essa noite foi estranha.
cavalo e criança afundaram em um pântano
depois, eu os via petrificados no chão, tipo fóssil.
Eu sentia culpa, a pior das culpas
chorava esperneava
Mostrava pra minha família o que eu tinha feito, me retratava.
quem mais ligava era a minha tia elisa, que também chorava. o resto achava triste, mas logo esquecia.
acordei com os olhos inchados.
sexta-feira, outubro 31, 2014
terça-feira, fevereiro 25, 2014
poema ela outra
eu fumo
a outra também
até os 30, diz ela
vai saber
ela sabe que não para quando quiser
a outra tem vontade de ser a todo instante
e garante
é bem melhor assim
mas não há intensidade que se mantenha
e precisa sossegar
aí sossega e chora, ela, a mesma
a outra não vem sempre visitar
ela sente saudades da outra
mas não chama,
não precisa chamar
porque a outra vem sem avisar
dá um rolê pelos palcos
pelos blocos
pelas ruas da madrugada paulista
se disfarça de sei lá o quê (deve ser de ela mesma)
pra poder então enfim,
ser.
dois.
Cherry dorme. Eu o amo. Somos parceiros de espírito e carne, de casa e trabalho, de gosto e de criação, de cama, lençol, quarto, comida, chuveiro, privada, louça, conta, viagem, festa, almoço, janela. Somos parceiros de tudo o que existe. Louco. Foda.
quinta-feira, setembro 19, 2013
É tudo uma questão de auto propaganda.
Propagar-se internet afora. Quanto mais views, likes e afins, mais amados nos sentimos. Mais e mais nos propagamos mundo virtual adentro, mais e mais somos de mentira.
Somos o que queremos ser na internet.
Somos só a parte boa. Bonita. Descolada.
Sorrimos eternamente. Somos belos e trabalhamos em coisas incríveis. E tá tudo sempre dando muito certo pra todos nós. Poxa. Que alegria. Penso: então está tudo certo? É simples assim viver, né? Simples assim estar no mundo, saber que vamos morrer a qualquer momento e que nossos vestígios internéticos se perderão por falta de atualização.
Super tranquilo ser um ser humano neste tempo, nesta cidade, nestes corpos. Todos super satisfeitos consigo mesmos. Todos amando suas vidas e querendo que os outros amem também. Só na televisão é melhor que isso, não?
terça-feira, setembro 17, 2013
qual é que é a desse minotauro?
pra mim, bate assim:
sobre monstros que no fundo do fundo do fundo do labirinto
somos nós mesmos.
silêncio.
o monstro faz barulho ou faz silêncio?
o monstro come o quê? quem?
o monstro dorme ou tá acordado? sempre?
quem a gente imagina que é o monstro? quem a gente gostaria que fosse? contra o quê lutamos?
que todos os heróis tem suas falhas trágicas e são degolados pelos deuses.
que deuses são esses? julgamentos? punições? guardem seus monstros pra si!, gritam os deuses!
o destino é um rio que corre corre sem parar... o destino é o tempo?
cada monstro se encontra com dédalo pra pedir ajuda:
me dá uma solução! arruma a minha vida! me dá uma invenção milagrosa que resolva todos os meus problemas!!!
então é:
sobre monstros e muros e paliativos tecnológicos
segunda-feira, agosto 05, 2013
no que é que fomos nos meter?
que estrada é essa que leva, leva, leva sem parar?
vou abrindo porta, conhecendo cidade, campo, terra fora de mim, dentro da cabeça é silêncio.
caminhos bitrifurcando. Expandindo implodindo deixando o que já conhece e indo pro que desconhece. Conhecer a mim já não é o foco, agora é pra fora, caminhar caminhos de cascalho, toco, pedra, pluma. Respirar. Sempre. Com você ao meu lado, passo ante passo, noite após noite, cama, carro, rua, ensaio, espaço, ensaio, conversa, cafécafécafé. Você é meu mestre e meu marido, e meu amigoinimigo de todo dia, meu espelho, meu parágrafo, meu diretor, minha base sólida, você e eu caminhando de mãos dadas vida afora, burilando nossa expressão íntima e necessária. Essa vida nos escolheu, meu amor e o teu.
que estrada é essa que leva, leva, leva sem parar?
vou abrindo porta, conhecendo cidade, campo, terra fora de mim, dentro da cabeça é silêncio.
caminhos bitrifurcando. Expandindo implodindo deixando o que já conhece e indo pro que desconhece. Conhecer a mim já não é o foco, agora é pra fora, caminhar caminhos de cascalho, toco, pedra, pluma. Respirar. Sempre. Com você ao meu lado, passo ante passo, noite após noite, cama, carro, rua, ensaio, espaço, ensaio, conversa, cafécafécafé. Você é meu mestre e meu marido, e meu amigoinimigo de todo dia, meu espelho, meu parágrafo, meu diretor, minha base sólida, você e eu caminhando de mãos dadas vida afora, burilando nossa expressão íntima e necessária. Essa vida nos escolheu, meu amor e o teu.
terça-feira, julho 02, 2013
s o b r e tudo
Se é pra escrever que seja agora, que seja frio, à seco, como dizem. Sem música, sem cigarro, sem vinho. Que seja pá pum. Aqui e já. Agora. Escrever escrever escrever sobre o frio que está desmedido, sobre os dias estranhos, mas assim, só anpassan. Uma passadinha pela Paulista, um filme doido, Tabu, um puta filme, português. Sobre o novo projeto de mi vida. Sobre todos os projetos de mi vida. Sobre mi vida. Foda-se mi vida, isso si. Que este blog é público medos privados em lugares públicos? Será que a gente sabe escrever se não for sobre nós mesmos? Vou dar um pulo ali na FLIP e já volto com a resposta. Mas é verdade que este ano senti vontade de ir pra FLIP. Ouvi dizer que o Brasil precisa de roteiristas novos. E de repente sonhei em ser uma roteirista. Puf. E parece que na FLIP vão ter uns papos com roteiristas, inclusive aquele cara foda, Luís Fernando Carvalho, estará lá. E eu quis. Ir. Mas não, porque nunca posso, porque ensaio, ensaio, ensaio e não chego nunca a lugar... A vida é como um ensaio, eu tenho percebido. A gente ensaia ensaia mas parece que nunca encara assim, pra valer, estamos eternamente ensaiando a vida, o viver, meus escritos são ensaios que vão do nada ao lugar nenhum. E sinto que escrever assim, em fluxo livre leve e solto, é para os amadores. Bueno, é isso que sou mesmo. Uma amadora da escrita, amante das palavras, vedete das letras e das frases.
Mas é tudo culpa do Lenz, aquele poeta esquizofrênico, que de repente se apossou de mi vida. Sim, aquele doido, maluco que me pegou e me levou para o NADA. O vazio, o nada, o vácuo da existência. Me tira daqui, Oberlin! Quando escurece Lenz sente tanto medo que precisa se jogar no poço, na água, a água sempre o traz de volta para o "mundoreal". Agora me pergunto qual será o meu poço? Talvez este cigarro que acabei de acender e desaprendi a digitar, não o cigarro não, porque ele me leva pra mais longe, isso sim. P r e c i s o e n c o n t r a r m e u p o ç o p a r a m e e n c o n t r a r co m L e nz?
Mas é tudo culpa do Lenz, aquele poeta esquizofrênico, que de repente se apossou de mi vida. Sim, aquele doido, maluco que me pegou e me levou para o NADA. O vazio, o nada, o vácuo da existência. Me tira daqui, Oberlin! Quando escurece Lenz sente tanto medo que precisa se jogar no poço, na água, a água sempre o traz de volta para o "mundoreal". Agora me pergunto qual será o meu poço? Talvez este cigarro que acabei de acender e desaprendi a digitar, não o cigarro não, porque ele me leva pra mais longe, isso sim. P r e c i s o e n c o n t r a r m e u p o ç o p a r a m e e n c o n t r a r co m L e nz?
terça-feira, abril 30, 2013
Doeu chorei
doeu paralisei
doeu paca tatu cotia não
doeu elefante
monstro
doeu agudo
doeu desatou choro nó e faladeira insana
as pessoas são capazes de cometer loucuras quando dói
falei o que vinha o que eu fingi que doía mas era dor de verdade coluna entrevada alma presa estancada precisa sempre travar pra olhar?
porque tava numas de não conseguir chorar, numas de aguentar que não é a minha cara. numas de passar por cima, atropelar, carro, marcha, lenta, taurina engessada e trampando sem parar pra ver.
ver o quê?
sábado, abril 20, 2013
Sonhar você
uns beijos proibidos debaixo d'água
o único lugar onde ninguém podia nos ver
fomos espertos
(nos sonhos, somos espertos sempre).
Fugas boas. Dava certo. Ninguém desconfiou.
Confissões e água. Era bom.
Sempre no sonho, sempre você nos sonhos, sempre eu e você nos meus sonhos será que somos nos seus também? Odeio você nos meus sonhos. Amo você nos meus sonhos. Quero você fora dos meus sonhos já. Quero você dentro dos meus sonhos. Já. Quero você dentro e fora dentro e fora dentro e fora já.
Acordei e te vi numa foto. Horroroso, cara de besta. É você mesmo? Aquele que eu sonho que me atormenta nos meus sonhos? Credo. Como eu tenho mau gosto. Acho que inventei uma pessoa que não existe.
segunda-feira, outubro 22, 2012
Ela gosta de brincar de medo
Nunca vou adivinhar o seu segredo
Fui brincar me arranhei inteiro
Ela vive ali na beira
Me convida pra dançar no abismo
E eu louco par cair
Brinquedo
Medo bom
Caixinha negra
Cuidado que explode
Cuidado que pode explodir
Ela nunca vai se jogar
E eu louco par mergulhar
ali.
Nunca vou adivinhar o seu segredo
Fui brincar me arranhei inteiro
Ela vive ali na beira
Me convida pra dançar no abismo
E eu louco par cair
Brinquedo
Medo bom
Caixinha negra
Cuidado que explode
Cuidado que pode explodir
Ela nunca vai se jogar
E eu louco par mergulhar
ali.
sexta-feira, agosto 31, 2012
domingo, agosto 12, 2012
domingo, agosto 05, 2012
E sempre que termina a peça
"que os deuses não nos notem"
faz-se silêncio entre os mortais
a mortal platéia
e o também público mortal
unem-se na escuridão do teatro.
hoje mais uma morte e mais um vento de vida no palco da Ifigênia
hoje mais um despertar de profundezas da alma
hoje uterina, filha, guerreira
hoje suor e sangue
conta a todos nós, Ifigênia: com quantos sacrifícios se entra para a História?
"que os deuses não nos notem"
faz-se silêncio entre os mortais
a mortal platéia
e o também público mortal
unem-se na escuridão do teatro.
hoje mais uma morte e mais um vento de vida no palco da Ifigênia
hoje mais um despertar de profundezas da alma
hoje uterina, filha, guerreira
hoje suor e sangue
conta a todos nós, Ifigênia: com quantos sacrifícios se entra para a História?
sexta-feira, julho 27, 2012
Bagunça criativa neste retiro em Jaú. Retiro ao mesmo tempo alimentar, espiritual, trabalhístico, familiar, emocional, maternal, oxigenal, cerebral, sentimental. U a u . Que bênção esse lugar Deus Meu. Obrigada tataravô, tataravó, bisavô, bisavó, avô, avó! Obrigada antepassados meus, por este lugar existir. Obrigada aos que fazem e conservam este lugar até hoje. Que pri vi lé gio meu deus, que privilégio um lugar assim, com todas as minhas raizes reunidas, enterradas nesta terra boa e roxa, todas as minhas memórias de infância nestas paredes, corredores, vacaria e cocheira, e terreirão e cafezal, canavial, aos cavalos, às galinhas, que bom é ter vocês todos aqui reunidos, basta uma viagem de três horas e meia da minha casa em são paulo que chego aqui neste lugar fora do tempo (será que existe mesmo isso aqui?) e me encontro diretamente COMIGO, e minha família, e a minha avó que já morreu, mas ainda assim me encontrei com ela de um jeito tão lindo desta vez. Que me sentei na sua escrivaninha e mexi em suas fotos e diários e descobri quão linda ela era jovem!! Eu nunca tinha visto a minha avó jovem! Que mulher! Cheia, transbordante de vida! Ela tinha aquele tipo de sorriso com uma gengiva que aparece e eu acho isso tão lindo nas mulheres (acho que minha prima Joana herdou este sorriso..). E como é legal ficar encontrando as minhas tias na minha avó e até ME encontrar na minha avó, meu deus, como é bom saber de onde a gente veio, e as características boas e ruins que vieram para nós sem a gente escolher!
Consegui me aproximar mais da Kátia. Imaginei-a, toquei piano, peguei folhas, pedras, gravetos, flores para levar para São Paulo e usar na cena. E construir meu Totem-Kátia. Escrevi muito como Kátia. Kátia é bichinho do mato, filha da natureza, vive só e bem, inventa suas estórias, se apaixona, loucamente, desvairadamente. Kátia é bichinho desconfiado, observador, se esquiva. Kátia colhe flores. Toca piano. É uma mulher, já. Sente falta do pai, teme a irmã, pouco carinhosa, muito rígida, seca. Criei os cinco quadros mas quero criar outros cinco. Li a novela inacabada do Púchkin, me envolvi, de repente, puft, acabou, ele parou de escrever, nunca saberemos o fim da estória, é terrível!
Minha mãe menininha. Minha tia Lu. Meu irmão. Tonicão.
Estou maluca e feliz.
Obrigada Jaú. Boa noite. Até a volta,
sua
S.
Consegui me aproximar mais da Kátia. Imaginei-a, toquei piano, peguei folhas, pedras, gravetos, flores para levar para São Paulo e usar na cena. E construir meu Totem-Kátia. Escrevi muito como Kátia. Kátia é bichinho do mato, filha da natureza, vive só e bem, inventa suas estórias, se apaixona, loucamente, desvairadamente. Kátia é bichinho desconfiado, observador, se esquiva. Kátia colhe flores. Toca piano. É uma mulher, já. Sente falta do pai, teme a irmã, pouco carinhosa, muito rígida, seca. Criei os cinco quadros mas quero criar outros cinco. Li a novela inacabada do Púchkin, me envolvi, de repente, puft, acabou, ele parou de escrever, nunca saberemos o fim da estória, é terrível!
Minha mãe menininha. Minha tia Lu. Meu irmão. Tonicão.
Estou maluca e feliz.
Obrigada Jaú. Boa noite. Até a volta,
sua
S.
domingo, julho 22, 2012
Apinéia.
Sonho com um mar vermelho transparente cheio de dejetos, sujeira. A onda passa por cima da minha cabeça, estou de pé, ela passa sem me molhar, estou dentro dela, vejo toda a sujeira passando por cima sem me tocar.
Meu caos organizado. Não meto o pé na lama, amo fria, ando sóbria sem chafurdamentos.
Novidade nenhuma, ela ri.
É uma intensidade limpinha. Nem lá nem cá.
Queria não entender tanto. Não explicar assim. Deixar-me ser mar inteira mar. Can't live with no love. Sem paixonar-se é tédio.
Tanto por fazer sem conseguir começar. O processo criativo não pode ser assim racional e ordenado, não é assim, tem que sentir alguma coisa, intuir uma fresta, e IR.
Os dias de julho tem sido lindos e eu nessa casa fria de frente para a porta, vendo os cachorros passearem felizes, vendo sol se por e imaginando como deve estar lindo lá fora mas sem me atrever a sair. Só saio quando escurece e aí é igual, mesmas luzes frias dos postes, mesmo carro, ruas todas iguais quando é de noite. Tem sido assim.
O processo de criar a Kátia está muito dentro, lá no fundo, não consegue ir pra fora, escancarar janela do corpo. Fiz uma colagem, foi uma tentativa de botar fora o que está dentro, um bom primeiro passo, acredito.
E agora pra onde? Criar os quadros, como? Desenhá-los? Botar no corpo? Criar o totem que o Wagner sempre fala. Preciso. Começar é que é difícil, já disse Beckett.
Fico sempre querendo as seguranças, os acertos, só começo quando tenho certeza. Mas como fazer diferente desta vez? Partir de um intuito, de uma imagem, deixar meu instinto procurando trilhas, seguindo alguma coisa mesmo que nebulosa, mas confiante.
Kátia toca piano de maneira séria e severa. Kátia é solitária. Kátia é feliz quando tinha tudo para não ser. É órfã, foi educada pela irmã, vive longe da cidade, com a irmã e a tia velha e chata. Mas é feliz assim. Kátia ama os pássaros, ama a natureza, é inteligente e tem personalidade forte, como a irmã. Kátia está pronta para amar, é tudo o que ela quer. Quando os dois rapazes aparecem em sua casa é um grande acontecimento para ela e sua vida pacata e sozinha. Kátia sente vergonha e muitas vezes mergulha para dentro de si e não há quem a arranque de lá. Kátia é irônica e soube direitinho como fazer para Arkadi ficar a seus pés. Serpentinha. Deixa os rastros de maçãs, uma trilha, uma armadilha, é ardilosa, observadora. Kátia é russa e nova. Nunca deve ter estado com um homem. Quer conquistar a sua liberdade, sair desta casa, dos domínios da irmã autoritária.
Sonho com um mar vermelho transparente cheio de dejetos, sujeira. A onda passa por cima da minha cabeça, estou de pé, ela passa sem me molhar, estou dentro dela, vejo toda a sujeira passando por cima sem me tocar.
Meu caos organizado. Não meto o pé na lama, amo fria, ando sóbria sem chafurdamentos.
Novidade nenhuma, ela ri.
É uma intensidade limpinha. Nem lá nem cá.
Queria não entender tanto. Não explicar assim. Deixar-me ser mar inteira mar. Can't live with no love. Sem paixonar-se é tédio.
Tanto por fazer sem conseguir começar. O processo criativo não pode ser assim racional e ordenado, não é assim, tem que sentir alguma coisa, intuir uma fresta, e IR.
Os dias de julho tem sido lindos e eu nessa casa fria de frente para a porta, vendo os cachorros passearem felizes, vendo sol se por e imaginando como deve estar lindo lá fora mas sem me atrever a sair. Só saio quando escurece e aí é igual, mesmas luzes frias dos postes, mesmo carro, ruas todas iguais quando é de noite. Tem sido assim.
O processo de criar a Kátia está muito dentro, lá no fundo, não consegue ir pra fora, escancarar janela do corpo. Fiz uma colagem, foi uma tentativa de botar fora o que está dentro, um bom primeiro passo, acredito.
E agora pra onde? Criar os quadros, como? Desenhá-los? Botar no corpo? Criar o totem que o Wagner sempre fala. Preciso. Começar é que é difícil, já disse Beckett.
Fico sempre querendo as seguranças, os acertos, só começo quando tenho certeza. Mas como fazer diferente desta vez? Partir de um intuito, de uma imagem, deixar meu instinto procurando trilhas, seguindo alguma coisa mesmo que nebulosa, mas confiante.
Kátia toca piano de maneira séria e severa. Kátia é solitária. Kátia é feliz quando tinha tudo para não ser. É órfã, foi educada pela irmã, vive longe da cidade, com a irmã e a tia velha e chata. Mas é feliz assim. Kátia ama os pássaros, ama a natureza, é inteligente e tem personalidade forte, como a irmã. Kátia está pronta para amar, é tudo o que ela quer. Quando os dois rapazes aparecem em sua casa é um grande acontecimento para ela e sua vida pacata e sozinha. Kátia sente vergonha e muitas vezes mergulha para dentro de si e não há quem a arranque de lá. Kátia é irônica e soube direitinho como fazer para Arkadi ficar a seus pés. Serpentinha. Deixa os rastros de maçãs, uma trilha, uma armadilha, é ardilosa, observadora. Kátia é russa e nova. Nunca deve ter estado com um homem. Quer conquistar a sua liberdade, sair desta casa, dos domínios da irmã autoritária.
domingo, julho 08, 2012
Ariadne trança os fios de seu amor impossível. Pega o carro e atravessa a cidade ouvindo músicas do momento no rádio. Não canta junto. Se enfia no labirinto minhocão, 23 de maio, barra funda, zona norte. Cidade de fios visíveis e invisíveis. Cidade trama. Cidade conexão. Perder-se do outro e de si, cidade afora, noite adentro. Despistar-se. Só. Perder-se.
Mas ela não sabia esquecer. Sabe onde ele mora, sabe onde o encontrar, sabe seu número de telefone, o nome de sua mãe, a cor do seu carro. Sabe como chamá-lo. Sabe, secretamente, que ele ainda... ou inventa. Ou canta. Ou bebe. Ariadne não confia no destino, Ariadne não é mitológica (quem raios é Ariadne, e por quê ela, assim, nos meus escritos?).
"eu amo dois", diz para si no silêncio de seu labirinto.
Ariadne e um minotauro aprisionado.
Deixa seus fios, seu rastro, a pé ou de carro, deixa seu cheiro na avenida das luzes, pixa seu nome debaixo do viaduto, acende uma vela na esquina do cemitério do araçá. Pede pros deuses do asfalto, pros doidos da rua, conta teus segredos à uma criança.
A cidade dorme e ri. A cidade te engole, Ariadne, ele te esquece, Ariadne, ele te esquece, Ariadne, pouco a pouco, ele te esquece, Ariadne.
segunda-feira, maio 14, 2012
dor dor dor no estômago
frio na espinha
estória que se repete ete ete ete até quando deus meu?
até onde?
até que fura
fere
descabela
reflete
estanca
pausa.
e começa eça eça essa coisa ruim que não chega o fim.......................
agora
penso
escrevo pra
pensar
vaza
sai
deixa irrrrrrr
e um muro automaticamente se ergue
muralha da china que não é maravilha nenhuma.
aquilo que impede nosso amor de dar certo
e que não sei porque se transforma em raiva
pura
vermelha
o que tinha que ser amor amor AMOR!
raiva relva escura
me larga me deixa não enche me deixa gozar.
domingo, abril 29, 2012
Meus amigos
eu não viveria sem eles
minha segunda família, a família que escolhi.
e é um amor incondicional, é um cuidar e ser cuidada sempre.
se ontem eu não tivesse amigos nem sei o que aconteceria comigo. mas como eu tenho os melhores, deu tudo certo.
nossos planos são bons, deixaremos obras para o mundo, para o futuro, deixamos músicas, um filme, livros, boas estórias. vamos plantar cada vez mais coisas boas nesse mundo. vamos ter filhos e nossos filhos serão amigos. e será para todo o sempre.
não tenho mais dúvidas disso.
meus amigos, os escolhi e fui escolhida por eles. meu eixo, meu centro, meu repouso, meu porto seguro, minha alegria, minha dança, minha cerveja, meus cigarros todos, minhas merdas, minhas qualidades e meus piores defeitos. compartilhamos tudo!
um brinde à vida que vai mostrando a cara pouco a pouco para nós. um brinde às experiências fortes, fodas, boas, loucas. um brinde ao calejar-se, ao deixar-se passar pelos acidentes e pelas maravilhas. um brinde aos amigos desta estrada afora.
evoé!
e um brinde à Ifigênia, que hoje foi nosso último dia no SESC! Foi lindo! Tesudo!
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