sexta-feira, março 19, 2010
Queria que você escrevesse em mim, dentro de mim, em cima de mim, ao lado de mim, que escrevesse mim em você, que escrevesse mim em mim. Que você escrevesse de você em mim, que escrevesse vocês e mins e mins e vocês e nós em nós. Que escrevesse por nós, sobre nós, dentro de nós. Sobre nós, sobretudo. Que escrevesse nós em mim. Que escrevesse. Mim queria que nós escrevêssemos em você, em mim. Você queria? Você quer? Você mim querer? Querer eu quero. Escrever. Nos escrever em nossos mins e nossos escreveres em nós.
Hoje.
Calor e Cazuza nos ouvidos.
Pernilongo devorando meus pés. E panturrilha. Ai.
Aqui chama Pousada da Terra e é agora meu segundo lar.
Aqui é longe daí. Fica bem em cima no mapa do Brasil. Brasilzão sem portêra. Brasilzão que é um em cada canto.
Quem tá aqui não sai por nada. Fala que São Paulo não faz o menor sentido, São Paulo nem interessa pra eles daqui. E a gente daí fica achando que é o centro do mundo, que no fundo todos estão muito tristes por não terem nascido aí e que tudo o que eles mais queriam era morar nesta cidade megalomaníaca.
Querem nada. Eles ficam é tirando sarro da minha cara. Que São Paulo inunda. Que em São paulo é todo mundo "frescurento". Que em São Paulo você tem que sair da sua casa no mínimo uma hora antes do seu compromisso. E aqui, quando é muito longe, eles saem 15 minutos antes. E aqui tem praia e caranguejo a três reais o quilo e camarão e sol e calor e calor e, affff, calor. O apelido daqui é Terra do Sol. Quando o avião chega no aeroporto a aeromoça diz: "Temperatura em Natal é de 30 graus". E eu penso: "Ah, que novidade!". Aqui a temperatura é sempre de trinta graus.
E eu ando de taxi e como camarão e tomo cerveja e nado na piscina "temperatura ambiente" do hotel e me divirto com meu amigo mineiro e minha amiga natalense e gravo umas cenas nada a ver pro Governo e as pessoas me reconhecem na rua e falam que admiram muito meu trabalho! Rá!! Que trabalho?
Hoje eu estou de folga em Natal. E eu fiz só as mesmas coisas que faria se estivesse em São Paulo. Almocei. Fui no shopping. Fiquei horas e horas na internet. Ai essa paulistanice que não nos abandona...
Pernilongo devorando meus pés. E panturrilha. Ai.
Aqui chama Pousada da Terra e é agora meu segundo lar.
Aqui é longe daí. Fica bem em cima no mapa do Brasil. Brasilzão sem portêra. Brasilzão que é um em cada canto.
Quem tá aqui não sai por nada. Fala que São Paulo não faz o menor sentido, São Paulo nem interessa pra eles daqui. E a gente daí fica achando que é o centro do mundo, que no fundo todos estão muito tristes por não terem nascido aí e que tudo o que eles mais queriam era morar nesta cidade megalomaníaca.
Querem nada. Eles ficam é tirando sarro da minha cara. Que São Paulo inunda. Que em São paulo é todo mundo "frescurento". Que em São Paulo você tem que sair da sua casa no mínimo uma hora antes do seu compromisso. E aqui, quando é muito longe, eles saem 15 minutos antes. E aqui tem praia e caranguejo a três reais o quilo e camarão e sol e calor e calor e, affff, calor. O apelido daqui é Terra do Sol. Quando o avião chega no aeroporto a aeromoça diz: "Temperatura em Natal é de 30 graus". E eu penso: "Ah, que novidade!". Aqui a temperatura é sempre de trinta graus.
E eu ando de taxi e como camarão e tomo cerveja e nado na piscina "temperatura ambiente" do hotel e me divirto com meu amigo mineiro e minha amiga natalense e gravo umas cenas nada a ver pro Governo e as pessoas me reconhecem na rua e falam que admiram muito meu trabalho! Rá!! Que trabalho?
Hoje eu estou de folga em Natal. E eu fiz só as mesmas coisas que faria se estivesse em São Paulo. Almocei. Fui no shopping. Fiquei horas e horas na internet. Ai essa paulistanice que não nos abandona...
quarta-feira, março 17, 2010
Ofélia afogada entre pilhas de roupa suja emboladas pelo chão do quarto.
Agarrada ao criado mudo transbordando papéis inúteis que não consegue se desvencilhar.
Sufocada pelo telefone celular que toca grita vibra e nunca é quem ela queria que fosse.
Ofélia intoxicada pelo trânsito calor infernal de fumaça nojenta entrando nos poros aos poucos.
Ofélia no meio fio. Ofélia sem linha. Ofélia fumando marlborão.
No funk. No pagode. Ofélia desafogando.
Ofélia trepando, Ofélia se enganando.
Ela quer sentir saudades e chorar de noite depois de apagar o abajur.
Ela quer criar coragem e jogar fora tudo o que não precisa mais.
Ofélia precisa de tempo pra cuidar das plantas no terraço, dos amigos e do mural de fotos que está se desfazendo na parede. Ofélia precisa cuidar do namorado. Do que restou. Pouco.
Ofélia por pouco, aos poucos, para poucos.
Agarrada ao criado mudo transbordando papéis inúteis que não consegue se desvencilhar.
Sufocada pelo telefone celular que toca grita vibra e nunca é quem ela queria que fosse.
Ofélia intoxicada pelo trânsito calor infernal de fumaça nojenta entrando nos poros aos poucos.
Ofélia no meio fio. Ofélia sem linha. Ofélia fumando marlborão.
No funk. No pagode. Ofélia desafogando.
Ofélia trepando, Ofélia se enganando.
Ela quer sentir saudades e chorar de noite depois de apagar o abajur.
Ela quer criar coragem e jogar fora tudo o que não precisa mais.
Ofélia precisa de tempo pra cuidar das plantas no terraço, dos amigos e do mural de fotos que está se desfazendo na parede. Ofélia precisa cuidar do namorado. Do que restou. Pouco.
Ofélia por pouco, aos poucos, para poucos.
quarta-feira, março 10, 2010
Sereinha da Sé
Não que seja menina de rua, mas vive dentro de uma fonte que deixou de ter água há uns bons anos, na Praça da Sé. Dessas meninas - menino que vemos por aí. Mora mesmo ali dentro, por isso é conhecida nas redondezas como a Sereinha da Sé. Quando chove é a desforra. E quando chove muito, a fonte até enche um bocadinho e ela se esbalda brincando de ser a sereia que gosta de imaginar. Sereinha do cabelo curto, que canta nas calçadas durante o dia pra ganhar a vida com uma vozinha chocha - e o povo até que se compadece e lhe descola algumas moedas pequenas. Mas quando chove, aí ela se inspira e bem que solta um vozeirão de menina adulta, de menina mulher que encanta os que tem a sorte de flagrar a cena. Flagrar, porque não é para os outros que ela canta assim, é pra ela mesma, quando se sente feliz e imagina longas madeixas ao invés do cabelinho curto desgrenhado e uma calda linda e verde esmeralda no lugar das pernas. Claro que o seu sonho é conhecer o mar. Como foi parar lá dentro da fonte da Sé, é estória que os outros gostam de imaginar. Cada um tem sua opinião, chute, e outros dizem que sabem mesmo: que ela foi largada ali de bem pequeninha e que não conhece outra vida, outro lugar. Nunca saiu do centro da cidade, de onde conhece cada canto, cada esquina, cada boteco, cada pedinte, cada puta, cada cão sem dono, cada menino de cola, cada poste, cada cuspe, cada avenida, cada ponto de ônibus, cada casa de suco. Mas nunca viu coisa nenhuma diferente de canto, esquina, boteco, pedinte, puta, cão, moleque, poste, cuspe, avenida, ponto e suco. Nunca viu o mar, por exemplo. Nunca viu areia da praia sem ser em capa de revista, nunca viu duna, nunca viu céu despoluído, mata virgem, estrelas no céu nunca nunca viu. Nem imaginar, imaginou. Imaginar como, se não sabe que existe? Aí seria invenção, não imaginação, então ela prefere nem tentar. E se contenta com seu tanque seco, com sua voz murcha, com o fato de ninguém saber seu verdadeiro nome. Se contenta com noite sem lua e com as luzes que nunca a hipnotizaram.
E naquele dia foi ela quem hipnotizou um bigodudo chamado Zeus que surgiu de combi do meio do temporal para levá-la dali pra bem longe. “Quer conhecer o mar, Sereinha?”, perguntou o desconhecido. “Que que você acha, tio?”. E assim, enquanto cantava ia subindo a bordo da combi 1985 do tiozinho do bigode simpático. “Pode fumar aqui, tio?”. “Você pode tudo, Sereinha. Não tá vendo que eu sou a sua salvação. Agora vamos buscar os outros.” Ela nem perguntou nada. Não tinha nada a perder, afinal de contas. Não sentia apego nenhum pela fonte da Sé – é, ela não teria do que sentir saudades. Queria mais era ir ver o mar, e iria mesmo achando que aquele tiozinho vestido de salva-vidas podia muito bem tá enganando ela. Ele parecia inofensivo. Ela tava acostumada com coisa pior. Queria mesmo era andar de combi pela primeira vez. “Tchau Sereinha da Sé” – gritava com a cabeça pra fora da janela, e depois ela abria a boca e deixava a água da chuva entrar. “Agora eu vou ser a grande sereia do mar!”.
E naquele dia foi ela quem hipnotizou um bigodudo chamado Zeus que surgiu de combi do meio do temporal para levá-la dali pra bem longe. “Quer conhecer o mar, Sereinha?”, perguntou o desconhecido. “Que que você acha, tio?”. E assim, enquanto cantava ia subindo a bordo da combi 1985 do tiozinho do bigode simpático. “Pode fumar aqui, tio?”. “Você pode tudo, Sereinha. Não tá vendo que eu sou a sua salvação. Agora vamos buscar os outros.” Ela nem perguntou nada. Não tinha nada a perder, afinal de contas. Não sentia apego nenhum pela fonte da Sé – é, ela não teria do que sentir saudades. Queria mais era ir ver o mar, e iria mesmo achando que aquele tiozinho vestido de salva-vidas podia muito bem tá enganando ela. Ele parecia inofensivo. Ela tava acostumada com coisa pior. Queria mesmo era andar de combi pela primeira vez. “Tchau Sereinha da Sé” – gritava com a cabeça pra fora da janela, e depois ela abria a boca e deixava a água da chuva entrar. “Agora eu vou ser a grande sereia do mar!”.
segunda-feira, março 08, 2010
Vontade de. De enforcá-lo. De esquartejá-lo. De socá-lo. De cuspi-lo. De empurrá-lo ladeira abaixo. De afogá-lo. De agarrá-lo. De amá-lo. De roçá-lo. De suá-lo. De mordê-lo com toda a força da minha mandíbula. Mas eu o odeio. O odeio com toda a força do meu desejo. Do fundo das minhas entranhas eu o odeio. De dentro das minhas coxas. E veias bombeadoras de sangue para a minha língua nervosa por te engolir, meu cérebro em tilte e ansiedade sem dormir. Te odeio no final do dia e no início da madrugada. Na segunda e no domingo. Te odeio no meu pensamento, no meu texto, no meu ser ou não ser. E como se não bastasse, te odeio.
sexta-feira, março 05, 2010
Despertar. Dez horas de trabalho intenso da parte do cérebro que sonha. Ou da parte do espírito que sonha (vai saber quem é que sonha).
Acordei cansada de sonhar.
Aí era eu na Paulista tomando banho numa vitrine. Meu amigo passava caminhando, velho e grisalho, qual um Chaplin dos dias atuais, vestido de sobretudo e peles de raposa. Aí eu correndo e encontrando uma professora da USP que estava liderando um ritual de Ahayhuasca, na Paulista. Meus colegas da faculdade em transe, eu ao lado deles, conversando sobre banalidades. Eu de fora.
Aí era sempre assim: eu assistindo e o mundo acontecendo ao meu redor.
Mas quando era eu ali nua na vitrine deixava, tranquila, os outros assitirem.
O mundo me invadindo e eu me mostrando cada vez mais pra ele.
Que venha!
Acordei cansada de sonhar.
Aí era eu na Paulista tomando banho numa vitrine. Meu amigo passava caminhando, velho e grisalho, qual um Chaplin dos dias atuais, vestido de sobretudo e peles de raposa. Aí eu correndo e encontrando uma professora da USP que estava liderando um ritual de Ahayhuasca, na Paulista. Meus colegas da faculdade em transe, eu ao lado deles, conversando sobre banalidades. Eu de fora.
Aí era sempre assim: eu assistindo e o mundo acontecendo ao meu redor.
Mas quando era eu ali nua na vitrine deixava, tranquila, os outros assitirem.
O mundo me invadindo e eu me mostrando cada vez mais pra ele.
Que venha!
quarta-feira, março 03, 2010
Que agora é assim. Pra valer. Um eu um você. Um aqui outro além. Um acordar só. Um caminhar sem. Uma outra vida que calhou de ser assim. Uma dor que parece que uma mão pegou meu coração e não para de espremer. Uma vontade interrompida. Amor então também acaba? Não que eu saiba. Acaba que são outras coisas que acontecem no meio do caminho. E a gente não planejou assim. E os filhos? E a nossa arte? A nossa parceria acima de tudo? Tudo isso caiu em cima da minha cabeça e eu não to vendo nada muito bem. Tudo tem você. Olho ao redor e absolutmante em tudo você está. Na minha cama. Nas minhas roupas. Meu cheiro. Meu espelho. Meu armário tem suas coisas. Suas fotos na minha câmera. Seus livros na minha estante. Você na minha unha, meu cabelo, meu tornozelo. Você na minha voz na minha pele. No ar, na porra da atmosfera, na fiação elétrica de São Paulo, nas ruas calçadas e avenidas, nos cães, na minha mãe, na minha peça de teatro. Agora é viver com o vazio absoluto pesando sobre minha cabeça.
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
Mossoro sem acentos
Acordei em Mossorõ de sonhos suicidas. Antes de acordar realizava que era ainda jovem e saudavel demais para morrer. Acordei de madrugada pra trabalhar.Aqui maior calor do mundo. Hoje vi estrada e mais estrada. Dia na estrada. Estrada não ê sô sinônimo de coisas legais e agradaveis. E tambem cansaco, trabalho, sem lar, sem chegar em casa depois de um dia exaustivo e quente. Aqui calor mais do que em qualquer outra parte do globo, e a sensacao que me da. Aqui ta cedo mas parece que nao durmo ha dias. Tomei cerveja na piscina e joguei truco com as pessoas da equipe. Fumei maconha. Vi tv. Tem tambem a hora do lazer, tem que ter!
terça-feira, fevereiro 23, 2010
Não me chame de lar
Não me dê segurança
Não me segure
Me espanque com seus beijos infernais
Implore por meu corpo que é bom demais para o seu
Me canse
Me exaura
Me sue
Me leve pra passear no seu corpo incansável
Insensível
Me dê leite pra dormir
Café quentinho ao despertar
Me cuide
Me cheire
Me lave
Durma enroladinho comigo e nem ouse tentar trepar
Me chame de sua mulher
Seu amor
Seu lar
Não me dê segurança
Não me segure
Me espanque com seus beijos infernais
Implore por meu corpo que é bom demais para o seu
Me canse
Me exaura
Me sue
Me leve pra passear no seu corpo incansável
Insensível
Me dê leite pra dormir
Café quentinho ao despertar
Me cuide
Me cheire
Me lave
Durma enroladinho comigo e nem ouse tentar trepar
Me chame de sua mulher
Seu amor
Seu lar
Coisas do céu
Avião me dá uma insônia da putaquepariu. Além de me despertar um medo incontrolável na primeira hora e meia, é o lugar do anti-sono por natureza. Poltronas duras com mínimo grau de inclinação, comidinha impiedosa, vizinhos mau humoradésimos com os quais você tem de ficar o tempo todo estabelecendo contato físico, já que as poltronas são coladas umas nas outras. Tá, eu sei que eu também sou uma vizinha mau humorada e neste momento sou uma das únicas com a luzinha insuportavelmente acesa, enquanto todos dormem. Admito que morro e babo de inveja destes que dormem como se estivessem nos poltronões de suas salas diante da TV ligada inutilmente. Daqui de dentro desta máquina - que até hoje não compreendo como pôde ter sido inventada pelos reles humanos - voadora, assustadora e insone, tenho a bela visão da Lua como se a Lua estivesse ao alcance dos meus braços esticados. É incrível. Parece que eu e ela estamos na mesma altitude no céu, uma ao lado da outra. Poderíamos dar as mãos e vagar por esse espaço sideral afora. Será que também a minha companheira solitária Lua sofre de insônia a esta altura? Será que lá também é frio e turbulento como nesta máquina voadora em que me encontro? Será que lá os ouvidos se tapam, o coração acelera e a adrenalina não nos deixa dormir?
Sinceramente, acredito que na Lua aqui do lado, as coisas são, no mínimo, mais tranquilas. Sei não. Mas olho para ela e me vem uma sensação de silêncio, sabe? Sabe, silêncio, essa coisa INEXISTENTE dentro de um avião?
Me parece também que lás as coisas são mais leves, os vizinhos não enchem o saco, tem sempre uma craterinha por perto pra buscar abrigo e pode até ser que você acabe caindo no sono sem nem perceber...
Sinceramente, acredito que na Lua aqui do lado, as coisas são, no mínimo, mais tranquilas. Sei não. Mas olho para ela e me vem uma sensação de silêncio, sabe? Sabe, silêncio, essa coisa INEXISTENTE dentro de um avião?
Me parece também que lás as coisas são mais leves, os vizinhos não enchem o saco, tem sempre uma craterinha por perto pra buscar abrigo e pode até ser que você acabe caindo no sono sem nem perceber...
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
sexta-feira, fevereiro 19, 2010
Mais uma vez na estrada. Mais uma vez sozinha. Quarto de hotel, frigobar, televisão, sol lá fora e aqui solidão.
Parece que perdi o fio da meada.
O que estou fazendo aqui, afinal de contas? Por quê raios me contrataram pra esses filmes do Governo do Rio Grande do Norte? Isso não tem na da a ver c om igo.
Aqui calor. Aqui chove e a chuva dura dois minutos e meio e nem refrescar refresca. Aqui saudades. Aqui longe. Aqui ilhada.
Assisti um filme idiota com o George Clooney e me identifiquei idotamente. Saí do cinema do Praia Shopping arrasada. E me pergunto incessantemente: o que diabos estou fazendo aqui? Será uma peça que o Destino está me pregando? Um exílio remunerado? Um tempo que me obriga a pensar e pensar e pensar até perceber que está tudo errado?
Começar de novo; eu só queria ser atriz e não a porra da garota propaganda do Governo do Rio Grande do Norte(que ninguém daqui me leia!).
Parece que perdi o fio da meada.
O que estou fazendo aqui, afinal de contas? Por quê raios me contrataram pra esses filmes do Governo do Rio Grande do Norte? Isso não tem na da a ver c om igo.
Aqui calor. Aqui chove e a chuva dura dois minutos e meio e nem refrescar refresca. Aqui saudades. Aqui longe. Aqui ilhada.
Assisti um filme idiota com o George Clooney e me identifiquei idotamente. Saí do cinema do Praia Shopping arrasada. E me pergunto incessantemente: o que diabos estou fazendo aqui? Será uma peça que o Destino está me pregando? Um exílio remunerado? Um tempo que me obriga a pensar e pensar e pensar até perceber que está tudo errado?
Começar de novo; eu só queria ser atriz e não a porra da garota propaganda do Governo do Rio Grande do Norte(que ninguém daqui me leia!).
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
Momento maluco de se viver. Não compreendo ainda, alucinada e perdida, cheia saturada de informação. Meu corpo, o que tenho feito do meu corpo? Intoxicado. No meio do tornado não dá pra ter visão de fora de porra nenhuma. Me vejo cambaleando, indo, indo, indo. Deixando levar, me levarem, me perderem. Tomar as rédeas e amarrar o burro sempre foram os meus desafios, já dizia Estelamare. Mas é disso que estou precisando? Frear ou acelerar? Ir ou ficar? Ser ou não ser? O que ser? Quem, dentre as tantas que posso escolher? Qual dessas aí misturadas de pernas pro ar, quem dessas melhor representa o meu papel? Qual é o papel que me cabe aqui e agora? Porque já não me iludo: eu mesma sou muitas, mesmo. Não há sol a sós. S.O.S. Mando mensagens que confundem o Destino. Me perco no caminho encontrando outros pedaços de mim que eu ainda não conhecia. Quem sabe um dia não completo este quebra-cabeças? Sou um monstro de mil cabeças. Sou Medusa dos cabelos de serpente. So fi a. O nome faz eco na cabeça, ressoa no pulmão, tropeça, cai, levanta, sai. Preciso ficar só. Preciso de mim agora mais do que nunca.
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
Da janela luz neon roxa escura.
É agora e já.
Que sexo tem?
Que sexo tem?
Bichos loucos suicidas escritores jovens amantes mentirosos em alerta, com drogas, amor e sexo. Lençol de suor. Coroa de tesão. Paira.
Gotículas de testosterona no ar.
A noite é foda. A noite é foda. A noite pé afora ante pé, antes não fosse de noite. Mas agora já é, tamo aqui e pá, já é. Sempre é agora a partir de agora. O tempo não existe, a partir de agora. É só pensar que de noite é pra sempre de noite. O sol resolveu não voltar, entregues tipo bicho sorrateiro -os bichos da noite são cruéis e deliciosos e cruéis- estamos entrgues aos livre arbítrios da cidade anoitecida para sempre. Já é. Não tem volta. Meteu o pé, abraça o diabo. E goza.
É agora e já.
Que sexo tem?
Que sexo tem?
Bichos loucos suicidas escritores jovens amantes mentirosos em alerta, com drogas, amor e sexo. Lençol de suor. Coroa de tesão. Paira.
Gotículas de testosterona no ar.
A noite é foda. A noite é foda. A noite pé afora ante pé, antes não fosse de noite. Mas agora já é, tamo aqui e pá, já é. Sempre é agora a partir de agora. O tempo não existe, a partir de agora. É só pensar que de noite é pra sempre de noite. O sol resolveu não voltar, entregues tipo bicho sorrateiro -os bichos da noite são cruéis e deliciosos e cruéis- estamos entrgues aos livre arbítrios da cidade anoitecida para sempre. Já é. Não tem volta. Meteu o pé, abraça o diabo. E goza.
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