Soltem
os dragões
soprem, tempestades chinesas
tormentas marítmas
fendas nas terra
Se segurem nos sapatos
apertem os cintos da razão
quem manda agora é o coração
deixa vir
transforma
sai daí
desloca
veste outra coisa
carece ter coragem
furacão enlouquecido
vontade é poder
temos as mãos, os olhos, os pés
ação, dragão!
nos devore e cuspa melhores
me deixa entender
me ensina de uma vez por todas como é que faz
pra crescer.
sábado, janeiro 28, 2012
sexta-feira, janeiro 20, 2012
abriu a torneirinha da escrita
a gota melancólica no papel virtual
(sinto que vários afazeres estão sendo deixados de lado neste momento, mas não há quem me arranque daqui)
sei chorar
eu também já sei sentir a dor
mas isso não é meu, é do cartola. peguei emprestado.
sei lá sei lá sei lá
deu vontade de estar em berlin, right now. plim. e estou ali. em alguma rua do kreuzberg. com meu casaco pesado de penas de ganso que comprei na zara da dinamarca. meu gorro roxo e ridículo que cobre as orelhas, comprado em toulouse, frança. minhas luvas também roxas, que já estão se desfazendo.
o ar frio corta meu rosto, meus lábios. olho pro céu, azul. raro, nesta época fria. penso que o sol é uma dádiva do brasil. que nós não damos o devido valor. em berlin, quando há sol as pessoas comentam e sorriem. é feliz ter sol.
então, eu aqui, no meu transporte imaginário para berlin, agora estou enrolando um cigarrinho de papel, sentada num café, há um homem grande com um cachorro embaixo da mesa. eles deixam fumar aqui dentro, porque lá fora não dá pra ficar. estou enrolando, porque marquei a hora num cabelereiro que passei em frente e ele disse que só estaria livre em uma hora. resolvi cortar o cabelo como o das berlinenses, levar este lugar comigo, de volta ao brasil. ainda há pouco entrei numa biomarket e comi uma quiche. pedi em inglês, já desisti do alemão.
Daqui a pouco irei arrastando minha mala com rodinhas pela skalitzer strasse na neve até o bar em que o marco trabalha pra pegar a chave do ap dele, onde passarei minhas ultimas horas antes de embarcar de volta ao brasil. Mas na volta, vou parar no bar chamando sofia e tomar a minha cerveja preferida que se chama flenzburguer, ou algo do gênero.
Engraçado me lembrar justo do meu último dia em berlim, de uma viagem longa de meses, me veio à lembrança o ultimo dia...
tenho saudades de como me sentia lá. das possibilidades infinitas. das novidades infinitas na cidade mais legal do mundo. tenho saudades da eu que podia ser qualquer uma. da eu que não entrava em paranóia nenhuma. da eu que cresceu tanto tanto longe daqui.
------...-------
agora abro os olhos e estou na cozinha da minha casa, rua mário, vila romana. o cartola canta ao fundo junto com alguns cachorros do bairro que latem. 100% brasil. nossa, não sei como consegui me visualizar na alemanha, estando tão no brasil neste instante exato.
"os tempos idos nunca esquecidos trazem tristeza ao recordar" - o cartola acompanha meu ritmo de nostalgia.
sou tão naftalínica.
saudosista.
memórias a mil.
a laura falou uma coisa linda sobre a memória, outro dia. que as coisas que vivemos estão aqui, impregnadas, ferradas a ferro e fogo, ninguém as tira daqui. jamais. por isso, podemos deixá-las ali, tranquilas, adormecidas. não tem que ficar revirando, remexendo, não adianta, não tem volta. mas o que foi, foi, e ninguém tira o fato de que foi. e é o que basta. já vivemos, não precisamos viver de novo. talvez nem teria graça viver de novo algumas coisas.
então, me resta imaginar como será em berlim quando eu voltar. vou trabalhar, levar meu grupo de teatro, fazer uma residência, criar uma peça lá. sonho absoluto, mor. é o que quero. viver no amado bairro do kreuzberg, frequentar o bar em que o Marco é barman, deslizar de bicicleta pelas ruas lisas alemãs, aprender a língua, fazer teatro naquela cidade ultra inspiradora, apresentar coisas nas ruas, nas feiras, nos bares criativos, únicos.
é mais gostoso imaginar o futuro que lembrar o passado.
a gota melancólica no papel virtual
(sinto que vários afazeres estão sendo deixados de lado neste momento, mas não há quem me arranque daqui)
sei chorar
eu também já sei sentir a dor
mas isso não é meu, é do cartola. peguei emprestado.
sei lá sei lá sei lá
deu vontade de estar em berlin, right now. plim. e estou ali. em alguma rua do kreuzberg. com meu casaco pesado de penas de ganso que comprei na zara da dinamarca. meu gorro roxo e ridículo que cobre as orelhas, comprado em toulouse, frança. minhas luvas também roxas, que já estão se desfazendo.
o ar frio corta meu rosto, meus lábios. olho pro céu, azul. raro, nesta época fria. penso que o sol é uma dádiva do brasil. que nós não damos o devido valor. em berlin, quando há sol as pessoas comentam e sorriem. é feliz ter sol.
então, eu aqui, no meu transporte imaginário para berlin, agora estou enrolando um cigarrinho de papel, sentada num café, há um homem grande com um cachorro embaixo da mesa. eles deixam fumar aqui dentro, porque lá fora não dá pra ficar. estou enrolando, porque marquei a hora num cabelereiro que passei em frente e ele disse que só estaria livre em uma hora. resolvi cortar o cabelo como o das berlinenses, levar este lugar comigo, de volta ao brasil. ainda há pouco entrei numa biomarket e comi uma quiche. pedi em inglês, já desisti do alemão.
Daqui a pouco irei arrastando minha mala com rodinhas pela skalitzer strasse na neve até o bar em que o marco trabalha pra pegar a chave do ap dele, onde passarei minhas ultimas horas antes de embarcar de volta ao brasil. Mas na volta, vou parar no bar chamando sofia e tomar a minha cerveja preferida que se chama flenzburguer, ou algo do gênero.
Engraçado me lembrar justo do meu último dia em berlim, de uma viagem longa de meses, me veio à lembrança o ultimo dia...
tenho saudades de como me sentia lá. das possibilidades infinitas. das novidades infinitas na cidade mais legal do mundo. tenho saudades da eu que podia ser qualquer uma. da eu que não entrava em paranóia nenhuma. da eu que cresceu tanto tanto longe daqui.
------...-------
agora abro os olhos e estou na cozinha da minha casa, rua mário, vila romana. o cartola canta ao fundo junto com alguns cachorros do bairro que latem. 100% brasil. nossa, não sei como consegui me visualizar na alemanha, estando tão no brasil neste instante exato.
"os tempos idos nunca esquecidos trazem tristeza ao recordar" - o cartola acompanha meu ritmo de nostalgia.
sou tão naftalínica.
saudosista.
memórias a mil.
a laura falou uma coisa linda sobre a memória, outro dia. que as coisas que vivemos estão aqui, impregnadas, ferradas a ferro e fogo, ninguém as tira daqui. jamais. por isso, podemos deixá-las ali, tranquilas, adormecidas. não tem que ficar revirando, remexendo, não adianta, não tem volta. mas o que foi, foi, e ninguém tira o fato de que foi. e é o que basta. já vivemos, não precisamos viver de novo. talvez nem teria graça viver de novo algumas coisas.
então, me resta imaginar como será em berlim quando eu voltar. vou trabalhar, levar meu grupo de teatro, fazer uma residência, criar uma peça lá. sonho absoluto, mor. é o que quero. viver no amado bairro do kreuzberg, frequentar o bar em que o Marco é barman, deslizar de bicicleta pelas ruas lisas alemãs, aprender a língua, fazer teatro naquela cidade ultra inspiradora, apresentar coisas nas ruas, nas feiras, nos bares criativos, únicos.
é mais gostoso imaginar o futuro que lembrar o passado.
quinta-feira, janeiro 19, 2012
à um amor.
Do cão, a dona fiel
A zona de Lia me chama
para uma parte do globo qualquer
num ponto preto do olho preto dos pés pretos sem sapato
Tira os pés e pisa o mundo
Solta o cabelo, nuvem de chumbo
Alça teu vôo sereno
Calça minha mão na tua
Vamos juntas estrada da vida afora?
E ela responde:
"e se periga,
noite adentro."
A zona de Lia me chama
para uma parte do globo qualquer
num ponto preto do olho preto dos pés pretos sem sapato
Tira os pés e pisa o mundo
Solta o cabelo, nuvem de chumbo
Alça teu vôo sereno
Calça minha mão na tua
Vamos juntas estrada da vida afora?
E ela responde:
"e se periga,
noite adentro."
quarta-feira, janeiro 18, 2012
A minha carta proibida
- a que nunca será enviada à (o) possível destinatária (o) -
começaria com:
"Adeus,"
A primeira frase da carta poderia ser:
"Você sabia que escrever cartas é o gesto mais desesperado que existe?"
E por aí, eu iria:
"... e que escrever cartas proibidas é ainda mais desesperador?
Mas ao mesmo tempo, é inspirador e solitário, escrever a carta que nunca será lida por seu (sua) destinatário (a). Uma carta disfarçada de conto, poesia, romance, já que esses sim, são destinados à ninguéns. E à todos, por consequência.
À ninguéns e à todos eu diria fatos não específicos pois senão estaria denunciando o teor altamente proibido da carta. Explosivo. Escreveria coisas gerais. Que poderiam atingir qualquer um.
Seria algo como escrever em um contexto de censura. Repressão, ditadura, impossibilidade de livre expressão. Sim, poderia escrever sobre isso. A censura. Que aqui não se trata da censura do Estado, mas do estado das coisas. Do ponto a que elas chegam, e se tornam impossíveis de ser.
Por outro lado, por quê não dar um chute na moral e nos bons costumes? Uma bica no limite entre a sanidade e a loucura, dar adeus à razão e deixar outras partes do cérebro conduzirem a mão pelo papel?
Sabe, isso tudo é bastante desesperado.
Mas gosto, masoquistamente, das marcas proibidas.
Gosto, doentemente, do que me desalinha.
Mas faz tanto tempo, já. A carta começou a ser escrita há séculos, e talvez eu nunca a termine. Não começou com a minha geração, e pode ser que se estenda aos meus descendentes. Como uma maldição grega, vai saber."
A carta não terminaria assim. Ela ainda não terminou, pois o tempo, senhor de tudo, é quem poderá dizer. Quando.
- a que nunca será enviada à (o) possível destinatária (o) -
começaria com:
"Adeus,"
A primeira frase da carta poderia ser:
"Você sabia que escrever cartas é o gesto mais desesperado que existe?"
E por aí, eu iria:
"... e que escrever cartas proibidas é ainda mais desesperador?
Mas ao mesmo tempo, é inspirador e solitário, escrever a carta que nunca será lida por seu (sua) destinatário (a). Uma carta disfarçada de conto, poesia, romance, já que esses sim, são destinados à ninguéns. E à todos, por consequência.
À ninguéns e à todos eu diria fatos não específicos pois senão estaria denunciando o teor altamente proibido da carta. Explosivo. Escreveria coisas gerais. Que poderiam atingir qualquer um.
Seria algo como escrever em um contexto de censura. Repressão, ditadura, impossibilidade de livre expressão. Sim, poderia escrever sobre isso. A censura. Que aqui não se trata da censura do Estado, mas do estado das coisas. Do ponto a que elas chegam, e se tornam impossíveis de ser.
Por outro lado, por quê não dar um chute na moral e nos bons costumes? Uma bica no limite entre a sanidade e a loucura, dar adeus à razão e deixar outras partes do cérebro conduzirem a mão pelo papel?
Sabe, isso tudo é bastante desesperado.
Mas gosto, masoquistamente, das marcas proibidas.
Gosto, doentemente, do que me desalinha.
Mas faz tanto tempo, já. A carta começou a ser escrita há séculos, e talvez eu nunca a termine. Não começou com a minha geração, e pode ser que se estenda aos meus descendentes. Como uma maldição grega, vai saber."
A carta não terminaria assim. Ela ainda não terminou, pois o tempo, senhor de tudo, é quem poderá dizer. Quando.
segunda-feira, janeiro 09, 2012
30. 12. 2011
Ali
onde o mar encontra o rio
Onde o vento faz a curva
Onde vive sobretudo a loucura
outro tempo e outro espaço
a praia longe, longa
infinita, como sempre
como nunca
diferente
todo o mundo outro
Aqui dentro pulso fervilho penso
Vejo e abro os poros
recebo
da terra céu e mar
do papelzinho mágico no meu organismo
teve cajado
teve um bar na ponta de tudo
no ponto alto da doideira
e um brasileiro se fingindo de polonês pra tirar sarro da gente
e eu ri umas cinco horas seguidas
e falei com o Pedrão sobre poderes mágicos
o dele era abrir a Terra
o meu, uma varinha que atraía raios.
depois ele disse que o poder que ele queria era o de se transformar em qualquer ser vivo.
Aí caminhei de olhos fechados (dica do Martim).
E quando abri o olho eu tava no mar.
É onda é espiral.
É ciclo.
É sobe e desce.
O mundo, a vida, o tempo, o espaço, tudo mais do que nunca, cíclico.
onde o mar encontra o rio
Onde o vento faz a curva
Onde vive sobretudo a loucura
outro tempo e outro espaço
a praia longe, longa
infinita, como sempre
como nunca
diferente
todo o mundo outro
Aqui dentro pulso fervilho penso
Vejo e abro os poros
recebo
da terra céu e mar
do papelzinho mágico no meu organismo
teve cajado
teve um bar na ponta de tudo
no ponto alto da doideira
e um brasileiro se fingindo de polonês pra tirar sarro da gente
e eu ri umas cinco horas seguidas
e falei com o Pedrão sobre poderes mágicos
o dele era abrir a Terra
o meu, uma varinha que atraía raios.
depois ele disse que o poder que ele queria era o de se transformar em qualquer ser vivo.
Aí caminhei de olhos fechados (dica do Martim).
E quando abri o olho eu tava no mar.
É onda é espiral.
É ciclo.
É sobe e desce.
O mundo, a vida, o tempo, o espaço, tudo mais do que nunca, cíclico.
Sobre ele
Só te encontro
durante o sono.
Só meu corpo toca o teu
Minha alma dorme no travesseiro ao lado.
No outro dia trocamos palavras
Eu, desperta.
Tu, sonâmbulo.
Desço, faço o café e volto pra te falar tchau e te comparar com o filhote de algum bicho.
Cada manhã você acorda um filhote indefeso diferente, na ingenuidade que habita os que dormem profundamente.
E daí, você é meu.
durante o sono.
Só meu corpo toca o teu
Minha alma dorme no travesseiro ao lado.
No outro dia trocamos palavras
Eu, desperta.
Tu, sonâmbulo.
Desço, faço o café e volto pra te falar tchau e te comparar com o filhote de algum bicho.
Cada manhã você acorda um filhote indefeso diferente, na ingenuidade que habita os que dormem profundamente.
E daí, você é meu.
sobre nós
Quando o silêncio chega assim - avassalador - eu só espero ele partir.
Compactuo com ele. Deixo se instaurar.
(Me traz certo alívio até) o não falar.
Tem coisas que o verbo não resolve.
O silêncio, ele dá conta.
Compactuo com ele. Deixo se instaurar.
(Me traz certo alívio até) o não falar.
Tem coisas que o verbo não resolve.
O silêncio, ele dá conta.
sábado, dezembro 17, 2011
É, agora tem música.
Tem Lia, Papi, Laura, Ana.
Cinco mulheres sentindo compondo nascendo pruma coisa nova para todas nós.
P a t o
P r e t o
Tá sendo simples, grande, bonita a experiência. Que eu sempre sonhei mas nunca me imaginei exatamente aqui. Coisas que a vida guarda pra gente e, quando a gente nem tá esperando, calha de acontecer.
Estamos em acontecimento.
Neste ano 2011 árduo, duro, puta que pariu de dia-a-dia, pé ante pé, de garçonete, pra professora, de professora para atriz de uma companhia que admiro, e daí para me experimentar pela primeira vez como diretora, e agora a banda. Onde ainda damos passos inseguros, notas desafinadas, mas onde o desejo nos arremessa para lá looooonge.
Seria sua leoa, serpente, um raio que corre.
Eu quero mais.
É crua a vida.
Piratas plantados na carne da aventura.
Estremece minha carne, batiza meu osso, tempera meu sangue.
E por aí vamos!!!
Evoé.
terça-feira, dezembro 06, 2011
Antropófago
Foi gigante e libertador assistir ao Evoé - Retrato de um Antropófago, no dia 5 de dezembro de 2011, quando eu, caminhando com as minhas questões (barulhentas para mim, silenciosas para os outros), cansada desse fluxo de pensamentos egóicos, me deparei com um ser LIVRE, ATUANTE e VIVO do nosso tempo, na tela do espaço unibanco.
Entendi que fazer teatro é viver para ele e que o lance maior é o encontro com o outro, é escancarar as portas e ATUAR no mundo. Abrir o corpo, a mente, entregar a alma para o estado de catártico, quando nós somos tudo e NADA. Não importa o EU. Importa o corpo atravessado pelo raio do outro. Importa a alma eletrizada. Importa a VIDA. Isso SIM.
Zé Celso é um devoto da vida e neste ponto eu me encontrei com ele.
Entendi que fazer teatro é viver para ele e que o lance maior é o encontro com o outro, é escancarar as portas e ATUAR no mundo. Abrir o corpo, a mente, entregar a alma para o estado de catártico, quando nós somos tudo e NADA. Não importa o EU. Importa o corpo atravessado pelo raio do outro. Importa a alma eletrizada. Importa a VIDA. Isso SIM.
Zé Celso é um devoto da vida e neste ponto eu me encontrei com ele.
domingo, novembro 20, 2011
Assim como não consigo mais me lembrar dos meus sonhos, não escrevo mais.
O lugar lá longe do de dentro da gente - sabe esse? - parece que perdi o contato com o meu.
Preciso despertá-lo para voltar a sonhar. Voltar a escrever. Aglomerar palavras naturalmente como eu fazia antes. Porque antes elas se formavam sem muito esforço dentro de mim.
"embora escrever me dê a grande medida do silêncio..."
Escrever era crucial, e agora um esforço.
Juntar lá com cá, lé com cré e fazer bonitezas.
Escrever é fazer bonitezas silenciosas.
O lugar lá longe do de dentro da gente - sabe esse? - parece que perdi o contato com o meu.
Preciso despertá-lo para voltar a sonhar. Voltar a escrever. Aglomerar palavras naturalmente como eu fazia antes. Porque antes elas se formavam sem muito esforço dentro de mim.
"embora escrever me dê a grande medida do silêncio..."
Escrever era crucial, e agora um esforço.
Juntar lá com cá, lé com cré e fazer bonitezas.
Escrever é fazer bonitezas silenciosas.
quarta-feira, outubro 19, 2011
tipo uma crônica?
às vezes o tempo falta, noutras ele sobra.
agora sobra. e vim matar duas horinhas numa lan house no bixiga onde sempre me sinto uma estrangeira. na minha própria cidade natal. me sinto em cuba, puerto rico, sei lá eu.
e ao entrar nesta lan house de um casal de chineses (2 e 50 a hora) me lembrei de berlim e dos turcos donos das internet kaffes, onde tantas vezes chorei, me desesperei, ou encontrei meus amores.
tinha uma que eu elegi como a minha internet, e durante um tempo só frequentei aquela. o kit kat custava 50 centavos. o turcão era bem mau humorado, eu ficava chamando ele pra perguntar onde estava o arrouba no teclado, ou o acento tal, ou como faço pra imprimir?? ele não entendia uma palavra do meu inglês, eu não entendia uma palavra do seu alemão-turco. em suma, a gente não se dava lá muito bem. mas acredito secretamente que com o tempo fui conquistando-o, nada me prova isso, só gosto de pensar assim. afinal, ele já conhecia meus horários, minha bicicleta e a minha cara de choro.
daí um dia fui numa outra lan house de um outro bairro de um outro turco. e foi lá que explodi em lágrimas porque não conseguia falar com o meu amor há uma semana e estava desesperada pensando que ele tinha me esquecido. fui pagar no caixa com a cara deformada de tanto que eu chorei. daí o turco me perguntou se eu estava com saudade da minha família. eu respondi - mentindo - que sim. daí ele falou que me entendia porque ele não via a sua família há 23 anos. eu fiquei chocada e fui embora logo antes que ele me perguntasse há quanto tempo eu não via a minha: 3 meses, eu teria que responder...
agora voltando pra cá no espaço tempo. são paulo, 19 de outubro, 16 e 47 da tarde. salto. to com vontade de fazer xixi. o espaço do elevador ta trancada e o tempo deve passar rápido pra que chegue logo 7 da noite, horário do meu ensaio.
estava caminhando na rua e me senti como um espírito que morreu e não percebe que morreu. e por instantes descobri que esta deve ser, sem a menor dúvida, a PIOR coisa a acontecer a alguém (mesmo que este alguém seja um espírito...).
e vou parar por aqui, já está assustador e um pouco esquisito este texto. e vou extrapolar minha hora aqui na lan house dos chinas.
agora sobra. e vim matar duas horinhas numa lan house no bixiga onde sempre me sinto uma estrangeira. na minha própria cidade natal. me sinto em cuba, puerto rico, sei lá eu.
e ao entrar nesta lan house de um casal de chineses (2 e 50 a hora) me lembrei de berlim e dos turcos donos das internet kaffes, onde tantas vezes chorei, me desesperei, ou encontrei meus amores.
tinha uma que eu elegi como a minha internet, e durante um tempo só frequentei aquela. o kit kat custava 50 centavos. o turcão era bem mau humorado, eu ficava chamando ele pra perguntar onde estava o arrouba no teclado, ou o acento tal, ou como faço pra imprimir?? ele não entendia uma palavra do meu inglês, eu não entendia uma palavra do seu alemão-turco. em suma, a gente não se dava lá muito bem. mas acredito secretamente que com o tempo fui conquistando-o, nada me prova isso, só gosto de pensar assim. afinal, ele já conhecia meus horários, minha bicicleta e a minha cara de choro.
daí um dia fui numa outra lan house de um outro bairro de um outro turco. e foi lá que explodi em lágrimas porque não conseguia falar com o meu amor há uma semana e estava desesperada pensando que ele tinha me esquecido. fui pagar no caixa com a cara deformada de tanto que eu chorei. daí o turco me perguntou se eu estava com saudade da minha família. eu respondi - mentindo - que sim. daí ele falou que me entendia porque ele não via a sua família há 23 anos. eu fiquei chocada e fui embora logo antes que ele me perguntasse há quanto tempo eu não via a minha: 3 meses, eu teria que responder...
agora voltando pra cá no espaço tempo. são paulo, 19 de outubro, 16 e 47 da tarde. salto. to com vontade de fazer xixi. o espaço do elevador ta trancada e o tempo deve passar rápido pra que chegue logo 7 da noite, horário do meu ensaio.
estava caminhando na rua e me senti como um espírito que morreu e não percebe que morreu. e por instantes descobri que esta deve ser, sem a menor dúvida, a PIOR coisa a acontecer a alguém (mesmo que este alguém seja um espírito...).
e vou parar por aqui, já está assustador e um pouco esquisito este texto. e vou extrapolar minha hora aqui na lan house dos chinas.
quarta-feira, outubro 05, 2011
entres
silenciar-me
trancar nos meus calabouços os meus calabocas.
ami da li te
ali
onde a lua nasceu
onde dói um filho
onde dói a vida
onde o mundo vibra
ali na beirada da tragédia que tento compreender como atriz
no meu corpo
nas minhas beiras
nos meus entres
eternos
ali que é sem palavra
e junta com essa raiva que aqui tem habitado
e crescido
e eu a rego sem perceber
carrego pra todo lado
sei lá raiva do quê
xô.
trancar nos meus calabouços os meus calabocas.
ami da li te
ali
onde a lua nasceu
onde dói um filho
onde dói a vida
onde o mundo vibra
ali na beirada da tragédia que tento compreender como atriz
no meu corpo
nas minhas beiras
nos meus entres
eternos
ali que é sem palavra
e junta com essa raiva que aqui tem habitado
e crescido
e eu a rego sem perceber
carrego pra todo lado
sei lá raiva do quê
xô.
segunda-feira, outubro 03, 2011
com os olhos voltados pra dentro da cabeça
miolos
o pescoço afundado nos ombros
torcicolo
e as pernas e braços recolhidos
toco
não quero sair daqui
me deixe ficar aqui
ficar em silêncio e só
na minha navegação solitária rumo ao lado de dentro
re organizar
meu organismo dezorganizou
quero meu eu de volta
vibrando
feliz
agora é névoa
é transição de algo pra um algo outro
já vivi isso antes, sei como são as coisas. algumas delas. as minhas, eu ando sabendo mais.
raiva bate na portinha vez ou outra
com frequência ela vem
e eu a barro
quero deixá-la entrar
preciso das minhas ferramentas
arregaçar as mangas
e ajeitar as coisas por aqui.
aqui dentro
onde meus olhos olham pros miolos, a cabeça esmaga o pescoço pra dentro, os braços e pernas se recusam a sair.
aqui não é bom nem ruim. aqui só é. e é longe de você, o que melhora as coisas.
tchau
miolos
o pescoço afundado nos ombros
torcicolo
e as pernas e braços recolhidos
toco
não quero sair daqui
me deixe ficar aqui
ficar em silêncio e só
na minha navegação solitária rumo ao lado de dentro
re organizar
meu organismo dezorganizou
quero meu eu de volta
vibrando
feliz
agora é névoa
é transição de algo pra um algo outro
já vivi isso antes, sei como são as coisas. algumas delas. as minhas, eu ando sabendo mais.
raiva bate na portinha vez ou outra
com frequência ela vem
e eu a barro
quero deixá-la entrar
preciso das minhas ferramentas
arregaçar as mangas
e ajeitar as coisas por aqui.
aqui dentro
onde meus olhos olham pros miolos, a cabeça esmaga o pescoço pra dentro, os braços e pernas se recusam a sair.
aqui não é bom nem ruim. aqui só é. e é longe de você, o que melhora as coisas.
tchau
sábado, setembro 17, 2011
história de amor
nossa dramaturgia começa com
"você já viu a lua?"
e do portãozinho da casa da vanessa pra uns beijos no carro na garagem da thaís em santa terezinha foi um pulo.
daí eu ganhei uma despejada de cera quente de vela na cabeça da cor dos ciúmes.
depois, um dia, um telefonema:
"vem comigo. vamos juntos. eu te apoio e você me apoia. vem comigo, vem".
fui.
e no dia seguinte fomos namorados.
e de namorar para casar, foi outro pulo, curto. longo. árduo. lindo.
tem berlim entre uma coisa e outra.
nossa dramaturgia é de risco.
é de jogar tudo pro alto e recomeçar a cada dor, a cada foda, a cada dia.
mas nosso sonho é junto. é nosso. lindo.
minha declaração maior é a minha certeza. é o fechar os olhos e "me guia" que eu vou. confio. acredito, plenamente. concordo. identifico. pedaço de mim que encontrei perdido no mundo. e juntou pé com cabeça, virgem com escorpião, e florescemos. juntos. lindo.
nossa dramaturgia também é difícil. envolve coisa ruim, lixo, saudades, erros e mancadas, grandes merdas. nossa dramaturgia tem conflito. ô se tem.
hoje a dramaturgia tá no limite. no risco maior que todos os que já foram. sou uma equilibrista de sombrinha literalmente. abora aporta de casa pisando em ovos. mas ainda assim, vou dormir ao seu lado que é o melhor lugar do mundo, sorrindo.
e acordando com seu sono imóvel. sorrindo.
vai passar meu amor.
vai passar.
a nossa dramaturgia não tem desfecho.
beijos,
sua.
"você já viu a lua?"
e do portãozinho da casa da vanessa pra uns beijos no carro na garagem da thaís em santa terezinha foi um pulo.
daí eu ganhei uma despejada de cera quente de vela na cabeça da cor dos ciúmes.
depois, um dia, um telefonema:
"vem comigo. vamos juntos. eu te apoio e você me apoia. vem comigo, vem".
fui.
e no dia seguinte fomos namorados.
e de namorar para casar, foi outro pulo, curto. longo. árduo. lindo.
tem berlim entre uma coisa e outra.
nossa dramaturgia é de risco.
é de jogar tudo pro alto e recomeçar a cada dor, a cada foda, a cada dia.
mas nosso sonho é junto. é nosso. lindo.
minha declaração maior é a minha certeza. é o fechar os olhos e "me guia" que eu vou. confio. acredito, plenamente. concordo. identifico. pedaço de mim que encontrei perdido no mundo. e juntou pé com cabeça, virgem com escorpião, e florescemos. juntos. lindo.
nossa dramaturgia também é difícil. envolve coisa ruim, lixo, saudades, erros e mancadas, grandes merdas. nossa dramaturgia tem conflito. ô se tem.
hoje a dramaturgia tá no limite. no risco maior que todos os que já foram. sou uma equilibrista de sombrinha literalmente. abora aporta de casa pisando em ovos. mas ainda assim, vou dormir ao seu lado que é o melhor lugar do mundo, sorrindo.
e acordando com seu sono imóvel. sorrindo.
vai passar meu amor.
vai passar.
a nossa dramaturgia não tem desfecho.
beijos,
sua.
quarta-feira, setembro 14, 2011
cala a boca bárbara
debaixo da terra é silêncio
debaixo da pele é silêncio
debaixo da água é silêncio
no mergulho dos sonhos é silêncio
ali - entre a quietude e alguns sussurros
o grito abafado no sonho - e eu mordendo o travesseiro.
no som truncado do silêncio
o pesadelo e a queda ancestral
ali, onde adão e eva
ali pecado
ali não
bem ali.
debaixo da pele é silêncio
debaixo da água é silêncio
no mergulho dos sonhos é silêncio
ali - entre a quietude e alguns sussurros
o grito abafado no sonho - e eu mordendo o travesseiro.
no som truncado do silêncio
o pesadelo e a queda ancestral
ali, onde adão e eva
ali pecado
ali não
bem ali.
segunda-feira, setembro 12, 2011
mon day
na outra encarnação fui um homem.
e aí que eu já sei como é.
prefiro ser mulher, mas gosto da companhia dos homens. às vezes prefiro, até.
trago daquela outra vida a simplicidade, o desejo e a coragem.
------
agora meu cabelo crece a olhos nus. quero impedi-lo. não dá. todos os dias acordo e olho pra maquininha e ela olha pra mim e nos perguntamos, juntas: é hoje?
agora eu estou um pouco gorda.
agora eu lido com um bilhão de coisas que eu não lidava antes.
agora tenho uma casa. e às vezes me sinto como a minha mãe e não gosto da sensação. agora, daqui a pouco, tenho 25 anos.
uau. fuck. no.
agora é. agora sou. logo agora. justo agora.
bem aqui, assim. posso ser? pode sim. só querer. um dois três e já.
quero, logo hesito.
logo penso.
logo sou.
logo agora. justo agora.
e aí que eu já sei como é.
prefiro ser mulher, mas gosto da companhia dos homens. às vezes prefiro, até.
trago daquela outra vida a simplicidade, o desejo e a coragem.
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agora meu cabelo crece a olhos nus. quero impedi-lo. não dá. todos os dias acordo e olho pra maquininha e ela olha pra mim e nos perguntamos, juntas: é hoje?
agora eu estou um pouco gorda.
agora eu lido com um bilhão de coisas que eu não lidava antes.
agora tenho uma casa. e às vezes me sinto como a minha mãe e não gosto da sensação. agora, daqui a pouco, tenho 25 anos.
uau. fuck. no.
agora é. agora sou. logo agora. justo agora.
bem aqui, assim. posso ser? pode sim. só querer. um dois três e já.
quero, logo hesito.
logo penso.
logo sou.
logo agora. justo agora.
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