje me sinto bem. não densa e trsite como este texto sobre tempo. to feliz da vida.
este texto é uma farsa. em espiral.
tem alguém aí?
aqui tem mais ou menos
alguém
às vezes mais
e hoje é frio né?
e meus dedos
duros
longos
minhas unhas comidas com algum resquício do esmalte vermelho
anel de espiral contando o tempo
tempo vem e volta
tempo dura
e esbarra nas partes de mim que ficam pelo tempo
que ficam rondando só esperando o momento de, nhac!, chegar
mentira este texto, este texto é uma farsa.
hoje me sinto bem. não densa e trsite como este texto sobre tempo. to feliz da vida.
este texto é uma farsa. em espiral.
terça-feira, junho 08, 2010
É isso:
são tres da manhã eu estou bebada nesta terça feira bêbada total e completamente. Aí eu pensei: vou escrever; tipo o que os surrealistas curtiam fazer, sabe? Livre escrita. Aí eu pensei: vou escrever uma livre escrita surrealista e bêbada e ver no que que dá. O fato é que só amanhã saberei.
Minha amiga Ana Kehl fantástica maravilhosa me acompanhou e me largou bêbada, avenida paulista, luzes inebriantes, eternas. Amo são paulo. Odeio são paulo. Vou-me embora, vou-me embora. Medo da porra. Medo de merda. Medo de nada. Você não é de nada seu medo de merda. Você não me pega. Vem me pegar vem. Pra você ver que você não é de nada. Vou me jogar num outro canto deste globo redondo. Pintar cabelo, heroína, andar de bicicleta, conhecer homens e mulheres, inventar o alemão que eu ainda não sei. Viver diariamente com uma língua que não é a minha língua mãe. Auto exílio, aí vou eu. Me acolham, me escolham. Lá vai uma brasileira arremessada. Lançada em terra estrangeira pra começar outra vida, outra ela. Quem me segura? Quem me cuida? Quem faz minha comida? Me dá bom dia em português? Quem me espera? Nada nem ninguém. E lá vou eu. Agora sim: estrada afora.
Finalmete.
são tres da manhã eu estou bebada nesta terça feira bêbada total e completamente. Aí eu pensei: vou escrever; tipo o que os surrealistas curtiam fazer, sabe? Livre escrita. Aí eu pensei: vou escrever uma livre escrita surrealista e bêbada e ver no que que dá. O fato é que só amanhã saberei.
Minha amiga Ana Kehl fantástica maravilhosa me acompanhou e me largou bêbada, avenida paulista, luzes inebriantes, eternas. Amo são paulo. Odeio são paulo. Vou-me embora, vou-me embora. Medo da porra. Medo de merda. Medo de nada. Você não é de nada seu medo de merda. Você não me pega. Vem me pegar vem. Pra você ver que você não é de nada. Vou me jogar num outro canto deste globo redondo. Pintar cabelo, heroína, andar de bicicleta, conhecer homens e mulheres, inventar o alemão que eu ainda não sei. Viver diariamente com uma língua que não é a minha língua mãe. Auto exílio, aí vou eu. Me acolham, me escolham. Lá vai uma brasileira arremessada. Lançada em terra estrangeira pra começar outra vida, outra ela. Quem me segura? Quem me cuida? Quem faz minha comida? Me dá bom dia em português? Quem me espera? Nada nem ninguém. E lá vou eu. Agora sim: estrada afora.
Finalmete.
domingo, junho 06, 2010
terça-feira, junho 01, 2010
de um domingo aí
Ginástica dos dedos. Tec tec tec. Ginástica do cérebro: escrever quando não se tem nada de importante pra dizer. Ainda assim, escrever. Como fumo, por vício. Como um jeito de preencher os buracos. Como um maravilhoso passatempo num domingo esbranquiçado como este. Empoleirada na cadeira giratória. São só dois dedos que digitam todas as palavras: nunca aprendi datilografia. Nunca aprendi a criar coisas profundas com as palavras. Nunca calculei o que estou escrevendo. Nunca fiz aqueles planejamentos para se escrever uma boa redação na Fuvest. Ainda assim, quando me empoleiro, quando os dedos começam tec tec tec, não há o que os faça parar. Uma palavra, outra, e outra e mais uma. E um texto. E eu me descrevendo. E eu me narrando. E eu me escondendo mostrando escondendo mostrando. E eu me deliciando. Fluindo, fluindo. Às vezes sai um bom. Noutras, um inútil.
segunda-feira, maio 31, 2010
E até me esqueci que hoje é segunda feira. E amanhã, terça. E amanhã, cedo. E amanhã muito. Trabalho. Vida labuta de dia de noite. Vida escorrega. Vida entra vida sai. E dói meu corpo o acordar cedo, dói mesmo, machuca acordar cedo. Acordar cedo faz mal à minha saúde. Mental, física, espiritual. Acordar cedo é um estupro aos meus sonhos quentinhos.

Viajo porque preciso. Volto porque te amo.
Viajo porque prciso. Não volto porque ainda te amo.
Viajo porque preciso.
Esse filme do Karim Aïnouz e do Marcelo Gomes que é todo poesia em forma de filme. Que é todo lindo. Todo Brasileiro. Nossos dialetos, nossas putas, nossas estradas de nada pra lugar nenhum. Nossa terra cheia de vida cheia de tudo. Ele começa a viagem contando os dias pra que ela acabe. No final, ele não quer que acabe nunca mais. E que nada é eterno: nem as falhas tectônicas, nem o amor.
quarta-feira, maio 26, 2010
Para o Dr. Maurício que vai me salvar (mesmo que leve 8 anos)
Árvore que quer crescer e é impedida continua crescendo mesmo que torta. Tortuosamente crescendo.
Sou uma árvore de tronco sinuoso.
Tentaram me podar
me impedir
me bloquear
Tenho seqüelas da tortura por todo o meu corpo torto
Na minha língua presa
Na minha coluna em S
No dedinho do meu pé direito que não encosta no chão como o do pé esquerdo
Nas minhas dificuldades de equilíbrio
Mas mesmo tendo me impedido
me atado
e desejado me abortar
Não puderam (nem nunca conseguirão)
me calar.
Se sobrevivi ao parto
à infância
à puberdade cruel e anoréxica
Se cheguei até aqui
é porque fui e sou
forte.
o
bastante.
Sou uma árvore de tronco sinuoso.
Tentaram me podar
me impedir
me bloquear
Tenho seqüelas da tortura por todo o meu corpo torto
Na minha língua presa
Na minha coluna em S
No dedinho do meu pé direito que não encosta no chão como o do pé esquerdo
Nas minhas dificuldades de equilíbrio
Mas mesmo tendo me impedido
me atado
e desejado me abortar
Não puderam (nem nunca conseguirão)
me calar.
Se sobrevivi ao parto
à infância
à puberdade cruel e anoréxica
Se cheguei até aqui
é porque fui e sou
forte.
o
bastante.
domingo, maio 23, 2010
Parece que estou vivendo com uma intensidade acima do nível normal de intensidade aceitável. São tantas e tantas coisas que acontecem num dia. Minha vida é feita de dias que amanhecem e quando anoitece eu até já esqueci da hora em que amanheceu. E às vezes anoitece e amanhece de novo, num mesmo dia. Dias de nem me lembrar o que foi que eu vivi na sexta feira, que passou há apenas dois dias. Dois dias são uma eternidade que ao mesmo tempo acontecem na velocidade da luz. Na velocidade de um sonho bom. Já é fim de maio. Onde estive por todo este tempo? Este mês que não vi chegar, não vi passar? Este frio que veio, essa coca cola, esse sítio, essa fogueira, essa bebedeira, esse cair num buraco que abre embaixo de mim enquanto estou dançando, este café com o kenan, estas apresentações lotadas, umas brigas e uns supermercados, umas aulas na usp, uma vaga em berlim, uma viagem para o sertão e uma viagem para a alemanha marcadas, uma vida pra viver e ela passa tão depressa que não consigo sequer saboreá-la. Quero sentir o gosto da vida. Talvez eu tenha começado este texto da maneira errada, O que eu queria dizer é que as coisas acontecem com uma intensidade e velocidade que não dá nem tempo de viver. Me falta tempo de viver intensamente e isso é o opsoto do que eu disse acima. É isso mesmo. Sou profunda e intensamente contraditória. E quem não quiser, não me acompanhe.
quinta-feira, maio 20, 2010
segunda-feira, maio 17, 2010
agora já foi.
o dia branco dentro e fora. as lembranças esfumaçadas pelo tempo.
quando a gente se encontrou no mundo e era isso que fazia todo o sentido. o que tinha vindo antes e o que viria depois, tanto fazia, já que ali sim o encontro acontecia do jeito mais intenso, mais explosivo, mais certo. e que a gente era foda, exemplo pros outros, até. e que a gente se conheceu todos os dias. e eu esperava ansiosa a hora de chegar na escola livre. umas horas eram muito demoradas. eu queria mais era te ver, fazer as cenas com você, ficar junto no intervalo inteiro, conhecer sua casa, seus pais, interlagos. eu queria mais era viver com você todos os dias sem parar sem respirar, senão parecia que eu ia morrer. porque era tanto amor era tão certo tão justo, o encaixe, o tamanho, a conchinha, o banho, a tv no sofá, as viagens de carro. era tanta coisa em comum. as ideias.
as ideias de vida de arte, de luz, de cena, de nekropolis, de músicas, de estirpe, de club noir, e as discussões, e as inquietações, e a arte e a arte que faríamos juntos, a arte e o amor que faríamos juntos, pra sempre. e o nosso grupo de teatro. e o kenan. e a arte. e o amor.
aí que eu te achava um gênio. e acho ainda.
um gênio chato como todos os gênios são. egocêntrico.
aí que eu achava que juntos a gente ia botar pra quebrar.
você ia me dirigir. e me amar. pra sempre.
o dia branco dentro e fora. as lembranças esfumaçadas pelo tempo.
quando a gente se encontrou no mundo e era isso que fazia todo o sentido. o que tinha vindo antes e o que viria depois, tanto fazia, já que ali sim o encontro acontecia do jeito mais intenso, mais explosivo, mais certo. e que a gente era foda, exemplo pros outros, até. e que a gente se conheceu todos os dias. e eu esperava ansiosa a hora de chegar na escola livre. umas horas eram muito demoradas. eu queria mais era te ver, fazer as cenas com você, ficar junto no intervalo inteiro, conhecer sua casa, seus pais, interlagos. eu queria mais era viver com você todos os dias sem parar sem respirar, senão parecia que eu ia morrer. porque era tanto amor era tão certo tão justo, o encaixe, o tamanho, a conchinha, o banho, a tv no sofá, as viagens de carro. era tanta coisa em comum. as ideias.
as ideias de vida de arte, de luz, de cena, de nekropolis, de músicas, de estirpe, de club noir, e as discussões, e as inquietações, e a arte e a arte que faríamos juntos, a arte e o amor que faríamos juntos, pra sempre. e o nosso grupo de teatro. e o kenan. e a arte. e o amor.
aí que eu te achava um gênio. e acho ainda.
um gênio chato como todos os gênios são. egocêntrico.
aí que eu achava que juntos a gente ia botar pra quebrar.
você ia me dirigir. e me amar. pra sempre.
domingo, maio 16, 2010
Aí quando dou por mim sinto o peso das tradições sobre os meus ombros. A herança genética. Os jeitos em comum. Os gestos - espera, quem anda assim não é a minha mãe? Ou minha vó? Minha irmã? Não sou eu quem ri assim, quem fala assim, essa voz, a entonação toda, é roubada ou entuxada no meu corpo. Vem com as garfadas de arroz e feijão. Vem das históias do vovô Antônio na mesa das crianças na hora do almoço. Vem com os móveis pesados de madeira escura da casona. Ou do cheiro de remédio no banheiro da Vovó Maria. Vem da mãe. A mãe. A mãe. Que fujo em vão indo cair no mesmo lugar. Nos mesmos erros, mesmas fragilidades. E eu fujo e fujo e corro com fé e nada. E volto pra esse que é o lugar por onde eu cheguei no mundo. Atravessei as suas entranhas, mãe, pra chegar aqui. Como posso fugir das nossas semelhanças?
Não sei se posso. Se sou ingrata. Não sei.
Não sei se posso. Se sou ingrata. Não sei.
sexta-feira, maio 14, 2010
12/05/2009
Era assim que começava: o dedo indicador dele deslizando sobre o bico do meu peito que fica durinho na mesma hora em que me sobe um arrepio gostoso até o topo da cabeça. Eu enfio a mão entre os seus cabelos e puxo de leve trazendo a sua boca para chupar meus peitos. E de vez em quando ele morde. Era assim que começava. O mesmo dedo entra na minha calcinha e eu gemo enquanto aperto o seu pau com toda a minha mão. Arrancamos as roupas e sentimos o corpo um do outro por inteiro e ele enfia o pau em mim e eu gemo mais alto e aperto ele com a minha boceta. Era sempre assim que começava. E não sei se gemo de tesão ou porque às vezes sinto dor quando o pau entra. E sai. E entra e sai. E entra. E sai. Minha cabeça é minha maior traidora e traz pensamentos de Estêvão e Olívia. De amigas que me esqueceram. Do que comi ontem à noite. Me vejo gemendo pra agradá-lo, pra mostrar que tenho tesão com seu pau entrando e saindo de mim. Os movimentos continuam e se alternam entre reboladas e metidas mais fortes, mais fracas. Eu também rebolo enquanto penso que deveria estar envolvida com a transa e me dói o não sentir meu corpo, chafurdada em pensamentos cruéis. Ele aperta meus peitos. Eu lembro da viagem pra Rio Claro com o Estêvão. Ele segura minha bunda e mete com força. Penso nas rodas de samba quando meus amigos ainda sentiam a minha presença. Ele beija a minha boca. Eu amo esse homem que me come, mas preferia não estar trepando agora. To menstruada, tá ficando tudo sujo e meu pai está dormindo no quarto ao lado. E ainda tem esses pensamentos me aporrinhando enquanto eu gostaria – como gostaria – de estar sentindo tesão com o meu namorado que me fode com tanta vontade. Arranjo uma desculpa – falo que estou sentindo dor, que não estou à vontade, tenho medo de acordar meu pai. Ele pára depois de gozar. Desmorona. Eu saio do quarto para me lavar no banheiro e quando volto ele tem o meu diário nas mãos, aberto na página:
“- Eu posso ser o amante de qualquer pessoa, menos o seu, Sofia – disse o Estêvão. É, ele mesmo, que surgia assim, súbito. Susto. – Por quê não? – respondi perguntando. Engatei a primeira marcha e fui embora rápido. Só o vi apagando o cigarro na calçada molhada, pelo retrovisor. E já o reconheci como se nunca tivesse tido uma separação. Como reconheceria o meu próprio rosto no espelho...”
E as palavras fugiram em revoada, deixando-me quilômetros para trás olhando para ele, meus olhos trêmulos e nus. Agora eu estava nua diante dele. Sem palavras que me escondessem, sem desculpas que disfarçassem. Era eu. Meus olhos e meu corpo expostos verdadeira e dolorosamente. Ele foi embora depois de bater uma punheta ao mesmo tempo em que me masturbou. Levou meu sangue com ele.
E que o meu amor viria à cavalo, rompendo o cimento das calçadas históricas, os discursos super-reproduzidos, as imagens sobre-produzidas e tudo o que é feito de sal. Que viria para me adoçar e me colorir, sendo la dolce vita na Salina Del Hombre Muerto.
Que reconstituiria meus óvulos perdidos este mês e que me devolveria todos aqueles que me disseram tchau. Que me tiraria o teto e me daria o chão.
Este amor-gente-sonho-desejo-ilusão que me apagaria do meu passado e me imporia outro presente. Pessoa feita de nada, de palavra inventada e cara fotografada. Tudo eu de novo e ainda, com fome, com medo e sem sono. Monte de paixão intacta e amor compartilhado. Broto de promessa adiada, de digestão regorgitada. De processo, processo, processo.
Recai novamente meu corpo e, assim, ninguém pelo caminho consegue passar.
Por Joana Elkis, amada amiga,
sensível, forte, foda.
Que reconstituiria meus óvulos perdidos este mês e que me devolveria todos aqueles que me disseram tchau. Que me tiraria o teto e me daria o chão.
Este amor-gente-sonho-desejo-ilusão que me apagaria do meu passado e me imporia outro presente. Pessoa feita de nada, de palavra inventada e cara fotografada. Tudo eu de novo e ainda, com fome, com medo e sem sono. Monte de paixão intacta e amor compartilhado. Broto de promessa adiada, de digestão regorgitada. De processo, processo, processo.
Recai novamente meu corpo e, assim, ninguém pelo caminho consegue passar.
Por Joana Elkis, amada amiga,
sensível, forte, foda.
terça-feira, maio 11, 2010
minha queimação no estômago
revolução dentro de mim
eu queria pendurar as minhas tripas num varal
me revirar do avesso no meu próximo projeto artístico
mover minh'alma na direção do público
minha auto-guernica.
Não quero a absolvição
me interessa a coragem
não saber se fiz o certo se disse o que tinha que ser dito se não traí não xinguei
quero estar inteira nesta arte de que escolhi viver
não queria me vender nunca mais
saí tão absolutamente tocada da última reunião com o meu grupo que até chorei. de amor por isso que escolhemos fazer, juntos. por todo esse trabalho. esse empenho. essa paixão que nos move. é lindo e difícil demais fazer teatro. ser fiel a ele. a nós mesmos. ser íntegro. fazer aquilo que de fato nos modifica. que modifica o ao redor. que chega, que toca, que esfrega, convida, que espreme, supera, que cativa, que engrandece, sublima.
sublime o teatro.
sublime a arte.
sublime trabalhar com pessoas pelas quias sou tão apaixonada, admiradora, devota.
a gente pode não estar 100% preparados no quesito atores. mas no quesito seres humanos, vamos indo muito bem.
e não é isso que importa nessa vida?
revolução dentro de mim
eu queria pendurar as minhas tripas num varal
me revirar do avesso no meu próximo projeto artístico
mover minh'alma na direção do público
minha auto-guernica.
Não quero a absolvição
me interessa a coragem
não saber se fiz o certo se disse o que tinha que ser dito se não traí não xinguei
quero estar inteira nesta arte de que escolhi viver
não queria me vender nunca mais
saí tão absolutamente tocada da última reunião com o meu grupo que até chorei. de amor por isso que escolhemos fazer, juntos. por todo esse trabalho. esse empenho. essa paixão que nos move. é lindo e difícil demais fazer teatro. ser fiel a ele. a nós mesmos. ser íntegro. fazer aquilo que de fato nos modifica. que modifica o ao redor. que chega, que toca, que esfrega, convida, que espreme, supera, que cativa, que engrandece, sublima.
sublime o teatro.
sublime a arte.
sublime trabalhar com pessoas pelas quias sou tão apaixonada, admiradora, devota.
a gente pode não estar 100% preparados no quesito atores. mas no quesito seres humanos, vamos indo muito bem.
e não é isso que importa nessa vida?
domingo, maio 09, 2010
4 anos de palavras. Trajetos. Planos. Frustrâncias. Successos. Ou não. Até chegar aqui. Quando decido que
a partir de agora, tudo será ficção.
Meus peitos fartos
Meu pelo ruivo
Meu uivo
meu livro que não é mais meu.
Agora é que são outras. Agora é que a palavra faz mais sentido do que nunca. Que a liberdade ganhou outra dimensão. Agora é já.
E já que estamos falando disso,
lá vai o primeiro.
Detesto quem sabe escrever. O que esses não sabem mesmo, é viver. Viver mesmo, com v, com tudo o que é grande nesta palavra.
Me brocha. Me desanima. Não vem escrever cartinha de amor e muito menos bilhete de geladeira.
a partir de agora, tudo será ficção.
Meus peitos fartos
Meu pelo ruivo
Meu uivo
meu livro que não é mais meu.
Agora é que são outras. Agora é que a palavra faz mais sentido do que nunca. Que a liberdade ganhou outra dimensão. Agora é já.
E já que estamos falando disso,
lá vai o primeiro.
Detesto quem sabe escrever. O que esses não sabem mesmo, é viver. Viver mesmo, com v, com tudo o que é grande nesta palavra.
Me brocha. Me desanima. Não vem escrever cartinha de amor e muito menos bilhete de geladeira.
quinta-feira, maio 06, 2010
curto tuas fotos
teu índice
longos teus cabelos
teu trago
tua língua
sucção lenta
você, ali na janela do outro lado da rua
te decifro
te ignoro
que poderia ter sido
poderíamos ter fugido pra todo o sempre
pra perto ou longe
com você tanto faz
eu do lado de cá
da janela
da cidade
do mundo inteiro
o lado de cá do mundo inteiro
é só o lado de cá da tua presença
teu índice
longos teus cabelos
teu trago
tua língua
sucção lenta
você, ali na janela do outro lado da rua
te decifro
te ignoro
que poderia ter sido
poderíamos ter fugido pra todo o sempre
pra perto ou longe
com você tanto faz
eu do lado de cá
da janela
da cidade
do mundo inteiro
o lado de cá do mundo inteiro
é só o lado de cá da tua presença
terça-feira, maio 04, 2010
felino
Créc.
É.
Esse é o ano do Tigre, meu signo no Zodíaco Chinês.
E é assim que funciona: ou vai, ou racha - você escolhe. Partir ou ficar. Desapegar ou criar nhaca. Ter coragem ou ficar pra trás. Encarar ou sofrer.
É.
To gostando de ver.
O Tigre tá me dando uma puta força.
Voltei pro Kung Fu, descobri que sou uma pessoa agressiva, o oposto de doce, que é o que os outros pensam que eu sou. Tanta doçura pra disfarçar tanta raiva. O lance é canalizar a raiva pro lugar certo. Não deixar virar tristeza, frustração, sofrimento, que é o que acaba acontecendo muitas vezes. O lance é saber se defender, e nem sempre pra se defender precisa atacar. Precisão na defesa. Precisão no ataque. Ser certeiro. É essa a força exata, não mais, não menos, essa. Ié.
É.
Esse é o ano do Tigre, meu signo no Zodíaco Chinês.
E é assim que funciona: ou vai, ou racha - você escolhe. Partir ou ficar. Desapegar ou criar nhaca. Ter coragem ou ficar pra trás. Encarar ou sofrer.
É.
To gostando de ver.
O Tigre tá me dando uma puta força.
Voltei pro Kung Fu, descobri que sou uma pessoa agressiva, o oposto de doce, que é o que os outros pensam que eu sou. Tanta doçura pra disfarçar tanta raiva. O lance é canalizar a raiva pro lugar certo. Não deixar virar tristeza, frustração, sofrimento, que é o que acaba acontecendo muitas vezes. O lance é saber se defender, e nem sempre pra se defender precisa atacar. Precisão na defesa. Precisão no ataque. Ser certeiro. É essa a força exata, não mais, não menos, essa. Ié.
segunda-feira, maio 03, 2010
Não to enxergando muito bem. Tá embaçando a minha vista. A cabeça dói na região dos olhos. Hoje na faculdade não enxerguei a lousa. Sempre me orgulhei de ser dessas pessoas que não precisam de óculos. Sempre disse assim pras pessoas: "a minha maior qualidade é a visão. Eu enxergo muito bem". Aí eu é que lia as placas de rua, à noite, perdidos pra festa. Eu que via de longe qual era o ônibus certo. Eu que lia a bula de remédios pra minha mãe. A conta do restaurante pro meu pai. Agora sinto como se eu tivesse perdendo meus super poderes. Quer dizer, o meu único super poder. Isso é realmente terrível. Agora, por exemplo, não to nem olhando a tela do computador. Só olho pras teclas. Quando olho pra tela minha cabeça lateja.
Estou me transformando em mais uma reles reles reles mortal.
Detesto ser reles.
Estou me transformando em mais uma reles reles reles mortal.
Detesto ser reles.
domingo, maio 02, 2010
mañana
6 in the fucking morning.
vontade de escrever, do além.
tá foda o teclado. de enxergar as teclas.
o dia ainda não veio. o amor já foi. fico eu e essas letrinhas miúdas. migalhinhas de letras esparramadas.
se esparrama pelo chão.
é migalhinha ou migalinha?
hahaha
mi galinha.
mis galiñas.
vengam galiñas.
vengan com la madrugada ardiente.
la madrugada que se madruga en fiebre.
el suelo, la luna que se pongô.
el suelo que arrebenta la placienta de Diós.
dios el barbado señor, el pobrecito que madruga todos los dias. dios ayuda quien cedo madruga!
estou completa e alucinadamente fora de mim.
é bom registrar esses momentos de inspiração etílica, latina e madrugadora.
és eso. punto final.
vontade de escrever, do além.
tá foda o teclado. de enxergar as teclas.
o dia ainda não veio. o amor já foi. fico eu e essas letrinhas miúdas. migalhinhas de letras esparramadas.
se esparrama pelo chão.
é migalhinha ou migalinha?
hahaha
mi galinha.
mis galiñas.
vengam galiñas.
vengan com la madrugada ardiente.
la madrugada que se madruga en fiebre.
el suelo, la luna que se pongô.
el suelo que arrebenta la placienta de Diós.
dios el barbado señor, el pobrecito que madruga todos los dias. dios ayuda quien cedo madruga!
estou completa e alucinadamente fora de mim.
é bom registrar esses momentos de inspiração etílica, latina e madrugadora.
és eso. punto final.
sábado, maio 01, 2010
Carta de intenção
Não sei por onde, mas eu começaria mais ou menos assim:
me chamo sofia sou brasileira tenho 23. quero fazer esse curso porque quero sair deste país de merda que não dá espaço pros artistas. quero ir prum país onde os artistas são tratados com seu devido respeito, onde sua importância é reconhecida e cuidada. quero ter espaço pra criar. quero ver novos ares, cansei dos espetáculos daqui. cansei da praça roosevelt, dos sescs, dos sesis, dos antunes, zécelsos, dos musicais, dos alternativos, dos radicais e dos doidões. quero ver coisa nova. quero vocês seus alemães malucos. quero ver como vocês pensam essa coisa arte, esse negócio de teatro deve ser um troço bem diferente pra vocês. isso porque vocês já estavam escrevendo coisas geniais muito antes deste país se entender por gente. isso porque vocês possibilitaram goethes e schillers, e brechts, e heiner mullers. eu quero isso aí, tá? aprender essa cultura aí. posso? vocês aceitam uma brasileira atriz que quer escrever que quer dirigir que quer existir e viver disso pra sempre? vou praí ver como é que vocês fazem. aí quando eu cansar vou pra outro lugar. e outro. e mais outro. e vou assim: vivendo e experimentando. aprendendo umas línguas, tomando uns drinks, curtindo umas paisagens, uns passeios, uns rios e pontes antigas. nos intervalos escrevo, piro, crio. trabalho. aprendo línguas, conheço gente, gente, gente. adoro gente.
sem mais,
sofia.
me chamo sofia sou brasileira tenho 23. quero fazer esse curso porque quero sair deste país de merda que não dá espaço pros artistas. quero ir prum país onde os artistas são tratados com seu devido respeito, onde sua importância é reconhecida e cuidada. quero ter espaço pra criar. quero ver novos ares, cansei dos espetáculos daqui. cansei da praça roosevelt, dos sescs, dos sesis, dos antunes, zécelsos, dos musicais, dos alternativos, dos radicais e dos doidões. quero ver coisa nova. quero vocês seus alemães malucos. quero ver como vocês pensam essa coisa arte, esse negócio de teatro deve ser um troço bem diferente pra vocês. isso porque vocês já estavam escrevendo coisas geniais muito antes deste país se entender por gente. isso porque vocês possibilitaram goethes e schillers, e brechts, e heiner mullers. eu quero isso aí, tá? aprender essa cultura aí. posso? vocês aceitam uma brasileira atriz que quer escrever que quer dirigir que quer existir e viver disso pra sempre? vou praí ver como é que vocês fazem. aí quando eu cansar vou pra outro lugar. e outro. e mais outro. e vou assim: vivendo e experimentando. aprendendo umas línguas, tomando uns drinks, curtindo umas paisagens, uns passeios, uns rios e pontes antigas. nos intervalos escrevo, piro, crio. trabalho. aprendo línguas, conheço gente, gente, gente. adoro gente.
sem mais,
sofia.
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