sexta-feira, outubro 17, 2008

Satisfaction

Que me apaixono com a mesma facilidade com que me entristeço. São nuvens que pairam sobre a minha cabeça. De amor, de tristeza, de euforia. Em cada momento me embrulho numa nuvenzinha diferente e embarco; ela permanece instaurada até que venha outra um pouco mais densa, um pouco mais atraente, que me toma e eu - vou.
Tomar as rédeas próprias do meu corpo cavalo. Aprender a domá-lo. Aprender a ser dentro dele, habitando a única casa que me pertence de verdade. Se eu não morar em mim, quem é que vai? Se eu não gostar daqui, quem é que vai? Se eu não domar a mim mesma, se não me confiar, se não me entregar nem pra mim, pra quem será?
É difícil lidar com algo que não me foi dado o poder da escolha (nascer, onde nascer, como, com quem, em que formato!). Ao mesmo tempo, penso, ainda bem que não dependeu de mim a escolha. Talvez eu não tivesse nascido nunca. Teria ficado pra sempre escolhendo qual seria a melhor casa, o melhor corpo, os melhores pais, o melhor signo (quereria ser de Sagitário!). E como não existem as tais condições ideais de pressão e temperatura eu não teria vindo nunca pra esse mundo.
Prefiro ter vindo toda incompleta, mas vim! Prefiro que me tenha sido dado este direito de aprimorar, de trabalhar, de ser, de me deparar, de ir e vir. Prefiro a vida do que a perfeição. Prefiro a dificuldade do erro do que o estático. Prefiro aprender na raça. No vivo. Com os vivos. Prefiro isso tudo a uma espera eterna pelo ideal que não existe. Ideal sedutor, perfeição filha da puta, signo difícil.
Mas que eu queria ser de sagitário, ah, como eu queria!

4 comentários:

Emely disse...

Virgem?

rogerio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas disse...

"porque aprender a viver é que é viver" JGRosa.
Muito lindo. To de acordo. Isso me ajudou a criar coragem e sair do limbo e criar isto: mundo-a-revelia.blogspot.com - opiniões e ajudas são muito bem-vindas!
Mas nunca se esqueça que o meu ascendente é Sagitário...

Ana disse...

Sofia!

Que texto lindo!

Gostei tanto! E sabe que eu também luto muito contra a tal perfeição. E estou aprendendo de uma certa maneira a ser com os vivos.

No fim é um prazer mesmo!

Beijão!