quinta-feira, janeiro 07, 2010

Do caderno

Natal, R.N.
11 de dezembro de 2009


Cigarro, ar condicionado, frigobar, cama de casal, TV acoplada na parede, latinha de cerveja SKOL. Embarquei nesta viagem sozinha, all by myself, on my own, suela, solita, só. Me chamaram para este trabalho de publicidade do Governo do Rio Grande do Norte e eu vim. Eu e só. Eu e meus pensamentos e meu corpo e minhas questões e meus cigarros. Sempre detestei a combinação cigarro - ar condicionado, mas aqui em Natal não tem muito jeito, já que lá fora, mesmo nublado, faz um calor de derreter miolos.

Estar sozinha é uma arte. Noutras vezes, um tédio sem fim. Preciso ousar um pouco e começar a conhecer lugares que vão um pouco além dos dez metros que rodeiam a minha pousada.

Hoje vou sair pra passear no bairro da Ribeira.

Estou feliz e triste. Gosto e não gosto daqui. O trabalho é fácil: decoro textos rápidos e técnicos e vou para as obras gravar. A equipe é simpática e desorganizada. Fico me questionando o tempo todo sobre o que estou fazendo e penso que talvez fosse mais fácil e mais saudável encarar como trabalho mesmo e fazer a minha parte. Mas pensar com cabeça de artista é não se conformar mesmo e agora não tem mais volta: ou serei artista ou serei infeliz.

Um comentário:

Marcela disse...

vc será desde sempre e pra sempre artista.