domingo, agosto 20, 2017

Eu fiquei aqui e fingi que não tava te esperando
Preenchi meus dias
Fiz palavras cruzadas fumei cigarros fumei maconha ouvi música peguei meu carro escrevi projetos dei aulas almocei e jantei e ensaiei umas peças e fui ao cinema e bebi com meus amigos e mudei de casa e desencaixotei tudo e rearranjei num novo lar
Mas tudo isso
Isso tudo
não passou de uma grande longa e grande e longa
espera
Como se preenche uma espera? Como se espera a espera? Quanto tempo vai levar essa espera?
Ainda não sei porque ainda não acabei de esperar
A espera vai durar o quanto minha paciência durar enquanto houver com o que me distrair enquanto você existir dentro de mim
Pode ser muito
Ou pouco
Torço pra que acabe, de uma forma ou de outra
Só acabe

Pra eu poder fazer outras coisas de mim

domingo, julho 02, 2017

8/01/2016 - da ilha

Vento que não para nunca
Uma trilha de areia clara que vai dar numa praia infinita e plana
No caminho, todos os tons de verde da escala
De repente me lembro do verde
A todo momento
Como esquecê-lo se ele me rodeia?
Olha só, meu vestido também é verde, assim como meu biquini
Cada um no seu tom
Não há nada como sentar
e observar
e absorver
o som
as cores paradas
o vento nas coisas deste lugar
paradas
que arrepia e desarrepia a minha pele

O contrário disso é que tenho tido pesadelos. Estranhos e terríveis. Não sei explicá-los. Essa noite não me lembro o que sonhei, o que não garante qye tenha sido bom.

de um dia qualquer

uma greve geral no brasil
hoje
um frio geral na city sp
hoje
uma vontade de não sair de casa e outra de estar na manifestação
eu vou
mas eu volto



demora tanto pra aprender que esse frio da alma é a própria alma.

quando eu fecho os olhos eu vejo berlim e quando abro estou no trem voltando de sto andré
e quando fecho os olhos eu vejo ele e quando abro eu vejo você

e quando sonho, sonho com ele, e quando acordo estou ao seu lado. há anos e anos e anos.
e que hoje minha inspiração vem de algo tão abstrato e sofrido
e que de alguma forma cultivo esses fungos e essas paixões úmidas, inventadas, ilícitas
Ah, os amores impossíveis
e inúteis
o que faço com isso que eu mesma inventei? desinvento? 1, 2 e já.
ih, não foi.
leva tempo as coisas aqui em mim, elas se instalam, ficam confortáveis, se sentem em casa (e eu deixo). folgadas, as coisas em mim. podia ser mais bate e volta. mais breve. pluft. sumiu.
vaza todo mundo
pra fora!
circulando
devo ser a PM das minhas paixões?
credo
olha só o que pensei

mas pensei também que eu amo as pessoas com tanta intensidade (algumas) que elas começam a morar em mim
e quero mais é que morem porque as amo e admiro e identifico
quando eu amo é como se visse um eu estendido, um eu diferente de mim e fora de mim, mas de algum jeito um eu
e com ele não é assim, mas é de algum jeito um ser que encaixa com meu gosto
doidera pura.


segunda-feira, abril 10, 2017

Faz-me juras 
um fingidor embriagado
Doido de (falso) amor
Fala tudo que eu sonhava ouvir
Mas continuei sonhando
Bêbados não falam a verdade
Só os ingênuos acreditam nas verdades do vinho
Prefiro as verdades do corpo

Mamãe me avisou pra usar as mãos pra proteger da queda
Eu esqueci do conselho e quebrei os dentes na calçada
Agora to toda aberta toda fratura exposta no meio da pista

domingo, março 26, 2017

Fiz um Poema



Abriu o buraco
Saiu ranho de dentro dele
Eu só sei escrever coisa triste
sou um ser que chora

Choro quando ta bom
quando ta ruim
Quando to junto
quando to sozinha
Quando trabalho
e quando não
Choro quando é domingo
Quando é terça ou quarta
também choro

Porque tem alguma coisa aqui
Que
não é que dói
Mas que
eu sinto o vazio
de uma coisa
A falta que
essa uma coisa faz

Essa coisa que se confunde com órgão
mas não é
Com amor
mas não é
Com angústia
mas não é
é
outra coisa